sábado, 26 de dezembro de 2015

Natal, Natais



Por Marcelo Pereira

O Natal é aquela alegria toda. Todo mundo reunido, comidas diferentes que não costumam ser consumidas no ano, aquelas musiquinhas chatas com letras escritas no século retrasado sobre as ilusões de 2000 anos atrás... Enfim uma beleza.

Vamos ver como foram alguns festejos de Natal recentes para sentirmos bem a magia desta data.

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Pai e filho vão a um shopping, poucos minutos após ter estado em outro shopping:
- Pai, responde uma pergunta?
- Sim, filho.
- Acabamos de sair de um shopping e o Papai Noel estava lá. Rapidamente estamos em outro e olha o Papai Noel ali. Como ele consegue isso?
- Papai Noel tem o poder de estar em vários lugares ao mesmo tempo.
- Ah, explicado, pai.

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Batem na porta de uma casa onde moram um grupo de jovens abastados. Um deles abre a porta e depara com um velhinho de barba branca vestido de vermelho.
- Você? Seu comunista safado! Petralha! É o Lula!!! Pau nele!
Ele e outros jovens começam a espancar o velhinho que desesperado, se explica:
- Nada disso! Eu não gosto de política! Sou o Papai Noel! Fui criado pela Coca-Cola. Sou capitalista! O símbolo maior da gastança natalina!
- Papai Noel? Puxa, foi mal. Tem presente para a gente aí?
- Tem sim. Ai minha cabeça! É o que eu vim fazer aqui. Dar presentes.
- Tem o Minecraft que eu pedi?
- Está aí, pode pegar.

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Um casal preferiu passar o Natal na cama.
- Amor, hoje é Natal e vim vestido de Papai Noel para apimentar nossa relação.
- Não dá amor. Estou muito cansada. Eu quero dormir. Vê se dorme também!
- Droga! Eu deveria mesmo é me vestir de Príncipe Encantado que beija a Bela Adormecida para ver se ela sai do sono!

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Um homem vestido de Papai Noel é parado por um policial rodoviário após acelerar acima do permitido.
- Você acelerou muito.
- Puxa, seu guarda. Também sou gente. Estava com pressa de ir para a casa curtir o natal com meus parentes e amigos.
- Vou ter que cobrar uma multa.
- Xiii, Estou sem grana. Quer um presentinho de Natal? Afinal eu sou o Papai Noel...

sábado, 19 de dezembro de 2015

A Carruagem de Fogo

Por Marcelo Pereira

O fato realmente aconteceu, mas vou evitar detalhes para preservar os envolvidos. Ontem eu tive que pegar um ônibus para uma cidade vizinha para fazer compras para o Natal. É que na cidade tinha presentes bons e baratos que não tinham na cidade onde moro.

Tá. Entrei no ônibus e vários pontos depois entra um sujeito com uma camiseta de uma instituição filantrópica. Era um ex-drogado e estava a pedir ajuda. Justo. Mas como a instituição que o cuidou era ligada a uma seita religiosa e sabemos que nestas instituições o tratamento é acompanhado por um processo de conversa religiosa (aumentar o rebanho é preciso...), o cara começou a pregar feito um pastor. Se esqueceu até da própria instituição. Curiosamente o cara tinha o meu nome.

O cara era visivelmente um fanático religioso. Dizia que não agia por conta própria e sim "dominado por Jesus". Acreditava que era Jesus falando por ele. Contou que momentos antes quase foi assaltado, mas os assaltantes ao virem, misteriosamente desistiram de atacá-lo, fazendo com que o meu xará acreditasse que foi protegido por Jesus. "Os assaltantes viram que eu era 'Homem de Deus' e me respeitaram", disse o crédulo aspirante a pastor.

O cara teve a audácia de fazer um "pocket culto" dentro do ônibus na ânsia de converter os que estivessem dentro do veículo. falou um mote de coisas sem sentido, tiradas do arco da velha dos tempos de Abraão, Zebedeu & CIA. Falou em uma tal de "carruagem de fogo" que parar mim não passa de metáfora para Ovnis, segundo um programa de Ufologia que costumo assistir.

Carruagem de fogo... Não era também um filme sobre corrida de atletismo cujo tema muito famoso é tocado em eventos dessa modalidade esportiva até hoje? Sei lá. Só sei que pela maneira que o xará fundamentalista cristão falou, a palavra ficou sem qualquer tipo de sentido. Com certeza a tal "carruagem de fogo" não era o ônibus onde estávamos.

Encerrado o culto com uma oração prolixa e rebuscada, parecia que meu sossego iria reaparece. Mas na. Um infeliz que esteva sentado na cadeira ao ado da minha, mas do outro lado do ônibus, reconheceu o neo-pastor como colega de crença e começaram a conversar, com o pastor encostado na cadeira a frente da onde eu estava. Pareciam duas beatas falando. Foi triste.

Deu para perceber que os dois pareciam ter o discernimento um pouco atrofiado. Foi um papo enjoado que nos ouvidos de ateus como eu, só casam náuseas e mais náuseas.

O neo-pastor foi embora pensando que cumpriu sua "missão divina". Na verdade so encheu o saco de passageiros pouco interessados em seu proselitismo religioso.

sábado, 12 de dezembro de 2015

Ateu Eu


Por Marcelo Pereira

DEUS
ZEUS
MEUS
MEU
TEU
SEU
DEU
NÃO EU
CADÊ EU?

CADÊ EU?
EU CADÊ?
EU
MEU
ATEU

ATEU EU
EU ATEU
EU MEU
EU MEUS
EU MAIS
EU SOU
EU SOU FELIZ

FELIZ EU
FELIZ TODOS

SEM DEUS
COM MEUS
EU
ATEU

sábado, 5 de dezembro de 2015

Mais coxinha

Por Marcelo Pereira

Finalmente após anos de governos que se consideram esquerdistas, um presidente de direita vence. No momento de sua posse, um grande grupo de pessoas, maioria jovens, cerca o recém empossado para comemorar a sua vitória. Eles estão bem eufóricos:
- Finalmente, meu presidente, vamos atingir a democracia! - diz um dos jovens, que é lider do movimento em prol do recém eleito.
- Pois é, aqui estou eu graças a vocês e ao povo para realizarmos nosso novo governo!
- Estamos felizes com sua conquista e certamente suas medidas serão bem mais populares. O povo está no caminho certo.
- No caminho certo está, mas quem disse que farei medidas populares?
- Puxa, presidente, o povo te elegeu...
- Povo, que povo? Meu negócio é com a elite! O povo vai ter que se apertar e quiser que eu ponha as contas em dia!
- Puxa, mas você conseguiu prender os corruptos. A ameaça acabou!
- Mas se deixar ela volta. Vocês mesmos vã ter que se apertar!
- Pô não tem um carguinho para a gente aqui. Eu fiz um movimento na internet para humilhar o presidente anterior e te exaltar e você nã vai fazer nada por nós?
- Não. Vocês terão que se virar!
- Mas o seu governo vai abrir as torneiras, não vai?
- Não. Vou privatizar tudo, cortar custos, demitir, diminuir salários, fechar filiais. Apenas a elite será poupada de quaisquer limites.
- Pô presidente, eu não sou da elite, mas defendi sua campanha. Faz um negócio pela gente aí...
- Não, não e não! E se continuar insistindo em pedir favores, o exército está nas minhas mãos, comandado por aquele que vocês elogiaram tanto!
- Por favor...
- Soldados, prendam estes jovens e torturem sem dó! Eles estão muito chatos. Vão atrapalhar o meu governo! Tirem eles daqui!
E com isso os coxinhas foram assados na brasa, falecendo logo em seguida. Não sem antes ir para a barriga do tal oficial militar que eles tanto elogiaram...

sábado, 28 de novembro de 2015

O Senhor da Guerra


Por Marcelo Pereira


(Cena 1): Tragédia em Paris. Terroristas matam muitas pessoas em nome de sua crença particular. Mídia e celebridades pedem para que pessoas solidárias com as vítimas orem por elas. Um telespectador decide orar pelas vítimas.
- Importante! Vou orar agora mesmo! Sei que não vai trazer ninguém de volta a vida, mas vai servir como conforto. Vamos lá. Meu Deus...
- Opa! Alguém falou meu nome?
- Deus, você aqui?
- Em pessoa, quer dizer, em divindade. O que você quer?
- Puxa Deus, estou emocionado. Iniciei uma oração e o senhor logo aparece. Sinal de que vai atender meu pedido!
- Não. Já atendi o dos terroristas. Eles oraram primeiro.
- Como assim, Deus? Logo o senhor, bondade pura?!!!
- Quem disse que eu sou essa bondade toda?
- Ora, Deus, todo mundo! Na minha igreja todos definem o senhor como a bondade perfeita.
- Você não leu a Bíblia toda...
- Li sim, Deus, como nã... Ou será mesmo que eu não li toda? O líder de minha igreja fala todos os dias sobre ela. Acho que ele pelo menos leu tudo e transmite aos seus seguidores...
- Tsc, tsc, não sabe nadinha, inocente...
- O que o senhor está querendo dizer com isso?
- Não sabia que tenho meus momentos de fúria e que sou conhecido como o Senhor dos Exércitos? Guerras foram e são feitas usando o meu sagrado nome?
- Senhos dos Exércitos... É, eu ouvi falar deste termo...
- Vocês mesmos vestem aquela roupa ridícula de camuflagem com os dizeres "Soldado de Deus" grafado com letras militares nela!
- É mesmo!
-Vocês mesmos vivem dizendo que eu sou o único que pode decidir quando as pessoas podem morrer. O que significa que sou o único a ter permissão para matar. E matei muito!
- É mesmo!
- Então porque você estranha o fato de eu ter atendido às orações dos terroristas? Tem horas que quero aprontar das minhas também. Quando estou de saco cheio, vou lá e pá! Mato mesmo!
- Mas e as vítimas? Você não ama a todos? 
- Ingênuo! Ninguém morre! Há vida do outro lado, sabia? Só acabo com os corpos! Você acorda do outro lado com cara de tacho, sem saber onde está e tudo fica tranquilis, tranquilis!
- Agora sou eu que não estou entendendo nada. 
- Tolos, vocês, religiosos nunca me entendem! Me veneram mas nunca me entendem! Os ateus não acreditam em mim, mas pelo jeito são os únicos que entenderam as minhas propostas...

sábado, 26 de setembro de 2015

Pausa para Estudos

Infelizmente, terei que dar uma boa pausa nas postagens inéditas deste e dos blogues associados. É que entrarei em um novo concurso e não terei tempo para postar nada aqui. 

Desculpem o transtorno e agradecemos a paciência. Continuem relendo as postagens antigas e prestigiando este blogue. Esperamos voltar em novembro próximo com novas e inéditas postagens. Até lá!


sábado, 12 de setembro de 2015

O Dia Seguinte

Por Marcelo Pereira

Um dia após a deposição de vários integrantes do partido da situação do governo, a oposição tranquila, retoma o poder. Dois dos integrantes da oposição comemoram em conversa particular.

- Finalmente eliminamos nossos inimigos do poder. Finalmente aquela gentalha vinda das classes populares foi obrigada a reconhecer que só os que vem das elites tem condições de estar no poder. - diz Lucrécio Esteves, ex-candidato do governo e que toma posse do cargo após a deposição de seu adversário, este eleito democraticamente.
- Isso mesmo. Finalmente nos livramos deles. Agora o poder é nosso. Poderemos decidir o que quisermos e o povo trouxa, confiante em nossa elevada formação, irá nos obedecer. - comemora Mané Perry, que ganha cargo de ministro da Casa Civil.
- Agora finalmente ninguém mais pega em nosso dinheiro. Tudo que chegar ao governo ficará em nossas mãos. Dane-se a população, dane-se os outros. Todo o dinheiro agora é nosso! 
- E os meios de comunicação, a imprensa que te apoiou? Vai receber o seu quinhão?
- O dinheiro da Rede Goma, administrada pela família Sardinha, descendente do saudoso Alberto Sardinha (que Deus o tenha), já chegou a mão deles. Mas eles prometem fazer campanha do nosso governo enquanto estivermos no poder.
- Como é maravilhoso sem aquela gentalha no governo! Podemos tomar Moet Chandon e comer um delicioso Foie Gras tranquilamente em nosso refrigerado e limpinho gabinete. Vejam só, proibir Foie Gras? Que desrespeito!
- Pois é, amigo. estamos no poder para usufruirmos das coisas boas. Esse negócio de representantes do povo não está com nada.
- E o povo é otário mesmo. Povo gosta de gente metida. Povo gosta de quem erra. Gente muito correta, honesta, sensata, sabida nunca atraiu a atenção popular. Bom mesmo é ladrão, desde que bem vestido, de gravata,  falando com elegância.
- É, e como falava mal aqueles integrantes do partido deposto!
- Pois é, um bando de analfabetos ridículos. Uns porcos! Nós falamos até francês. Legal falar francês para brasileiro! O povo não entende nada e a gente fica com prestígio de sábio, de intelectual.
- Lindo! Falaremos mais francês. Que tal um pronunciamento em francês?
- Calma, não vamos exagerar. Povo gosta de falsos cultos, mas se forçar a barra, não convence!
- Mas como é legal roubar! Como é legal ganhar mais do que os outros! Poder ser corrupto à vontade, sem concorrentes!
- E dizer que entramos nessa fingindo querer combater a corrupção! E o povo acreditou! Kkkkkk!

sábado, 29 de agosto de 2015

A verdadeira liberdade finalmente conquistada (2)

Por Marcelo Pereira

A melhor coisa que eu fiz foi pular fora desse Titanic maldito que é a deturpação do Espiritismo que existe no Brasil. Liderado por espíritos de índole duvidosa e por diretores, médiuns e palestrantes crédulos em um neocatolicismo enrustido, fui muito prejudicado e  nada ajudado por esta falange oportunista que insiste em difundir o erro como se fosse avanço espiritual.

Minha vida estava um horror e eu não sabia: era por causa dessa pseudo-doutrina que se aproveitava do trabalho alheio (Allan Kardec) para bagunçar tudo e impedir a evolução espiritual.

Oportunidades erradas, mulheres erradas, brigas sérias com familiares, entre outras coisas, passaram a acontecer quando me envolvia com esse espiritismo de araque governado pelas ideias confusas e alienadas de Chico Xavier, o verdadeiro "líder" dessa manada. 

E os problemas se acumularam. Fui vítima de assaltos em proximidade de centros, perdi bens, fui enganado por muita gente, fui ofendido em consultas de "auxílio fraterno", perdi amigos de verdade e conheci muita gente falsa e gente interesseira. Perdi muito tempo esperando uma ajuda para descobrir mais tarde, lendo Kardec, que somente eu iria me ajudar, sendo esses "auxílios fraternos" uma parte do assistencialismo reprovado nas obras de Kardec e que só serve para atrair mais e mais seguidores para fortalecer o prestígio e a fortuna dessa organização sem moral que é conhecida como FEB, fundada por ex-católicos ainda não despidos de sua crença, e que se sustenta através da doce mentira e das informações mal passadas.

O interessante que os melhores momentos da minha vida sempre foram quando eu estava distante do Pseudo-Espiritismo, quando as coisas começavam a dar certo. Eu não sabia disso e continuava me enganado nessa versão falsa da doutrina. Quando em um dia fui intuído a procurar o significado da palavra "Espiritolicismo", o verdadeiro nome dessa joça, minha vida mudou radicalmente para melhor.

Tudo que havia de ruim se dissipou e passei a ter sorte inclusive em coisas mais difíceis, algo que não acontecia enquanto eu estava envolvido com a falsa doutrina. Eu me sinto mais feliz, as brigas com familiares cessaram, fiz novos amigos (os que se foram desapareceram) e não sou vítima de nenhum tipo de ofensa ou violência. Interiormente, me sinto cada vez mais tranquilo e feliz. Claro que há muita coisa para melhorar, mas agora tenho a liberdade e a segurança para seguir em frente.

Poucos sabem e muitos preferem fazer vista grossa para o que vou dizer: o Espiritismo brasileiro ficou refém de espíritos de padres de mentalidade medieval, muitos do tempo do Brasil colônia que querem fazer com os espíritas o mesmo que foi feito com os indígenas, se infiltrando feito vírus para depois dilacerar e instalar uma nova forma de Catolicismo, reencarnacionista, mas "antenado" com as tendências medievais do Brasil Colônia.

Finalmente, após ler e investigar muito e conferir com os pontos discutidos nas obras de Allan Kardec, me libertei dessa farsa. Mas como a farsa ainda representa o "verdadeiro" Espiritismo para a maioria dos brasileiros, prefiro não me assumir publicamente como espírita. Prefiro me considerar como sem religião, até segunda ordem. Até que a voz dessas picaretas do além e de seus escravos ideológicos se calem e eliminem todos os erros que serviram de pilastra para toda essa distorção que transformou Kardec em um ilustre desconhecido e um médium católico como líder absoluto e quase divinal. 

Foi o pesadelo mais longo que eu tive, que durou exatos 20 anos. Finalmente eu me acordei dele em 2012 e me tornei um homem feliz e literalmente livre. Espiritolicismo, Chiquismo ou seja que nome derem, TÔ FORA!!!  Os meus caminhos, eu mesmo faço e sigo.

sábado, 22 de agosto de 2015

A verdadeira liberdade finalmente conquistada

Por Marcelo Pereira

Antes tarde do que nunca. Eu não sabia, mas durante os 20 anos em que eu estava inserido na versão brasileira da Doutrina Espírita, sem saber que ela estava totalmente deturpada e transformada em uma seita igrejista, de fé cega em absurdos e contradições que a lógica tem condições de derrubar, estava perdendo tempo na minha vida, estragando-a, pensando estar arrumando.

Claro que de um certo modo estranhava a ausência de ciência nas atividades de centros e afins, além da presença de algumas coisas estranhas (elitismo em um grupo jovem de um centro, bullying e outras formas de desrespeito em outros, alto padrão de vida de dirigentes de centros, etc.) em sua prática. Pensava que cada irregularidade era caso isolado, devido a imperfeição de cada um, mas não era. A deturpação doutrinária permitiu essas aberrações, muito mais comuns do que se pensa.

Por acreditar em tratamentos espirituais para tudo, deixei a minha vida a cargo deles, não sabendo que espíritos sérios não auxiliam em situações cotidianas, ainda mais materiais. Entreguei a eles a ajuda na realização afetiva e profissional e paguei (e ainda pago) um preço bem caro por essa inércia estimulada pela fé. Pura ilusão irresponsável.

Ao procurar por acaso, em março de 2012, quase 20 anos após eu ter entrado na versão brasileira da doutrina o significado da palavra "espiritolicismo", minha vida mudou. Percebi todos os erros que estavam atribuídos ao Espiritismo no Brasil, o que acabou confirmando a minha suspeita sobre a falta de pesquisa e racionalidade nas práticas de centros, simpósios, workshops e similares. Ao descobrir que o Espiritismo brasileiro é uma farsa, derrubou as minha ilusões e me fez pular fora dessa cilada onde estive metido durante exatos 20 anos. 

Hoje sou livre, não creio mais nos absurdos. Nada de colônias, nada de assistencialismo, nada de "pátria escolhida", nada das bobagens de Chico Xavier, FEB e sua patota. Pulei fora e fui ler Kardec, cujas obras confirmaram os erros como tais, mostrando que o "kardecismo" brasileiro nada tem de Kardec.

Claro que como para os brasileiros, "Espiritismo" é essa baderna que vemos aí, prefiro não mais me assumir como seguidor da doutrina. Se acham que ser espírita é cultuar o ingênuo Chico Xavier e seus "mentores" mafiosos, estou fora! E ganhei energia positiva extra após sair, pois dentro dessa balbúrdia, minha vida em nada dava certo e frequentemente estava deprimido e com vontade de me matar.

Hoje sou feliz, longe dessa enganação. Não seguirei outras fés porque percebi que bom mesmo é ser racional, usar esse grande presente dado por Deus chamado cérebro, pouco utilizado pela grande maioria dos fiéis de qualquer religião. Raciocinando, posso eu mesmo resolver os meus problemas, sem a ajuda de farsantes do além-túmulo interessados no meu fracasso para que eu me recorra a eles o tempo todo e seja sugado pelo vampirismo enrustido desses demônios fantasiados de anjos.

Sou livre! Abandonei esse chiquismo irracional! Chega de fé (ir)raciocinada! Fé só com raciocínio (mesmo!). E parei de ser influenciado por essa horda invisível que finge altruísta, mas só quer se beneficiar do fracasso alheio. Como fui trouxa! Hoje eu sou livre! Hoje eu sou feliz!!!!

sábado, 8 de agosto de 2015

Panelaço


Por Marcelo Pereira

Após o panelaço por causa de um pronunciamento de um partido político considerado impopular, a patroa se dirige à sua empregada feliz da vida com a novidade.

- Dona Maria?
- Sim, patroa!
- Que negócio interessante a gente acabou de usar no panelaço ainda há pouco. Isso é uma panela, não é?
- É sim, senhora.
- Que instrumento de percussão interessante. Faz um sonzinho bom. É com ele que seus amigos fazem pagode na favela?
- Não senhora. Isso não é para percussão. Isso é para fazer comida.
- Comida? É nesse troço que as comidas são feitas?
- Sim senhora.
- Incrível, eu não sabia disso! Nunca imaginei como as comidas são feitas!
- Mas é aqui que eu faço parte das refeições que vocês comem. Há também outras panelas. Agora me dá isso aqui que eu tenho que preparar nela algo para o nosso jantar!

No final de semana seguinte a empregada, já em sua própria residência na favela usa panelas para preparar sua escassa comida, cujos ingredientes são pagos pelo escasso salário que recebe.

A patroa continua maravilhada com o objeto. Para depois a sociedade dizer que a nossa elite é realmente inteligente.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Entramos em Recesso

A partir de hoje este blogue e os blogues associados entrarão em recesso. Além de eu ser obrigado a dar esta pausa por causa de minha vida pessoal, vou aproveitar para rever a distribuição de postagens e a estrutura de blogues, além de decidir um novo visual, mais moderno e de acordo com a maioria dos sites mais visitados. Desculpem o transtorno e continuem lendo as postagens mais antigas. Obrigado pelo prestigio e até breve!


sexta-feira, 12 de junho de 2015

Feliz Dia dos Solitários


Por Marcelo Pereira

É hoje... A sombra... As nuvens.... O vento...

O escurecer em pleno dia! O mofo se exala...

Oh Dia soturno que se prepara a chegar! Seu uivo soturno a anunciar! O dia que que vai se iniciar!

Sombras únicas que perambulam sozinha.

Pelo anoitecer do período diurno. No silêncio da recusa.

Amor, palavra vã, não será pronunciada hoje. O estrondo do silêncio da solidão fará o brulho necessário para que esta palavra não seja citada nem ouvida.

Hoje, a noite amanheceu. E o dia, escureceu.

Feliz Dia dos Solitários.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Vingança dos Nerds - Versão Pirata

Por Marcelo Pereira

Estava andando nas proximidades da Saara, no centro do Rio e apareceu essa cópia dos Vingança dos Nerds, inspirado nos falsos nerds. Pedi para o camelô tocar para mim e deu perceber que tudo era uma fraude. 

Mas aproveito aqui para listar os personagens dessa infame versão, que ridiculariza ainda mais os verdadeiros nerds. Tá na cara que foi algum membro da fraternidade Alfa-Beta, bullies por vocação, que mandou fazer esse filmeco.

Como os brasileiros não entenderam a cultura nerd, era esperado que uma versão pirata, cheia de distorções de conceitos e muita gente estranha à tribo, fosse feita.

Está na cara que esta é a versão bebum da Vingança dos Nerds:

BRAHMA COLLEGE : É a universidade que recebe os falsos nerds. Lá, não se aprende porra nenhuma, a não ser a farrear. Os professores fingem que ensinam e os alunos fingem que aprendem. No final do curso, você compra um diploma, na cantina do colégio. Dependendo do curso, o valioso pedaço de papel tem um preço. O de Direito é mais caro, mas por umas moedas dá para comprar o de Letras.

LEWIS SKOLBEER (Zach Galifianakis) : É o líder dos pseudo-nerds. Alcoólatra e penetra profissional de festas, Skolbeer entra na Brahma disposto a comer todas as mulheres e tomar todas as bebidas. Será o responsável por integrar os seus amigos na fraternidade Lambada, Lambada, Lambada, condição exigida para poder permanecer nos alojamentos da universidade. Roubará Sally de Gable, durante a gincana.

"DOCTOR" GOOSE GILBERT (Caco Antibes) : É o melhor amigo de Lewis e entra no "curso" ao mesmo tempo. Eximio "piloto" de "avião" (metaforicamente falando), ele irá presidir o DCE da universidade após a vitória da Lambada, Lambada, Lambada na tradicional "Gincana dos Bebuns" que acontece todo ano na universidade. Ele é quem faz os discursos de defesa dos pseudo-nerds na festa de boas vindas da faculdade, que é organizada pelos sisudos homens-alfa, membros da fraternidade Alfa Grana. Ele se tornará o namorado de Judia Deemin, a líder das Omega-plus.

BREGGUER (Mister Zina) : É o cara do "loló", que traz a "alimentação" para a "galera" da universidade. Avesso a banho, o cara é uma nojeira só, além de cometer inúmeras gafes escatológicas, além de peidar, arrotar e falar palavrão. É um mau exemplo de ser humano, mas todos o adoram, pois apesar dos defeitos, tem um bom coração. Será o grande responsável pela vitória dos lambadeiros na gincana, graças a vitória no campeonato de arrotos. Sabe jogar biriba como ninguém, e vive ensinando as regras do jogo a Mifodo, sem sucesso.

LAMAR PUTÃO (Léo Santana) : O mais extrovertido da turma vive "trancado no armário", pois apesar de posar de machão e galã, rebola feito mulher e usa roupas meio estranhas. Vive escondendo seu namorado, um lutador de vale-tudo e tenta associar seu nome a romances fictícios com as integrantes da fraternidade Omega-plus. Será grande amigo de Vermster, no qual farão trocas: Lamar ensinando dicas sobre a sociabilização e Vermster com suas invenções na física aerodinâmica.

ARNOLD SWARGHNEXTER (Valdeck do Curuzu) : É o cara do penteado esquisito e do jeito estranho de andar e dançar. Será o primeiro a desencalhar com uma Omega-plus. O cara toca violino e é meio mal humorado, defendendo ideias de direita nas redes sociais. Mas vai se descontrair quando colocam câmeras na sede da fraternidade Delta-Press, a das jornalistas que só namoram os homens de negócio da fraternidade Alfa Grana.

HARRY VERMSTER (Justino Bebum) : Superdotado, acabou se tornando o caçula do grupo graças a entrada precoce na universidade. Físico especialista em aero-dinâmica, é ele quem faz os artefatos que ajudam os lambadeiros a vencerem a gincana. Será um grande amigo de Lamar, que o ensinará a se entrosar socialmente no campus. Fará sucesso com a Omega-plus, por sua doçura infantil.

TOMACHI MIFODO (Fuduyama Jaspion) : O "japa" do grupo. Vive aprendendo a jogar biriba com Bregguer, sempre perdendo. Sexólatra, vive tirando fotografias das intimidades das integrantes da fraternidade Omega-plus. Vive rindo feito doido, graças a sua hiperatividade - e um pouco de loló, de cortesia de Bregguer. É ele quem vence a prova de dirigir embriagado um carro de corrida. Por ser japonês, é outro "gênio" da tecnologia, principalmente quando está chapado.

JUDIA DEEMIN (Nicole Bah-Bahls) : É a principal integrante da fraternidade Omega-plus, formada por boazudas de glúteos avantajados que só sabem posar para fotos mostrando sua retaguarda. Ela é quem se apaixonará por Goose Gilbert. Ela toca tambor e será responsável pela animação na festa dada a D. J. Nelson para aprovação na fraternidade Lambada, Lambada, Lambada.

D. J. NELSON (Obama Bin Laden) : É o chefe da Lambada, Lambada, Lambada. Ele é quem faz a seleção dos pseudo-nerds serem aceitos, que lhes dará o direito a criar uma fraternidade, administrada pela mesma instituição. Ele é quem ajudará, fornecendo sua equipe de seguranças, a defender seus pupilos antes do discurso de Goose, após ameaças feitas pelos executivos da Alfa-Grana.

Clarke Gable (Justin Justus) : É mega-empresário e galã da universidade e líder dos homens-alfa, integrantes da fraternidade Alfa-Grana, casa dos estudantes de cursos mais prestigiados, como Administração, Direito, Medicina, Economia e Engenharia. Muito arrogantes, presidem o DCE há anos - com Gable na presidência - e impõem suas regras, sempre priorizando seus interesses. Os homens-alfa sempre namoram as mulheres mais lindas do campus, as jornalistas da fraternidade Delta-press, que governam o DCE junto com eles. São os galãs do campus.

Sally News (Patty Punheta) : É a principal integrante da fraternidade Delta-press e namorada de Gable. A fraternidade Delta-press, como o nome diz, só tem belas jornalistas. Muito exigentes na escolha de homens, elas só se envolvem com homens bem sucedidos de profissões prestigiadas: por isso, só namoram homens-alfa. Usam sua beleza para conseguirem o que querem, fazendo os homens de trouxas.

Billy Burke (Eike Maravilha) : É o braço direito de Clarke e aluno mais rico do campus. Ele é quem patrocina as concorridas e cobiçadas festas dadas pelos homens-alfa, que atraem muita gente. Clarke também é o artilheiro do time da fraternidade Alfa-Grana, também capitão da equipe dos homens-alfa e aquele que recebe os troféus nas vitórias do time, que são bastante assíduas.

Ronald Gibbs, o Ogro (Incrível Huck) : Desleixado e grosseirão como Bregguer, ele difere por defender claramente as ideias capitalistas e integrar a fraternidade Alfa-Grana. Ele é uma espécie de "chefe da segurança" dos homens-alfa e sempre começa as brigas, graças ao seu pavio curto e ao seu porte físico avantajado. Ele é quem recepciona os pseudo-nerds no trote de recepção.

Coach Ford McDonalds (Robert Fields): É o guru dos homens-alfa. Capitalista consagrado, é ele quem treina os homens-alfa, transmitindo, com sua personalidade rude, autoritária e impiedosa, valores relacionados com a ganância, a arrogância, e a ambição egoísta nos pupilos, fazendo com que a fraternidade Alfa-Grana seja a única a se beneficiar realmente das vantagens que a universidade oferece,

Os principais personagens são esses. Em breve no cinema do seu Shopping Center mais próximo.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Doutora Heckyll e Miss Hyde


Por Marcelo Pereira

Ana Luiza Heckyll durante o dia:

- Oi, Célia, tudo bom? 
- Olá, Ana, tudo bem, obrigada!
- Muito trabalho?
- Muito. E você?
- Ser uma mulher de negócios não é fácil! Mas complicado é aguentar as cantadas dos homens!
- Puxa, isso é muito chato. Homem não tem hora certa!
- É os homens vem com aquelas cantadas chinfrins, aqueles assobios irritantes... 
- Isso tem que parar!!! Tem que fazer uma campanha séria contra essa sem-vergonhice!
- Verdade, amiga. Os homens andam bem safados ultimamente. Sabe-se lá o que está nas cabeças deles!

Analu Hyde durante a noite:

- Celinha, tudo bom? 
- Tudo ótimo. Desculpa não termos conversado mais quando nos vimos de tarde!
- Não se esquente. Curta o prazer que esta boate tem a nos oferecer!
- Pena que os homens aqui nesta boate parecem não querer nada. 
- É verdade. Tentei falar com vários e parece que os homens vivem no mundo da lua.
- Só querem beber e falar de negócios.
- Estranho os homens não ligarem para as nossas cantadas. Parece que eles se incomodam com isso!
- É, estamos aqui, lindas e disponíveis e nem tchuns. Nem avançando adianta!
- Verdade, amiga. Esses homens andam tão calados ultimamente. Sabe-se lá o que está nas cabeças deles!

sábado, 21 de março de 2015

Aniversário...

Por Marcelo Pereira

Aniversário. O que realmente significa um aniversário? Pra quê as pessoas comemoram aniversários? Celebrar a vida? Talvez. E para quem a vida não é boa? E mesmo para que é boa, as sofreu muito para conseguir que ela seja boa? Vale a pena comemorar? Sei lá.

Aniversário. Isso me põe a pensar. Quer dizer, se a barulheira da música alta e dos convidados que nunca calam suas vozes estridentes, deixarem pensar. Convidados que certamente vieram mais pela farta comilança - interessante como se come mais um pouquinho os aniversários - do que pelo homenageado pela data.

Aniversário. Na minha mais tenra infância era mais divertido. As manifestações de afeto eram mais sinceras  - quem não gosta de crianças bem pequenas? - ganhava presentes, pulava mais, corria mais e não tinha que ficar preocupando com a organização da festa. Os adultos cuidavam disso.

Aniversário. Hoje eu tenho que fazer a festa. Sou o homenageado e o lacaio ao mesmo tempo. Como sempre, a Senzala fazendo a festa para a Casa Grande. Eu que tenho que preparar tudo, gastar dinheiro, fazer comida e arrumar a casa. Até parece que são os convidados que irão soprar as velinhas. No final da noite eu ganho de presente um estressante cansaço que me levará para a cama mais cedo. Para depois resolver comemorar meu aniversário em outra data, quando eu puder me dedicar a mim mesmo.Quando eu puder.

Aniversário. Que datinha essa que você abre a conta de e-mails e de redes sociais para ler o que hipócritas que em outras datas fingem que você não existe, lhe mandam para lhe desejar uma abstrata felicidade da boca para fora, com objetivos diplomáticos e nada contribuir para que de fato o aniversariante seja um pouco mais feliz. 

Aniversário. E se os tais "amigos" resolvem me dar alguma coisa? Mais cuecas e meias de má qualidade a entupir a sua já entupida gaveta. Isso quando dão alguma coisa. Outros vem com uns tapinhas nas costas ou recitam orações feitas para a abstração que eles chamam de "Deus" - tão real quanto os bonecos que enfeitam as decorações de aniversário infantis - me dar o presente que eles, muito mais prósperos do que eu, se recusaram a me dar.

Aniversário. Que dia! Mais um ano de vida se completa. E cada desejo de felicidade que é adiado para o próximo aniversário. Vamos reconhecer: a Felicidade é a convidada que sempre resolve faltar nas festas de aniversário.

domingo, 15 de março de 2015

Coxinhas


Por Marcelo Pereira

PRIMEIRO ATO, CENA ÚNICA: Brasil, 2016. Após intensa campanha, a Presidente da República é deposta, junto com todo o seu partido, que sai da legalidade. Uma junta militar comandada por um famoso militarzinho, meio rebelde e meio boca suja, mas muito adorado, toma o lugar dela e comanda o país.

Um dos mais exaltados manifestantes que ajudou a derrubar a presidente, após pedir autorização a um general, empossado como ministro da Casa Militar (a casa civil foi extinta), resolve falar com um dos maiores empresários do país, principal patrocinador dos manifestos:

- Boa tarde, Doutor!
- Boa tarde. Quem é você?
- Eu estive nas manifestações! Chamei muita gente para participar! Finalmente conseguimos tirar a presidente e todo o seu partido!
- Sei.
- E aí, Doutor! Tem uma vaguinha aí de assessor, como prêmio por e ter conseguido o nosso objetivo?
- Hã?!
- Uma vaga de assessor! Com ganho de R$10.000 iniciais! Não aceito menos que isso!
- Não temos. Temos uma vaga para faxineiro, por 700 reais de salário bruto.
- Como é, Doutor? Eu batalhei, eu lutei, chamei gente e você retribui dessa forma tudo que eu fiz? Cara, sou seu simpatizante! Sempre defendi o seu ponto de vista! Mato e morro para defendê-lo!
- Não quer a vaga de faxineiro?
- Não quero.
- Então vou chamar um dos meus assessores para ter uma conversinha com você a sós, ali na salinha escura. Espere sentado na pequena cadeira que está na salinha.

Pronto. Assim é que se frita uma coxinha...

sexta-feira, 6 de março de 2015

Bom Dia


Por Marcelo Pereira

Dois caras se encontram de manhã no elevador, indo para o trabalho.

- Bom Dia.

- Que bom dia que nada! Dormi mal, acordei pior! Água faltou! O pão estava dormido, cafe frio! Minha empregada havia ido embora ontem! Estou cheio de dívidas! Minha mulher está doente! Meu filho se machucou na escola! O Brasil está em crise! A inflação voltou! Meu patrão me odeia! Além de ter recusada a prometida promoção, eu inda tive cortes nos salários! Engarrafamentos! Quase fui assaltado na rua ao voltar para casa ontem! E você ainda me falar em "bom dia"?!

- Bem, eu só quis ajudar.

Poucos minutos de silêncio. Após um suspiro, o homem que estava irritado, finalmente diz algo:

- Bom Dia.

domingo, 1 de março de 2015

Perdi um amigo que eu não tive

Por Marcelo Pereira

Quando eu era criança, um dos programas que gostava mais de assistir era o seriado Jornada nas Estrelas (Star Trek, no original). Quase não entendia nada daquilo, mas mesmo assim me divertia. Com o tempo fui entendendo e gostando mais ainda. Embora não seja um especialista trekker, me tornei fã da saga e sempre vejo quando encontro oportunidade, o seriado, os filmes e os spin-offs criados com o nome da saga.

Desde a infância, o personagem que mais chamou minha atenção era o Senhor Spock, que eu chamava na época de Doutor Spock. Claro que a aparência estranha e o jeitão de cara meio chateado eram  motivo. Mas com o tempo a admiração pelo orelhudo personagem ia aumentando, conforme eu fosse entendendo a função dele no seriado.

Essa admiração, além de aumentar, se estendeu ao ator. Apesar de conhecido por fazer Spock, fazendo muitos pensarem que fosse seu único personagem, Nimoy tinha uma carreira vasta, fez westerns, filmes bíblicos e ainda emprestou a sua cara de Spock ao Ford do telefilme baseado no famoso livro Admirável Mundo Novo, de Aldoux Huxley, que prevê a sociedade atual, ora em metáfora, ora em previsões literais, e que inspirou muitas outras obras, além do nome deste blogue. O nome do personagem não pode ser citado no telefilme para não criar problemas com a famosa marca de carros. Mas quem leu o livro, sacou que Nimoy era Ford.

Nimoy também era fotógrafo profissional (assim como o cantor Bryan Adams, outro que admiro) e poeta. Em ambas, deixava aflorar a sua surpreendente sensibilidade, coisa que justamente o seu mais famoso personagem não possuía. Tentou uma fracassada carreira musical, que foi para  ralo por não ser a vocação natural do talentoso ator. Mas o seu mais admirável papel estaria na vida real, como o simpático cidadão Leonard Nimoy.

Como gostaria de envelhecer como Nimoy. Jovial, angariou grande popularidade, graças a Spock. Não se vestia como velho e nem agia como tal, conquistando fãs e amigos cada vez mais jovens. Do contrário que se poderia esperar, ele adorava participar de eventos de ficção científica e não se incomodava em ser lembrado como "o eterno Senhor Spock".Afinal, Spock lhe abriu as portas e he trouxe fãs e consequentemente amigos.

E muitos amigos. Sua simpatia e jovialidade lhe permitia converter muitos fãs em amigos. Mantinha contatos com todos eles. Adorava a tecnologia e utilizava as redes sociais, que foi o meio que encontrou para a sua última despedida.

E para mim, ele foi o amigo que eu nunca tive. "Mas como? Ele nunca te conheceu, nem sabia que você existia!" perguntarão alguns a mim. Mas com certeza foi um grande amigo. Pelo menos era o que me parecia.

Ele me ajudou a entreter durante a infância. Seu exemplo de jovialidade e de sensibilidade me serviram como lições de vida. A personalidade do ator e o modo como encarava a cultura nerd, provam da capacidade de Nimoy ter sido meu amigo.

Tenho a certeza que Nimoy teria sido meu amigo se me conhecesse. Para mim, ele só representou alegrias. E mais, representou um grande exemplo de como envelhecer com dignidade, sem negar suas características pessoais. Envelheceu sem deixar de ser Leonard Nimoy.  Envelheceu sem deixar de ser Spock.

Sinto que eu perdi um amigo. Eu sou seu fã, mas poderia ter sido muito mais. 

E tenho a certeza que ele não morreu. Não, pois a morte não existe. Spock recebeu chamado do povo volcano e retornou a seu planeta. A nave veio, Spock se apresentou e teve que ir, após deixar uma curta, mas bela mensagem de despedida: "A vida é como um jardim. Momentos perfeitos podem existir, mas não  ser preservados, exceto na memória. LLAP". Brilhante.  Os verdadeiramente sábios costumam falar muito usando poucas palavras.

Nos veremos um dia em Volcano, Senhor Spock. Obrigado.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

A perfeição se chama Hailee Steinfeld

Por Marcelo Pereira

Olhe bem para este rosto. Dá para imaginar algo melhor do que isso? Impossível! Hailee Steinfeld, agora mulher feita, já está moldando a sua beleza definitiva, que a consagrará entre as musas do mundo.

Olhar para seu rosto com detalhada atenção traz um prazer próprio, peculiar. É um momento único de contemplar um rosto que tem o poder de nos fazer sonhar. O poder de mudar o ritmo da batida de nossos corações. O poder de mudar nosso modo de enxergar a natureza.

E como se não fosse suficiente ter esse rosto maravilhoso, um doce tilintar de suas cordas vocais nos brinda com uma das vozes femininas mais belas já ouvidas. Bela e sedutora, quase erótica. Voz que transmite sedução. Voz que transmite decisão. Voz que estimula a paixão.

E para ter uma voz tão sedutora não poderia ser qualquer mulher. Tinha que ser Hailee. Sua face perfeita de traços únicos é uma combinação da mais perfeita engenharia natural, que recorreu a quatro etnias - sim, QUATRO! - caucasiana (germânica), negra, oriental e latina (as duas últimas combinadas) para construir toda essa perfeição. Só uma combinação complexa para criar uma mulher que é sinônimo de perfeição.

Deliciar vendo Hailee Steinfeld é um momento único que se repete a cada vez que a musa aparece. Dotada da beleza extrema das musas mais mitológicas, a musa que Shakespeare escolheria para a perfeita Julieta, a atriz que se fez ninfa traz junto de si como companheiro inseparável o encanto exclusivo das maores musas.

Hailee, um dia você segurou um cartaz que dizia "você me inspira". Nada disso. Não somos nós que lhe inspiramos. É você, mitológica Hailee: é você que nos inspira. A inspiração em forma de mulher. 

sábado, 24 de janeiro de 2015

"Fact is fiction and TV reality"

Por Marcelo Pereira

Esta frase citada na letra de Sunday Bloody Sunday, grande clássico do U2 e que é uma das mais emocionantes músicas já gravadas, tanto em letra como em melodia, nos coloca a pensar muito sobre tudo que nos rodeia. Ela se refere a confiança cega que temos na mídia e a submissão que resulta desta confiança.

Nos, os brasileiros, somos tradicionalmente submisso a mídia ou a personalidade ou instituições consagradas. Para muitos, a confiança se reside no prestígio. Quanto mais prestigiada for uma pessoa ou uma instituição, mais confiança as pessoas irão depositar nelas e mais poder de persuasão e até mesmo de proselitismo terá o detentor desse prestígio. Ou seja, prestígio da o poder de formar opiniões.

Numa sociedade que não gosta muito de pensar como a brasileira, é cômodo que esta capacidade de pensar seja entregue a esses privilegiados cujo prestígio é construído pela mídia e pelos costumes sociais (estes regulados pela mídia). Consagradas pela opinião pública através dessa mídia, pessoas e instituições ganhar poder de persuasão e tudo que é dito por elas vira verdade absoluta e inquestionável. 

A TV é o principal meio de comunicação e mesmo com a internet, as emissoras de televisão, sobretudo a Rede Globo ainda representam o meio mais influente para a sociedade. Muitos pensam que a internet se tornou influente, o que fatos confirmam ser uma mentira, já que a rede de computadores até agora, só tem servido para confirmar as crenças e mitos criados e difundidos pelas televisões. A mesmice ideológica em que se encontra o país é uma prova real disso.

Mas a internet deu a oportunidade de eliminar o pensamento único. A internet, dando voz a pessoas comuns como eu e você, deu a oportunidade valiosa de mostrar ao mundo que as ideias difundidas pela mídia tradicional não eram unanimidades como quase todos pensavam. Que a realidade da TV sempre foi e é muito mais ficcional do que se imagina. A última copa, culto irresistível a uma forma de ilusão, foi uma verdadeira demonstração de que a TV sabe muito bem construir a sua ficção.

Mas a submissão da população à mídia, acontecida na última copa mostrou a verdadeira cara não apenas da população brasileira, altamente ingênua e ainda bastante irracional, como mostrou a da mídia: mentirosa, proselitista e interesseira, fazendo de tudo para que um agrande parte da coletividade concorde e defenda as opiniões pessoais dos donos dessas emissoras.

Mas não somente na copa que acontece isso. Cito a copa porque é quando essa manobra midiática encontra o seu auge e tem o maior poder de persuasão, muito mais poderoso nesta época do que em outras. Mas a mídia sempre encontra oportunidades e meios de fazer com que a população pense que o que ela difunde é verdade. Psicólogos são contratados pelas emissoras para atuarem nos bastidores, encontrando formas de persuasão que pudessem ser ao mesmo tempo discretas e implacáveis, fazendo os telespectadores pensarem que tais ideias surgiram se suas próprias mentes.

E  por isso mesmo que as pessoas  passam a acreditar que o que aparece na mídia é verdade, é real. Novelas, no sentido oposto do que afirmam seus roteiristas, molda a realidade, consagra hábitos e costumes. Se, por exemplo, aquele galã interpreta um personagem infiel e esse galá possui prestígio, lá vem a sociedade achar que a traição cometida é uma atitude correta. Só porque foi cometida pelo galã influente, mostrado através de uma emissora igualmente influente.

Os brasileiros não são os únicos a serem submissos pela mídia, mas são os mais submissos, chegando a construir seu repertório de convicções com base no que aparece na televisão. Brasileiros necessitam do prestígio de uma pessoa para que uma ideia possa ser aceita. Infelizmente são capazes de aceitar uma ideia absurda só por causa da confiança no prestígio de alguém que a mencionou. Convém lembrar que dos anos 90 pra cá temos celebridades cada vez mais emburrecidas, mas tão ou mais influentes que os intelectuais de outrora. A tradição mostra que é perigoso acreditar numa tolice só por causa do prestígio de seu responsável.

Na contramão, muitas verdades ditas na internet perdem força, pois quem os fala ou escreve não possui o prestígio necessário para transformá-lo em formador de opinião. Existe a lógica, o discernimento, o senso crítico, mas não o poder de persuasão. Uma besteira dita por um jogador de futebol prestigiado é muito mais aceita como verdade do que uma frase lógica dita por um "Zé Qualquer" na internet. É o famoso "sabe com quem está falando", onde o autor da frase é muito mais importante do que a própria frase dita. Imagine como seria o Brasil se o Neymar pensasse como um intelectual e divulgasse ideias com maior discernimento. O Brasil mudaria.

Por agora, enquanto o prestígio midiático/social de pessoas e instituições for mais forte que a lógica de ideias, continuaremos a pensar que o que a mídia difunde é verdade e que o que nos rodeia é ficção. Submissos ao prestigio de verdadeiros manipuladores de ideias, ainda vamos construir uma realidade paralela que representa a materialização de nossas mais infantis ilusões, enquanto a real realidade segue firme e forte com sua cara feia, com seus problemas irritantes e seus danos irreversíveis. 

O sol sempre brilha nos aparelhos de televisão. Desligando-a, abriguemos com a nossa tempestade de desilusões.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Não me julguem pela aparência!

Por Marcelo Pereira

Vou fazer uma denúncia. Odeio racismo e sinto que ele é realmente pior do que parece.

Eu sou vítima de racismo. Olhando para as minhas fotos da para perceber que passo longe do estereótipo do branco. E noto que no assunto paquera, eu sofro grave rejeição por ser mestiço.

Apesar de mestiço, sou um cara culto, costumo ser racional em quase tudo que faço e sempre me esforço para me manter bem informado e socialmente atuante. Meus gostos no lazer também tem relação com esse desejo de progredir intelectualmente e moralmente.

Mas as mulheres que tem ideias e gostos parecidos comigo costumam me rejeitar. As que se interessam por mim, são o oposto, possuindo muitas vezes, zero índice de afinidade comigo. Parece que as mulheres esperam que eu, por ser mestiço, seja muito menos intelectualizado do que sou.

Creio que elas pensem que apenas brancos são capazes de ser cultos. E o mais risível que elas escolhem brancos que tem gostos e ideias típicos ao do suburbano estereotipado, apesar da boa renda e dos títulos universitários. É como levar gato por lebre.

Claro que nenhuma mulher é obrigada a gostar de mim. Mas uma coisa é me recusar porque não sou interessante: isso é normal e aceitável. Outra é me recusar por algo que eu não sou, só porque não correspondo ao estereótipo daquilo que as mulheres querem.

Infelizmente esse tipo de racismo é muito pouco comentado e parece que só eu sinto isso. Desculpem o desabafo, mas não queria que as coisas funcionassem dessa maneira.

Racismo não presta. Somos todos seres humanos do mesmo jeito. E as aparências enganam.