terça-feira, 25 de novembro de 2014

Quem vê cara, não vê coração... nem cérebro

Por Marcelo Pereira

Num belo dia, uma mulher linda e culta passa perto de um rapaz belo, de boa aparência, mas mestiço, predominantemente branco e de média estatura. Ele usava roupa decente, mas sem grife.

Ele passa por ela e olha para ela com simpatia soltando um belo sorriso. A moça o ignora provavelmente pensando que o rapaz, por não ser branco e usar roupas caras, tenha baixo nível intelectual.

A mesma moça, mais adiante, passa perto de um outro rapaz, branco, alto e que usava roupas e tênis de grife. O cara olha para ela e ela sorri para ele. Ele, ao perceber a reação positiva, a convida para sair e ela aceita.

Ao chegar a hora do encontro, feliz da vida, a moça, usando a melhor roupa, vê o rapaz branco também com seu melhor - e caro - terno (sem gravata - o evento era descontraído) a esperando, perto de seu carrão igualmente caro.

Ao perguntar para o rico rapaz branco onde iriam, ele falou que seria uma surpresa.

E que surpresa: um baile "funk" na mansão de um amigo, com muita bebida, drogas, brigas, gente fútil gritando, gente fútil transando nas escadas e muito palavrão nas conversas, apesar da excelente aparência dos convidados e de suas caríssimas roupas. Ao chegar, o rapaz branco ainda dá um arroto, após cumprimentar seus "nobres" amigos.

Enquanto isso, o belo mestiço, desprezado pela moça, está na varanda de seu humilde apartamento, sozinho, lendo tranquilamente um livro de Jean Paul Sartre, ao som de um bom disco de Keith Jarrett, tomando um delicioso mate.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Vento no Litoral



Por Marcelo Pereira

Ricardo era um cara sortudo. Lindo, de porte físico avantajado, similar aos mais galânticos jogadores de vôlei, tinha uma vida profissional e social muito bem sucedida. Seu emprego era o que se poderia chamar de "profissional liberal de nível superior". Sempre nos finais de semana vivia rodeado de amigos. Muitos amigos. Namoradas? Ricardo nunca soube o que significa a palavra "solidão". Pelo menos até agora.

Ricardo sempre teve namoradas. Uma atrás da outra. Mulheres chegavam a sair no tapa para disputar o belo mancebo. Muitas vezes, Ricardo não precisava tomar iniciativa, pois as mulheres se chegavam a ele. Enfim era um cara desejado. "Facilidade" era o seu segundo nome.

Eis que num belo dia, a última de suas namoradas, por um motivo que não conhecemos, decidiu romper o namoro com Ricardo. Ele, que nunca soube o que era receber "não", ficou arrasado. Revoltado de início, sentiu uma ira gigantesca que ao explodir, se converteu em uma depressão quase suicida.

Ricardo começou a sair sozinho, misteriosamente sem avisar ninguém, faltando encontro com amigos. Virou alcoólatra, largou o invejável trabalho e não voltou para casa, preferindo ficar "mendigando" em uma praia deserta.

Mas Ricardo ainda teve a chance de murmurar: "Sei que faço isso pra esquecer / Eu deixo a onda me acertar / E o vento vai levando / Tudo embora".

Isso é que dá uma pessoa não conhecer as dificuldades na vida.

Pobre Ricardo. Mal sabe ele que muitos gostariam de estar no lugar dele, tendo muito mais condições de superar, de forma mais corajosa e digna, o imprevisto infortúnio.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Pesos e medidas



Por Marcelo Pereira

Pesos e Medidas:

Meus defeitos:

- Não tenho aquela aparência viril que tanto agrada às mulheres (não sou branco, nem alto e nem atlético);
- Tenho déficit de atenção e um pouco de timidez, além de não ser tão esperto quanto deveria;
- Tenho opiniões e gostos que diferem da maioria das pessoas;
- Sou sincero (num país em que as pessoas preferem viver iludidas, ser sincero é considerado defeito).


Defeitos dos homens que fazem sucesso com as mulheres:

- Gostam mais de futebol do que de mulher;
- Vivem chegando embriagados em casa. Ainda se acham no direito de dirigir bêbados;
- Brigam por qualquer motivo banal;
- Traem as mulheres com outras mulheres ou com outros machos;
- Demonstram burrice e desinteresse quando o assunto não se relaciona com a sua vida profissional ou com futebol;
- Se acham no direito de errar pensando que estão acertando;
- Aparecendo a primeira ruga ou estria, jogam suas mulheres no lixo;
- E são teimosos. Nunca corrigem seus defeitos.


E aí, mulheres: têm certeza que vocês escolheram os caras certos para conviver?