sábado, 30 de janeiro de 2016

Sujeito, suja, sugere


Por Marcelo Pereira

Sugere, suja sujeito
Suja sujeito, sugere
Sujeito sugere
Sujeito suja
Suja, sujeito
Suja, Sugere.

O sujeito sugere que suja
O sujeito suja porque sugere
O sujeito está sujeito porque suja
O sujeito está sujeito porque sugere
O sujeito sugere porque suja
O sujeito suja e também sugere.

O sujeito sugere e ainda suja
O sujeito suja e ainda sugere
Porque sugere?
Porque suja?
Sugere o quê?
Suja o quê?

Sujeito, sujeito
Sujeito sugere
Sujeito suja
Suja, suja sujeito
Sugere, sugere sujeito
Sujeito, sujeito, sujeito
Sugere sugere, sugere
Suja, suja, suja...

Suja, sujeito! Sugere!

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OBS: Composto em 08/05/1997, durante o intervalo de uma aula de Teoria Literária, na sala 01 do Instituto de Letras da UFBA, no Campus de Ondina.

sábado, 23 de janeiro de 2016

Maldito Inverno, em plano Verão

Por Marcelo Pereira

Verão é época de praia, de imagens, de muitas atividades ao ar livre, certo? Errado! Pelo menos onde eu moro ainda não tive a oportunidade para usufruir de forma plena o Verão.

Neste exato momento eu estou com frio, bem agasalhado e olhando o aguaceiro cair diante de minha janela. Tenho alguns compromissos a fazer mais a chuva e o leve alagamento me aprisionaram em casa. Onde estou, torcendo para que a chuva tenha pena de mim e pare.

Claro que não sou apenas eu que reclamo disto. Lembrando que não estou entre as pessoas mais festeiras. Quem gosta de festas deve estar sofrendo mais do que eu. Os festeiros detestam ter que ficar em casa e viver na rua para eles é sinônimo de liberdade. Verão é sinônimo de liberdade. Mesmo que as regras sociais e a necessidade de agradar aos outros lhes limitem esta liberdade.

Mas eu gosto de sol. O sol estranhamente transite uma alegria. Não que dias nublados sejam tristes. Tive muitos dias bem alegres que eram nublados. Mas o sol em si traz uma energia de alegria. É amarelo, traz calor, tudo que corresponde ao estereótipo de alegria. Sol mesmo é sinônimo de vida, pois seus raios fazem a vida existir. 

O sol claro, está aí. mas se escondeu por detrás dessas nuvens todas. Estou eu aqui no maior clima de inverno, com chuva e frio constante. Mas lendo no calendário que o Verão está aí. Tendo que guardar a alegria e a boia inflável até que o Verão se anuncie presente com as características que o marcam.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Feliz Ano Velho


Por Marcelo Pereira

Dois idosos estão sentados em um banco de praça. Um deles, que estava a mais tempo no banco, começa a falar.
- Bom dia. O que faz aqui?
- Cheguei agora. Pretendo admirar este dia lindo de feriado.
- É um lindo dia. Bom para descansar.
- Verdade.
- Estou um pouco cansado, doente, fraco. Enfrentei muitos problemas. A humanidade não me respeitou e fui surrado sem dó. Perdi direitos. Me aborreci. Por isso preciso de um descanso. Um descanso mais do que merecido.
- Desculpe. Posso fazer uma pergunta?
- Sim.
- Quem é você, que está aqui há mais tempo?
- Ora, sou  Ano Velho. E você?
- Sou o Ano Novo.
- Ano Novo? Ué, mas o Ano Novo não viria na imagem de uma criança?
- Isso é mito. É uma invenção das pessoas. Já surjo velho e envelheço ainda mais.
- Estranho.
- As pessoas não tomam atitudes para me rejuvenescer. Todos os anos são iguais aos outros porque as pessoas não querem agir. Querem que autoridades e até dividades resolvam os problemas que deveriam ser da responsabilidade dessas pessoas. A inércia da população, que como mercenários, só trabalham para ganhar dinheiro e não para transformar a sociedade, faz com que os anos sejam cada vez mais parecidos. Faz com que problemas e preconceitos se perpetuem.
- É mesmo. Por isso você já surge envelhecido.
- Verdade. Mas assim mesmo lhe desejo um ano novo bem próspero.
- Ano novo para mim? Mas já estou indo embora!
- Não está não. O povo não quer que o Ano Velho vá embora. Você vai continuar vivendo. E vai viver muito. Vamos ali na esquina que eu lhe pago um chá de erva doce e vamos conversar mais sobre isto.