domingo, 4 de setembro de 2016

O Golpista


Por Marcelo Pereira

O telefone toca:
- Alô!
- Bom dia, o Golpista está?
- Aqui não tem nenhum Golpista! Você ligou por engano. - diz o Golpista.
- Estou ouvindo a voz do Golpista...
- Mas você ligou errado. Aqui é a casa do Estadista!
- Tudo bem. Golpista!
- Hmmmmm!

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Jantar no restaurante caro.
- Garçom, me dá a conta.
- Aqui está. Vai pagar como?
- No cartão.
- Tá, me dê o cartão.
- Pois não.
- Mas está no nome de outra pessoa.
- Está sim. Mas vou pagar com este cartão.
- Tem certeza que não irá prejudicar o dono do cartão?
- Deixa de conversa mole e aceite!
- Isto é golpe!
- Não enche e aceite. Dane-se o dono! Estou te pagando, ora!

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Intervalo de um jogo de futebol. XV de Pororoca e Liriense. Liriense está ganhando com diferença de 5 pontos, com grandes chances de aumentar a diferença. Estamos no vestuário do Liriense. O Técnico é abordado por um estranho homem de terno. O Técnico fica apreensivo.
- Boa tarde, senhor. - cumprimenta o estranho homem.
- Boa tarde. O que o senhor quer aqui? Estamos nos preparando para o segundo tempo!
- Podem parar aí. Vocês não precisam mai se preparar.
- Como assim?
O estranho homem chama mais outros 11 homens. São tão jovens quanto os jogadores do Liriense.
- Dispense seus homens. Estes homens jogarão no lugar.
- Mas porquê? São os jogadores do time! Estamos ganhando!
- Faça o que eu digo. Ordens do patrocinador.
- Mas que maluquice é essa?
- Se não fizer o que eu estou dizendo, o patrocinador promete uma decisão drástica.
- Decisão drástica?
- Sim. Mas para evitar isso é simples: vista meus homens com a camiseta do Liriense e ponha-os para jogar. Está tudo certo.
- Mas esses caras sabem jogar?
- Não. Mas a gente se vira. O bom é satisfazer o patrocinador.
Os novos homens entram em campo no lugar dos jogadores oficiais. O Liriense perde feio de 5 a 30  e é eliminado do campeonato. Isso não lembra algo parecido?

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Um casamento. Está na hora daquele momento crucial:
- Se alguém aqui estiver contra este casamento, que fale agora ou se ca... - fala o padre.
- Essa mulher aí é uma safada! Essa piranha deverá sair. Ela é uma filha da puta! - Uma mulher entra na igreja de modo acelerado e berrando.
- Mas o que é isso? - diz a noiva.
- Nunca vi esta pessoa em minha vida! - diz o noivo.
- Não interessa se você viu, se não viu. O que interessa é que esta mulher com quem está se casando é uma piranha! - fala a intrusa.
- Mas eu sou tão pacata. Quase não saio de casa. Amo meu noivo e não penso em outro homem. 
- Mas saia daqui, sua puta. Se retire deste recinto que você não tem honra para casar com este homem!
A plateia se divide entre os que defendem a noiva e os que acatam a intrusa. Os do segundo grupo, apesar de minoria, são mais influentes e barulhentos e começam a fazer pressão.
- Que chato! - diz a noiva, sendo carregada por dois homens fortes. A intrusa se coloca no lugar da noiva, improvisa um véu e fala para o padre:
- Pode continuar a cerimônia. Eu aceito me casar com ele.

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- Alô!
- Alô. É da casa do Golpista?
- Não. É do Planalto. E eu não sou Golpista. Sou o Estadista.
- Me falaram que o Golpista trabalhava aí.
- Não, você está redondamente enganado. Aqui não tem Golpista.
- Como não? Fontes seguras garantem que o Golpista está no Planalto.
- O Golpista foi embora. Aqui é o Estadista.
- Estou ouvindo a voz do Golpista...
- Olha, pare de me irritar. Aqui não tem golpista!
- Arrá! Golpista! Golpista! Golpista!
- Vocês está me irritando!
- Golpista! Golpista!
- Escute aqui! Golpista é você que rasga a Constituição! Adeus! - berra furioso, o Golpista.
O Golpista desliga o telefone e depois pega a Constituição e rasga, para em seguida jogá-la na lixeira.

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