domingo, 11 de setembro de 2016

Sonhos Quebrados


Por Marcelo Pereira

Alvinho era uma criança como outra qualquer. Um dia ouviu falar dos brinquedos ultramodernos e lindos do International Park, localizado em um cidade longe da sua. Alvinho se apaixonou pelo parque. O parque se tornou a sua obsessão. "Um dia irei para lá", dizia Alvinho, com convicção.

Falava com amigos sobre os brinquedos do parque. Colecionava fotos e informações sobre o parque. Fez um vídeo com fotos do parque. Até poesia e música foram feitas por Alvinho para celebrar o parque. 

Seu plano de ir ao parque continuava distante, mas Alvinho não parava de alimentar a sua obsessão. O parque era o seu lugar. ira ao parque se tornou a sua principal meta na vida.

Alvinho fez uma poupança para ir ao parque. O International Park dos seus sonhos teria que ser visitado. A aquisição de dinheiro foi lenta, mas bem sucedida.

Eis que um dia, finalmente, não só consegue o valor pretendido, como também a oportunidade para ir ao parque, se mudando para morar definitivamente na cidade. Enfim, vai finalmente conhecer o International Park e se divertir nos seus brinquedos mais modernos e possantes!

Durante a viagem de deslocamento para a cidade onde ficava o parque, Alvinho era só empolgação. Com os pais e o irmão, não arava de falar nos brinquedos e em tudo de bom que havia no parque que se tornou sua obsessão.

Após chegar à cidade e dormir na nova casa, finalmente, com o endereço correto em mãos, pega o ônibus para se deslocar ao lugar onde ficava o parque. Alvinho estava eufórico. A euforia não durou muito tempo.

Ao chegar, encontra um terreno abandonado, com muito mato crescendo e um monte de aço enferrujado e retorcido que sugere que havia brinquedos no lugar. O pai de Alvinho vê um homem simples varrendo nas proximidades e pergunta a ele.

- Bom dia, senhor. É aqui que havia o International Park?

- Sim. Mas o parque faliu há quase 10 anos. Apesar de estar sempre movimentado, o dono se atrapalhou com dívidas e má administração e teve que desistir do negócio. Como pagamento das dívidas vendeu o terreno e os brinquedos para o governo, que o abandonou. Virou isso que está aí.

- Mas ninguém avisou sobre isso?

- Não houve dinheiro sequer para divulgar alguma coisa sobre o fechamento do parque. Lamento.

Alvinho ficou desolado. Para piorar, a família, que decidiu se mudar para a cidade ficou sem condições de voltar para a sua antiga cidade. Com o fim do parque, a cidade entrou em franca decadência, pois a diversão oferecida pelo mesmo ajudava a movimentar a renda da cidade, que ficou bem pior que a cidade onde Alvinho morava, esta em crescimento acelerado.

domingo, 4 de setembro de 2016

O Golpista


Por Marcelo Pereira

O telefone toca:
- Alô!
- Bom dia, o Golpista está?
- Aqui não tem nenhum Golpista! Você ligou por engano. - diz o Golpista.
- Estou ouvindo a voz do Golpista...
- Mas você ligou errado. Aqui é a casa do Estadista!
- Tudo bem. Golpista!
- Hmmmmm!

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Jantar no restaurante caro.
- Garçom, me dá a conta.
- Aqui está. Vai pagar como?
- No cartão.
- Tá, me dê o cartão.
- Pois não.
- Mas está no nome de outra pessoa.
- Está sim. Mas vou pagar com este cartão.
- Tem certeza que não irá prejudicar o dono do cartão?
- Deixa de conversa mole e aceite!
- Isto é golpe!
- Não enche e aceite. Dane-se o dono! Estou te pagando, ora!

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Intervalo de um jogo de futebol. XV de Pororoca e Liriense. Liriense está ganhando com diferença de 5 pontos, com grandes chances de aumentar a diferença. Estamos no vestuário do Liriense. O Técnico é abordado por um estranho homem de terno. O Técnico fica apreensivo.
- Boa tarde, senhor. - cumprimenta o estranho homem.
- Boa tarde. O que o senhor quer aqui? Estamos nos preparando para o segundo tempo!
- Podem parar aí. Vocês não precisam mai se preparar.
- Como assim?
O estranho homem chama mais outros 11 homens. São tão jovens quanto os jogadores do Liriense.
- Dispense seus homens. Estes homens jogarão no lugar.
- Mas porquê? São os jogadores do time! Estamos ganhando!
- Faça o que eu digo. Ordens do patrocinador.
- Mas que maluquice é essa?
- Se não fizer o que eu estou dizendo, o patrocinador promete uma decisão drástica.
- Decisão drástica?
- Sim. Mas para evitar isso é simples: vista meus homens com a camiseta do Liriense e ponha-os para jogar. Está tudo certo.
- Mas esses caras sabem jogar?
- Não. Mas a gente se vira. O bom é satisfazer o patrocinador.
Os novos homens entram em campo no lugar dos jogadores oficiais. O Liriense perde feio de 5 a 30  e é eliminado do campeonato. Isso não lembra algo parecido?

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Um casamento. Está na hora daquele momento crucial:
- Se alguém aqui estiver contra este casamento, que fale agora ou se ca... - fala o padre.
- Essa mulher aí é uma safada! Essa piranha deverá sair. Ela é uma filha da puta! - Uma mulher entra na igreja de modo acelerado e berrando.
- Mas o que é isso? - diz a noiva.
- Nunca vi esta pessoa em minha vida! - diz o noivo.
- Não interessa se você viu, se não viu. O que interessa é que esta mulher com quem está se casando é uma piranha! - fala a intrusa.
- Mas eu sou tão pacata. Quase não saio de casa. Amo meu noivo e não penso em outro homem. 
- Mas saia daqui, sua puta. Se retire deste recinto que você não tem honra para casar com este homem!
A plateia se divide entre os que defendem a noiva e os que acatam a intrusa. Os do segundo grupo, apesar de minoria, são mais influentes e barulhentos e começam a fazer pressão.
- Que chato! - diz a noiva, sendo carregada por dois homens fortes. A intrusa se coloca no lugar da noiva, improvisa um véu e fala para o padre:
- Pode continuar a cerimônia. Eu aceito me casar com ele.

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- Alô!
- Alô. É da casa do Golpista?
- Não. É do Planalto. E eu não sou Golpista. Sou o Estadista.
- Me falaram que o Golpista trabalhava aí.
- Não, você está redondamente enganado. Aqui não tem Golpista.
- Como não? Fontes seguras garantem que o Golpista está no Planalto.
- O Golpista foi embora. Aqui é o Estadista.
- Estou ouvindo a voz do Golpista...
- Olha, pare de me irritar. Aqui não tem golpista!
- Arrá! Golpista! Golpista! Golpista!
- Vocês está me irritando!
- Golpista! Golpista!
- Escute aqui! Golpista é você que rasga a Constituição! Adeus! - berra furioso, o Golpista.
O Golpista desliga o telefone e depois pega a Constituição e rasga, para em seguida jogá-la na lixeira.