quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Obrigado, Coxinha!

Por Marcelo Pereira

Ei você, que saiu para as ruas com a camisa da "seleção", batendo panelas exigindo o fim da gestão presidencial anterior! Hoje eu quero lhe agradecer.

Agradecer por ter arrasado com a minha vida. Graças a você, não poderei fazer concurso público. Graças as medidas aprovadas pela nova gestão, concursos serão poucos. 

Terei que me contentar com os empregos oferecidos pela iniciativa privada, exageradamente exigentes e sem garantia de estabilidade, correndo o risco de ser demitido por causa de um reles espirro.

Agradeço a você, meu caro direitista, devolver a este país a sua condição de sub-desenvolvimento, acabando com as suas empresas e vendendo seus maiores bens a ricaços de outros países.

Agradeço a você, estimado conservador, por ligar a TV e só ouvir mentiras, notícias que comparadas com a realidade cotidiana, entram em violenta contradição.

Agradeço a você, querido retrógrado, por deixar as crianças mais burras através da mudanças na Educação. Por sua causa, escolas serão transformadas em fábricas de fascistas a prejudicar todo o resto da humanidade.

Agradeço a você, prezado fascista, por deixar muitos na pobreza, morrendo ou de tiro ou de doenças, numa estranha "higiene" social que pretende deixar vivos apenas aos teus semelhantes, brancos, ricos e portadores de um pedaço de papel chamado "diploma", que pelo jeito não serve para muita coisa.

Agradeço a você, respeitado medieval, por manter a desigualdade social, as injustiças e aumentar a concentração de renda. Hoje, nunca como antes, ricos ficarão mais ricos e pobres ficarão mais pobres. Isto se pobres conseguirem sobreviver.

Agradeço a você, honrado plutocrata, por trazer para a realidade o pior pesadelo. por instalar no Brasil um novo holocausto, só porque você detesta as pessoas de orientação política diferente da sua.

Obrigado coxinha, por piorar o país. Se ele afundar de vez, a responsabilidade é unicamente sua!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Vidraça Quebrada

Por Marcelo Pereira

Um garoto peralta, daqueles que gostam de amarrar rabo de gato e atirar pedras em passarinhos, resolve atirar pedras em uma vidraça cara de uma casa em seu bairro. Pega o seu bodoque e, sem hesitar atira com força e acaba quebrando um raro e caro vitral. 

Imediatamente sai correndo e segundo depois outro garoto, comportado e de boa índole aparece no mesmo lugar e decide tentar arrimar o vitral quebrado, tentando colar as peças que caíram.

O dono da casa, irado com o vitral caríssimo que havia sido quebrado, sai da casa para tentar caçar o culpado e encontra o garoto que estava tentando arrumar sua janela quebrada. 

Sem saber o que realmente aconteceu, pune o garoto que estava tentando arrumar, achando que foi ele que quebrou a janela. Enquanto isso, o verdadeiro culpado se encontrava impune, há muitas léguas longe dali.

O nome do menino que quebrou a janela era Fernando. O que tentou consertá-la, mas respondeu pelo estrago causado pelo outro, se chamava Luís.

Certamente você conhece esta estória, contada de outra forma, com os mesmos personagens e com o mesmo final injusto...

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

A civilização não é nada civilizada

Por Marcelo Pereira

Olho perplexo aquilo que as pessoas consideram como civilização. Sabe o que acho? Me dá vontade muitas vezes de fugir para uma bela floresta e montar uma espécie de acampamento, tribo, sei lá. Ou morar numa caverna. Talvez esteja mais feliz e seguro por lá.

A civilização é birrenta feito criança malcriada. Quer por que quer as coisas e faz de tudo para que as consiga. Exige demais por pensar que tais exigências estabelecem a organização e a justiça. Na prática fazem o oposto. Problemas surgem da tentativa de evitá-los.

Ah, a vida campestre longe dos grandes centros. A ideia da floresta me atrai. Onças ferozes não devem ser mais perigosas que capitalistas gananciosos. Se você arrumar um bom pedaço de carne para uma onça, ela não irá te devorar. O capitalista não. O  capitalista só quer aquilo que ele planeja ter e quando não tem, utiliza das formas menos civilizadas para obtê-lo. A onça é mansinha, com jeito, chega-se a um acordo.

Índios. Sabe porque eles são tão tranquilos? Talvez a distância da chamada civilização lhes mostra a verdadeira civilidade. Suas leis são mais justas. Isolados, se protegem de doenças. Há preocupação com caráter e com respeito ao próximo. Respeito que a sociedade considerada civilizada já começa a desconhecer.

Penso em um lugar assim. Uma tribo? Porque não? Talvez encontre o verdadeiro senso de humanidade dentro de uma oca. Numa rede social já não encontro. Quem pensa que floresta é o lar dos mais selvagens, é porque nunca entrou em uma rede social. Lá as feras são realmente bestas.

Sinto a civilização dos grandes centros cada vez mais bestializada. Reparam em seus costumes? Caramba, as ideias mais bestas, no intuito de agradar aos outros e subir na aquisição fácil de bens, dinheiro e prestígio, são postas em prática sem o menor pudor e senso do ridículo. Se ser ridículo e ganancioso traz prestígio, sejamos ridículos e gananciosos. Como um besta fera deve ser.

Vejo os civilizados cada vez mais bestializados. Leis, criadas antes para que todos possam ser beneficiados de alguma forma, agora servem para o oposto, para eliminar desafetos e privilegiar imbecis. Como ser imbecil á moda na sociedade civilizada, chega a se criminalizar a não-imbecilidade. Quem se recusa a ser imbecil é punido de várias maneiras.

Me volto a floresta. A não civilidade mostra a verdadeira civilidade. Não, as feras não estão lá. As feras vivem nos centos urbanos. Elas são mais perigosas e avessas a negociação. na floresta, comida de reserva e uma fogueira resolvem o problema. Aqui na chamada civilização há coisas que nem com conversa calma e respeitosa se resolve.

Por enquanto cá estou eu na minha "caverna" na selva de pedra. Por enquanto me protejo das feras. Elas vivem arrancando suas lascas por aí e não cessarão de arrancar. Por enquanto estou aqui escrevendo este texto. Mas preciso ficar atento. As criaturas mais selvagens já começam a anunciar a sua presença aqui bem pertinho. É preciso ficar atento e forte...

domingo, 11 de setembro de 2016

Sonhos Quebrados


Por Marcelo Pereira

Alvinho era uma criança como outra qualquer. Um dia ouviu falar dos brinquedos ultramodernos e lindos do International Park, localizado em um cidade longe da sua. Alvinho se apaixonou pelo parque. O parque se tornou a sua obsessão. "Um dia irei para lá", dizia Alvinho, com convicção.

Falava com amigos sobre os brinquedos do parque. Colecionava fotos e informações sobre o parque. Fez um vídeo com fotos do parque. Até poesia e música foram feitas por Alvinho para celebrar o parque. 

Seu plano de ir ao parque continuava distante, mas Alvinho não parava de alimentar a sua obsessão. O parque era o seu lugar. ira ao parque se tornou a sua principal meta na vida.

Alvinho fez uma poupança para ir ao parque. O International Park dos seus sonhos teria que ser visitado. A aquisição de dinheiro foi lenta, mas bem sucedida.

Eis que um dia, finalmente, não só consegue o valor pretendido, como também a oportunidade para ir ao parque, se mudando para morar definitivamente na cidade. Enfim, vai finalmente conhecer o International Park e se divertir nos seus brinquedos mais modernos e possantes!

Durante a viagem de deslocamento para a cidade onde ficava o parque, Alvinho era só empolgação. Com os pais e o irmão, não arava de falar nos brinquedos e em tudo de bom que havia no parque que se tornou sua obsessão.

Após chegar à cidade e dormir na nova casa, finalmente, com o endereço correto em mãos, pega o ônibus para se deslocar ao lugar onde ficava o parque. Alvinho estava eufórico. A euforia não durou muito tempo.

Ao chegar, encontra um terreno abandonado, com muito mato crescendo e um monte de aço enferrujado e retorcido que sugere que havia brinquedos no lugar. O pai de Alvinho vê um homem simples varrendo nas proximidades e pergunta a ele.

- Bom dia, senhor. É aqui que havia o International Park?

- Sim. Mas o parque faliu há quase 10 anos. Apesar de estar sempre movimentado, o dono se atrapalhou com dívidas e má administração e teve que desistir do negócio. Como pagamento das dívidas vendeu o terreno e os brinquedos para o governo, que o abandonou. Virou isso que está aí.

- Mas ninguém avisou sobre isso?

- Não houve dinheiro sequer para divulgar alguma coisa sobre o fechamento do parque. Lamento.

Alvinho ficou desolado. Para piorar, a família, que decidiu se mudar para a cidade ficou sem condições de voltar para a sua antiga cidade. Com o fim do parque, a cidade entrou em franca decadência, pois a diversão oferecida pelo mesmo ajudava a movimentar a renda da cidade, que ficou bem pior que a cidade onde Alvinho morava, esta em crescimento acelerado.

domingo, 4 de setembro de 2016

O Golpista


Por Marcelo Pereira

O telefone toca:
- Alô!
- Bom dia, o Golpista está?
- Aqui não tem nenhum Golpista! Você ligou por engano. - diz o Golpista.
- Estou ouvindo a voz do Golpista...
- Mas você ligou errado. Aqui é a casa do Estadista!
- Tudo bem. Golpista!
- Hmmmmm!

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Jantar no restaurante caro.
- Garçom, me dá a conta.
- Aqui está. Vai pagar como?
- No cartão.
- Tá, me dê o cartão.
- Pois não.
- Mas está no nome de outra pessoa.
- Está sim. Mas vou pagar com este cartão.
- Tem certeza que não irá prejudicar o dono do cartão?
- Deixa de conversa mole e aceite!
- Isto é golpe!
- Não enche e aceite. Dane-se o dono! Estou te pagando, ora!

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Intervalo de um jogo de futebol. XV de Pororoca e Liriense. Liriense está ganhando com diferença de 5 pontos, com grandes chances de aumentar a diferença. Estamos no vestuário do Liriense. O Técnico é abordado por um estranho homem de terno. O Técnico fica apreensivo.
- Boa tarde, senhor. - cumprimenta o estranho homem.
- Boa tarde. O que o senhor quer aqui? Estamos nos preparando para o segundo tempo!
- Podem parar aí. Vocês não precisam mai se preparar.
- Como assim?
O estranho homem chama mais outros 11 homens. São tão jovens quanto os jogadores do Liriense.
- Dispense seus homens. Estes homens jogarão no lugar.
- Mas porquê? São os jogadores do time! Estamos ganhando!
- Faça o que eu digo. Ordens do patrocinador.
- Mas que maluquice é essa?
- Se não fizer o que eu estou dizendo, o patrocinador promete uma decisão drástica.
- Decisão drástica?
- Sim. Mas para evitar isso é simples: vista meus homens com a camiseta do Liriense e ponha-os para jogar. Está tudo certo.
- Mas esses caras sabem jogar?
- Não. Mas a gente se vira. O bom é satisfazer o patrocinador.
Os novos homens entram em campo no lugar dos jogadores oficiais. O Liriense perde feio de 5 a 30  e é eliminado do campeonato. Isso não lembra algo parecido?

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Um casamento. Está na hora daquele momento crucial:
- Se alguém aqui estiver contra este casamento, que fale agora ou se ca... - fala o padre.
- Essa mulher aí é uma safada! Essa piranha deverá sair. Ela é uma filha da puta! - Uma mulher entra na igreja de modo acelerado e berrando.
- Mas o que é isso? - diz a noiva.
- Nunca vi esta pessoa em minha vida! - diz o noivo.
- Não interessa se você viu, se não viu. O que interessa é que esta mulher com quem está se casando é uma piranha! - fala a intrusa.
- Mas eu sou tão pacata. Quase não saio de casa. Amo meu noivo e não penso em outro homem. 
- Mas saia daqui, sua puta. Se retire deste recinto que você não tem honra para casar com este homem!
A plateia se divide entre os que defendem a noiva e os que acatam a intrusa. Os do segundo grupo, apesar de minoria, são mais influentes e barulhentos e começam a fazer pressão.
- Que chato! - diz a noiva, sendo carregada por dois homens fortes. A intrusa se coloca no lugar da noiva, improvisa um véu e fala para o padre:
- Pode continuar a cerimônia. Eu aceito me casar com ele.

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- Alô!
- Alô. É da casa do Golpista?
- Não. É do Planalto. E eu não sou Golpista. Sou o Estadista.
- Me falaram que o Golpista trabalhava aí.
- Não, você está redondamente enganado. Aqui não tem Golpista.
- Como não? Fontes seguras garantem que o Golpista está no Planalto.
- O Golpista foi embora. Aqui é o Estadista.
- Estou ouvindo a voz do Golpista...
- Olha, pare de me irritar. Aqui não tem golpista!
- Arrá! Golpista! Golpista! Golpista!
- Vocês está me irritando!
- Golpista! Golpista!
- Escute aqui! Golpista é você que rasga a Constituição! Adeus! - berra furioso, o Golpista.
O Golpista desliga o telefone e depois pega a Constituição e rasga, para em seguida jogá-la na lixeira.

domingo, 28 de agosto de 2016

Superman


Por Marcelo Pereira

Religiosos reunidos em momentos de devoção:
- Irmãos. Estamos aqui em nossa fraternidade para pedirmos louvores àquele que tanto está do nosso lado, cuidando de nossas vidas com amor e dedicação. Amigos, louvemos o nosso grandioso pai e salvador Superman. Ave, Superman!
- Ave!

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A cidade de São Clark Kent da Metrópolis, no estado de Krypton está realizando neste instante uma linda romaria. Um lindo tapete de farinha e arroz foi estendido na rua principal por onde passará o sacerdote carregando a imagem de Superman. Ao passar a imagem, fiéis se emocionam. Muitos choram. Uns desmaiam. Mas todos se comovem diante da imagem do salvador.

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- Minha vida está tão ruim. Tem alguma solução para mim?
- Ore para o nosso salvador, o Superman.
- Superman?
- Sim, ore com devoção que ele sempre ajuda. E rápido, pois ele vem voando. Eu garanto.

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Centro Espírita. As pessoas reunidas estão concentradas. Uma delas é o médium. Começa a tremer. Após a tremura, o médium começa a falar com voz de trovão.
- Irmãos, eu estou aqui. Aquele que voz orienta e apoia. Superman!
- Ó Superman! Que bom que o Senhor está conosco!
- Sim, irmãos. Eu sempre estou convosco. Mas agora resolvi falar.
- Senhor,, que honra termos em nossa humilde casa. O que vos traz aqui?
- Saiu a edição recente da minha revista. Vão lá e comprem antes que acabe!

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Já no templo evangélico...
- Em nome de Superman, eu lhes imploro: Lex Luthor, sai do corpo desse amado fiel!
- Grrrr! Rooooaaaarr! Num saiu não!
- Sai em nome de Superman, filho das trevas. Luthor, sai do corpo desse homem infeliz!
- Grrr! Mmmmmm... Uuuuaaaaauuuuuzzz! Não vou. Ele é meu!
- Sai desse corpo, ó Luthor infeliz! Se não sair vou lustrar a sua carequinha.
- Aaaaaaaaaaaaaaaa!!!!...
Com isso, Luthor deixa o corpo, o fiel se recupera e o exorcismo foi concluído.

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Moisés desce a montanha. Traz uma pedra cheia de letrinhas escritas.
- Mas o que é isso?
- Mestre, você demorou demais ficamos entediados e decidimos dar uma festinha. - diz um dos até então discípulos de Moisés.
- Mas que absurdo é esse? E esse morcego feito de ouro? Porque cultuastes?
- Esse é o Batman. Esse seu Superman parece meio enrolão. O senhor demorou demais e decidimos por escolher outro mestre para nos orientar.
- Mas não estais cientes de que somente Superman é  seu Senhor, Onipotente e Onisciente?! 
- Sei. Mas ele demorou muito. Agora, Batman é o nosso senhor. Ele veio das trevas para nos trazer a luz. Veio das trevas para nos tirar dela!
- Valei, me Superman...

As religiões têm cada uma...

domingo, 21 de agosto de 2016

Passo o ponto



Por Marcelo Pereira

Dois homens conversam. Os dois usam terno. Um deles representa os EUA e outro, o governo Temer. Este começa a falar:
- Bom dia, amigo. Você certamente veio ver o que temos para vender.
- Sim, amigo estou muito interessado em comprar o que você tem a oferecer. Pode me falar mais sobre a mercadoria?
- Sim. São cerca de 8 bilhões de quilômetros. Território vasto e diversificado. No Norte faz calor e no Sul frio.
- Humm... interessante!
- A orla é gigantesca. As praias são muitas e estão entre as mais lindas do mundo!
- Ótimo para as férias!
- Ô se é! Temos também muitos rios e lagoas. Várias navegáveis.
- Rodovias?
- Sim, muitas. Como sempre priorizamos o transporte sobre asfalto, temos muitas rodovias, sim!
- Legal!
- Nossas empresas são muito lucrativas. Não quer algumas também?
- Ponha no carrinho!
- Certo. Temos o petróleo.
- Ah, o principal produto do pacote! Este eu faço questão!
- Como principal parte da negociação, o petróleo já está garantido. Petrobrás incluída. Pode ficar tranquilo.
- Natureza, empresas, infra-estrutura... E o povo, está no pacote?
- Sim! O povo é obediente, masoquista e fornece mão de obra muito barata, Tem no futebol a sua única meta na vida. Detesta raciocinar. O brasileiro é um povo que não causa problemas a autoridades.
- Excelente. Vou levar! Faça a nota que eu pagarei com o maior prazer.
- Parabéns, senhor. Você faz a melhor compra! O Brasil é todo seu. Aqui está o seu comprovante de compra. Amanhã você poderá usufruí-lo.
- Com certeza!

domingo, 14 de agosto de 2016

Assando coxinhas



Por Marcelo Pereira

Instalado o governo que os coxinhas queriam, somente agora apareceram as verdadeiras intenções por trás do golpe. Os coxinhas não haviam percebido que estavam apoiando a sua própria armadilha.

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Um poderoso empresário conversa com seu filho boa-vida. A conversa não parece boa.
- Filho, gostaria de falar com você.
- O que é pai? Vai me dar mais uma mesada? Estou precisando de grana para sair com as minas.
- Não filho, quero te dizer que você vai ter que trabalhar.
- Ah, entendi. Você quer dizer que eu vou ser o diretor chefe de uma de suas empresas e vou apenas distribuir ordens, dentro de uma sala refrigerada em uma poltrona confortável, para que aqueles lacaios possam fazer o que eu quero. É isto?
- Não. Você será um dos lacaios.
- Mas como pai? Se isso for trabalho, isso é coisa de ralé, daqueles petistas vagabundos! Eu náo, pai! Fui feito para administrar, para mandar!
- Há crise e não está fácil para ninguém. Nós mesmos teremos que reduzir o padrão de vida.
- Reduzir padrão? Enlouqueceu?
- Se conversa. Amanhã você vai ser operário no departamento de qualidade. Pode se preparar que o trabalho será duro e o salário baixo. 12 horas semanais por 200 mil reis. É pegar ou largar.
- Mas pai...

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Um coxinha conhecido por ofender esquerdistas acorda em uma bela manhã. Ao olhar no espelho se depara com o ogro mais feio do mundo. Para piorar, o reflexo conversa com ele.
- Bom dia, canalha.
- Quem é você? Não era para o meu reflexo estar em seu lugar? O que faz aqui?
- Eu sou o seu reflexo. O que está em sua consciência.
- O quê? Consciência? Ora, deixa de besteira. Sou lindo e sou homem de bem. Como um ogro pavoroso pode ser eu?
- Eu sou sua verdadeira cara, sem máscara, sem fantasia.
- Ah, você é petista... Desgraçado!
- Não sou não. Odeio petistas. Odeio gente de esquerda que quer repartir grana. Pobre bom é pobre morto. Eu sou o seu mais profundo interior.
- Eu sou assim? Não entendo. Vivo tão bem. As pessoas me adoram. Tenho muitos amigos, namorada e um patrão que me respeita.
- Amam e respeitam o que você tem no exterior. Se te conhecessem por dentro...
- Por dentro eu sou como você?
- Por dentro você sou eu!
- Ora, porque eu tenho essa aparência asquerosa?
- Porque você é asqueroso. Lembre-se que eu sou você sem a máscara. Você é horrendo, pavoroso, rancoroso. Chamá-lo de monstro é elogio. Até os traficantes que vendem as drogas que você consome teriam medo de você se lhe conhecessem por dentro.
- Ora, não exagere...
- Não estou não. Você é pavoroso. Assustador. Não percebe que você começa a ter medo de mim? É a sua essência falando...
Depois de se afastar do espelho, o coxinha assume a aparência do ogro, sai da casa, vai matando qualquer um que se diz de esquerda e é preso por homicídio. Na prisão, se mata por perceber que a realidade não é garantida para quem tem ódio de ideias progressistas.
Os tempos mudaram, coxinha. Por isso, os conservadores se desesperam...

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Dois executivos no elevador.
- Bom dia.
- Bom dia.
- Finalmente Dilma saiu. Temer virou definitivo.
- É, mas não estou feliz.
- Como assim? Você não era dos que mais queriam que o PT se ferrasse?
- É, mas estou arrependido. Acho que quero a Dilma de volta.
- Mas agora não tem mais volta. Porque pensa assim?
- Não reparou que a nossa rotina de trabalho muda nesta semana?
- Não. Peraí. Estamos chegando ao trabalho mais cedo. Não era uma reunião extraordinária?
- Não. É nosso novo horário de trabalho. Agora vai ser assim todos os dias.
- Não vai me dizer que todos os dias chegaremos neste horário?...
- Sim, esta é a nova carga horária. 12 horas diárias. reuniões extras só aos sábados.
- Vamos ter que sacrificar os sábados?
- Sim, vamos.
- Mas pelo menos vamos continuar ganhando muito bem. Compensa.
- Nananina. Vamos ter que diminuir nosso padrão de vida. A empresa avisou que até mesmo o corpo de executivos vai ter redução de salário. 60% a menos. Encargos cancelados. 13º parcelado.
- Não pode ser. Reduzir o padrão de vida? Isso é um pesadelo!
- Mas se prepare, esta á a realidade.
- Com Dilma, éramos felizes e não sabíamos. E lembrar que eu sempre achei que as medidas de Temer só iriam pegar os comunistas pé-rapados...

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O filho do empresário que virou operário no departamento de qualidade finalmente volta para casa, São quase meia noite. Chegou a esta hora por causa da carga horária e do imenso engarrafamento. O pai ainda acordado, esperou o filho para saber como foi.
- E ai, como foi o trabalho?
- Foi horrível, pai. Tive que fazer coisas que não gostaria de fazer. Além disso tive que conviver com um bando de ralés ignorantes!
- É duro, mas vai ser a realidade daqui em diante.
- Vai ser assim, sempre?
- O Temer disse que todos temos que sacrificar. Para o bem do país.
- Mas quando eu dizia para aqueles idiotas das comunidades petralhas eu nunca imaginaria que aconteceria comigo.
- Tem que aprender a não desejar aos outros o que pode acontecer de ruim. Um dia pode acontecer conosco.
- Pai, você não vai me salvar desta cilada? Estou sem tempo de falar com meus amigos, andar com meu carrão.
- Seu carrão já foi vendido e aos poucos seus bens também serão.
- Como é que é, pai?
- Sim. Isso mesmo. Você não disse para os petralhas que trabalhar é muito bom e que a vagabundagem não compensa. Pois é.
- Peraí, estava me referindo aos outros. Rico não trabalha. Rico manda nos outros e depois vai se divertir.
- Filho você não sabe que eu ralei para chegar até aqui. Como você sempre teve boa vida, não sabe o que é isso.
- Pai, você já foi petralha?!
- Petralha não. Mas já fui trabalhador. Subi aos poucos por competência. Demorei muito, mas subi. Outros tempos.
- Mas pai...
- Hoje as pessoas só sobem roubando ou herdando. Pouca vergonha. Todos deveriam trabalhar para saber o que é esforço.
- Eu também tenho que trabalhar?
- Para ensinar o valor da vida. Para ensinar que não é bom perder tempo desejando aos outros o que não se quer. Para que você abandone este vício de usar o celular para ofender os outros.
- Mas pai...
- Agora vai dormir porque amanhã o trabalho vai ser ainda mais duro. Hoje foi o seu primeiro dia. Depois as coisas não serão tão fáceis assim!

domingo, 7 de agosto de 2016

Carta a um coxinha

Por Marcelo Pereira

Caro Coxinha

Me entristece saber que ainda existam pessoas como você, que ainda vivem em tempos passados bastante remotos. Incrível ver pessoas incomodadas com os avanços sociais que pretendem ampliar o bem estar essencial a um maior número de pessoas. 

Sinto que você está alegre. Já esteve triste, mas hoje está alegre. Alegre, mas não tranquilo. A nossa elite gananciosa e egoísta não consegue viver com tranquilidade. Até porque tranquilidade é um bem inalcançável para quem vive desejando que os outros se ferrem. Se nós aqui embaixo não temos dinheiro e poder, vocês aí de cima não têm tranquilidade e amor.

Você se acha o maioral. Tem diplomas, dinheiro, prestígio e poder. Só por isso você se acha com a razão e sempre quer ficar com a ultima palavra. Mas você, que inventou essa mentira chamada "Meritocracia" se esqueceu de nos mostrar como você adquiriu diplomas, dinheiro, prestígio e poder. Nós aqui em baixo sabemos que existem muitas formas de obter estas coisas. E várias delas não sã nada legítimas.

Caro coxinha, você insiste em dizer que nós aqui embaixo devemos sofrer bastante para sermos "elite" como você, pois essa e a única condição de termos os nosso direitos essenciais e a dignidade. Você, que manda nas leis, estipulou que direitos e dignidade são exclusividade da elite e só a elite pode usufruí-la com decência.

Mas ao mesmo tempo, você se lembrou de criar regras desumanas de mobilização social. Para sermos elites temos que cumprir regras cruéis e exigência supérfluas, só porque você e seus assemelhados não estão dispostos a respeitar a nossa não-adquirida dignidade.

Você, como um bom retrógrado, se lembrou do Darwinismo que você não quer para a sua religião - sim você é religioso, o que prova que religiões não desenvolvem a moral e a bondade - e inventou essa tolice  de "Darwinismo Social", conhecida aqui embaixo como a "lei do mais forte". Como trogloditas de colarinho, vocês passam por cima de nós e acham que só sobreviveríamos se aceitarmos e aguentarmos a agressividade imposta a nós. Coisa de animal. Dos menos racionais.

Coxinha, você nem está preocupado como o que um governo golpista poderá fazer como você. Estabilizado na sua fartura, você se considera imune a toda medida dura governamental. Mas cuidado: O golpista também governa para você e os tentáculos das leis retrógradas do governo golpista poderão te alcançar. E lamento de avisar: as chances são grandes.

Mas por enquanto você ri de mim. Está feliz em não repartir o seu supérfluo para que o pessoal daqui de baixo possa ter o necessário. Nossa desgraça é a sua prosperidade. 

Mas cuidado. Do jeito que o governo golpista age sem pensar, as consequências de suas decisões poderão ser bem piores do que aparentam, atingindo não somente quem foi contra mas também os que apoiaram o golpe. Para estes, o dano poderá ser ainda maior...

domingo, 31 de julho de 2016

Esperança


Por Marcelo Pereira

Espere que você chegue a este mundo sem problemas.

Espere que o médico não lhe dê um tapa após você nascer. E que seus pais não façam o mesmo quando você errar.

Espere que você tenha tempo livre para correr e brincar.

Espere que os adultos não estraguem a sua tenra e inadiável infância.

Espere que a aquela aula na escola não seja tão maçante e inútil.

Espere que a adolescência seja a melhor fase da sua vida.

Espere que aquele colega grandalhão não implique com você e lhe faça vítima de bullying.

Espere que a garota mais linda da escola esteja apaixonada por você, incondicionalmente.

Espere que seu primeiro emprego lhe pague bem e lhe trate com dignidade.

Espere que seu primeiro casamento seja por amor e o convívio seja tranquilo e duradouro.

Espere que seu filho nasça sem problemas e não crie algum após nascer.

Espere que o seu salário aumente com a inflação e preserve seu poder de compra.

Espere que o seu patrão lhe trate como um ser humano e não como uma máquina automática.

Espere que a mídia televisiva não minta e não tente manipular a sua opinião.

Espere que os engarrafamentos não lhe tomem um preciso tempo na vida.

Espere que você permaneça em seu emprego até se aposentar.

Espere que você chegue a velhice com o menor número de doenças.

Espere que você morra muito mais tarde do que parece.

Mas continue esperando.

E para isso que existe a Esperança: para você continuar esperando...

domingo, 24 de julho de 2016

Golpe Branco


Por Marcelo Pereira

Acharam que golpe só seria possível com tanques e exércitos;
Fizeram um golpe sem tanques e exércitos.

Achavam que precisariam de armas pesadas para destituir um governo;
Destituíram um governo sem qualquer tipo de arma pesada.

Acharam que impeachment só sera possível se tivesse um motivo;
Aprovaram um impeachment sem ter um motivo.

Acharam que um governo de direita só existiria sem corrupção;
Instalou-se um governo de direita cheio de corruptos.

Acharam que medidas duras só seriam tomadas se fosse para salvar o país;
Tomaram medidas duras para poder afundar o país.

Acharam que só haveria tortura se houvesse dor física e sangue escorrendo;
Fizeram tortura sem haver dor física e sangue escorrendo.

Acharam que a mídia oficial do lado da direita, só falaria a verdade;
A mídia oficial só vive falando mentiras.

Acharam que cristãos no poder garantiriam a bondade e o respeito humano;
Vários cristãos no poder que demonstram maldade e desrespeito humano.

Acharam que escolas livres e democráticas praticavam doutrinação partidária;
A "Escola sem Partido" se prepara para por em prática a sua doutrinação partidária.

Acharam que o Ministro da Economia iria melhorar a distribuição de renda;
O Ministro da Economia lança medida que reforça a concentração de renda.

Acharam que o petróleo, nossas empresas e o nosso patrimônio nunca sairiam de nossas mãos;
O governo já começa a vender petróleo, empresas e patrimônios aos gringos.

Acharam que capitalistas no poder tornariam o Brasil mais justo;
Capitalistas no poder aumentam ainda mais as injustiças no Brasil.

Acharam que a esquerda no poder iria roubar e matar;
A direita no poder se esforça para que ninguém a impeça de roubar e, se necessário, matar.

Achavam que o povo mais necessitado seria protegido;
O povo mais necessitado que se vire se quiser sobreviver.

Achavam que o Poder Judiciário e o Ministério Público protegeriam a Constituição;
Vemos o Poder Judiciário e o Ministério Público rasgarem literalmente a Constituição.

Achavam que os direitos mais essenciais seriam mantidos;
Direitos essenciais estão prestes a serem cancelados.

Acharam que a Democracia nunca existiria sem o povo;
Fizeram, acredite, uma "Democracia" sem o povo.

domingo, 17 de julho de 2016

O Dilema


Por Marcelo Pereira

Um juiz relativamente jovem se encontra na cama ao lado da esposa. Está envolvido em um importante caso político e é muito influente e amado por muitos. Mas ele não estrá tranquilo. O juiz parece preocupado.

JUIZ - Eu não consigo dormir

ESPOSA - Porque não?

JUIZ - Há muita cobrança para meu trabalho.

ESPOSA - Ué, mas você não está fazendo seu trabalho direitinho?

JUIZ - Sim. Mas há uma turma que quer que eu faça mais.

ESPOSA - E porque você não faz?

JUIZ - Posso envolver muita gente que não deveria.

ESPOSA - Como assim?

JUIZ - Gente querida... de confiança...

ESPOSA - Como quem afinal?

JUIZ - Aquele senador simpático, alegre. Quase chegou lá. Hoje a situação está tranquila para ele. Mas poderia estar melhor. A lei não permite que ele esteja onde deveria.

ESPOSA  - O senador? Aquele?

JUIZ - Neto de estadista. Bom homem. Amigo de fé. Um apresentador de TV muito querido é o seu melhor amigo.

ESPOSA - Mas se a situação está tranquila, porque você está preocupado?

JUIZ - Um dedo duro infeliz falou que ele seria comido. O primeiro.

ESPOSA - Comido?

JUIZ - Acontece que se ele for comido, jamais comeremos na casa dele.

ESPOSA - É, as festas dele são memoráveis.

JUIZ - O senador é um grande amigo. Parceirão. Se ele for para a gaiola não teremos final de semana.

ESPOSA - Mas Tio Sam não garantiu que ele seria protegido?

JUIZ - Sim, garantiu. Até me aconselhou dar uma desculpa esfarrapada. Eu achei a desculpa boa, disse que não era da minha responsabilidade pegá-lo. Mas muita gente não acreditou.

ESPOSA - Você esperava que acreditassem? Esqueça esta gente! Proteja o senador!

JUIZ - Querem que eu pegue o sociólogo. Ele parece preocupado. Sabe que está entre os que serão comidos. Até colocou marca-passo.

ESPOSA - Coitado...

JUIZ - Luto também para defendê-lo. Bom velhinho. Um patrimônio.

ESPOSA - Será que querem também o careca das relações?

JUIZ - Tio Sam ainda está do lado dele. Mas está complicado convencer a Europa. O careca está sem credibilidade.

ESPOSA - Tá difícil. O careca nunca foi muito carismático. Por isso só vivia perdendo eleição.

JUIZ - Mesmo assim, faço o possível para não pegarem o careca. Se pegarem, estou frito.

ESPOSA - Você faz a sua parte, agora esquece todos e vai dormir!

JUIZ - Minha turma... meus amigos... bom partido... atrás das grades, nunca!

ESPOSA - Esquece e vai dormir!

JUIZ - Ai, ai...

sábado, 2 de julho de 2016

O homem que não é nerd e o falso-nerd


Por Marcelo Pereira

Qual é a diferença entre um homem comum (que não é nerd) e o falso-nerd (tipinho bem comum por aí e que também não é nerd)?

O homem comum só gosta de duas coisas: futebol e cerveja.

O falso-nerd só gosta de três coisas: futebol, cerveja e computador. O falso-nerd usa a terceira coisa apenas para cultuar as duas primeiras.

Machismo realmente é uma bosta.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Pausa para mudanças

Vamos fazer algumas mudanças nos blogues principais e por isso teremos que parar por um tempo. Mas em maio voltaremos com grandes novidades. Aguardem e desculpe a espera.

sábado, 30 de janeiro de 2016

Sujeito, suja, sugere


Por Marcelo Pereira

Sugere, suja sujeito
Suja sujeito, sugere
Sujeito sugere
Sujeito suja
Suja, sujeito
Suja, Sugere.

O sujeito sugere que suja
O sujeito suja porque sugere
O sujeito está sujeito porque suja
O sujeito está sujeito porque sugere
O sujeito sugere porque suja
O sujeito suja e também sugere.

O sujeito sugere e ainda suja
O sujeito suja e ainda sugere
Porque sugere?
Porque suja?
Sugere o quê?
Suja o quê?

Sujeito, sujeito
Sujeito sugere
Sujeito suja
Suja, suja sujeito
Sugere, sugere sujeito
Sujeito, sujeito, sujeito
Sugere sugere, sugere
Suja, suja, suja...

Suja, sujeito! Sugere!

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OBS: Composto em 08/05/1997, durante o intervalo de uma aula de Teoria Literária, na sala 01 do Instituto de Letras da UFBA, no Campus de Ondina.

sábado, 23 de janeiro de 2016

Maldito Inverno, em plano Verão

Por Marcelo Pereira

Verão é época de praia, de imagens, de muitas atividades ao ar livre, certo? Errado! Pelo menos onde eu moro ainda não tive a oportunidade para usufruir de forma plena o Verão.

Neste exato momento eu estou com frio, bem agasalhado e olhando o aguaceiro cair diante de minha janela. Tenho alguns compromissos a fazer mais a chuva e o leve alagamento me aprisionaram em casa. Onde estou, torcendo para que a chuva tenha pena de mim e pare.

Claro que não sou apenas eu que reclamo disto. Lembrando que não estou entre as pessoas mais festeiras. Quem gosta de festas deve estar sofrendo mais do que eu. Os festeiros detestam ter que ficar em casa e viver na rua para eles é sinônimo de liberdade. Verão é sinônimo de liberdade. Mesmo que as regras sociais e a necessidade de agradar aos outros lhes limitem esta liberdade.

Mas eu gosto de sol. O sol estranhamente transite uma alegria. Não que dias nublados sejam tristes. Tive muitos dias bem alegres que eram nublados. Mas o sol em si traz uma energia de alegria. É amarelo, traz calor, tudo que corresponde ao estereótipo de alegria. Sol mesmo é sinônimo de vida, pois seus raios fazem a vida existir. 

O sol claro, está aí. mas se escondeu por detrás dessas nuvens todas. Estou eu aqui no maior clima de inverno, com chuva e frio constante. Mas lendo no calendário que o Verão está aí. Tendo que guardar a alegria e a boia inflável até que o Verão se anuncie presente com as características que o marcam.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Feliz Ano Velho


Por Marcelo Pereira

Dois idosos estão sentados em um banco de praça. Um deles, que estava a mais tempo no banco, começa a falar.
- Bom dia. O que faz aqui?
- Cheguei agora. Pretendo admirar este dia lindo de feriado.
- É um lindo dia. Bom para descansar.
- Verdade.
- Estou um pouco cansado, doente, fraco. Enfrentei muitos problemas. A humanidade não me respeitou e fui surrado sem dó. Perdi direitos. Me aborreci. Por isso preciso de um descanso. Um descanso mais do que merecido.
- Desculpe. Posso fazer uma pergunta?
- Sim.
- Quem é você, que está aqui há mais tempo?
- Ora, sou  Ano Velho. E você?
- Sou o Ano Novo.
- Ano Novo? Ué, mas o Ano Novo não viria na imagem de uma criança?
- Isso é mito. É uma invenção das pessoas. Já surjo velho e envelheço ainda mais.
- Estranho.
- As pessoas não tomam atitudes para me rejuvenescer. Todos os anos são iguais aos outros porque as pessoas não querem agir. Querem que autoridades e até dividades resolvam os problemas que deveriam ser da responsabilidade dessas pessoas. A inércia da população, que como mercenários, só trabalham para ganhar dinheiro e não para transformar a sociedade, faz com que os anos sejam cada vez mais parecidos. Faz com que problemas e preconceitos se perpetuem.
- É mesmo. Por isso você já surge envelhecido.
- Verdade. Mas assim mesmo lhe desejo um ano novo bem próspero.
- Ano novo para mim? Mas já estou indo embora!
- Não está não. O povo não quer que o Ano Velho vá embora. Você vai continuar vivendo. E vai viver muito. Vamos ali na esquina que eu lhe pago um chá de erva doce e vamos conversar mais sobre isto.