domingo, 21 de setembro de 2014

Quem é o sapo? Quem é o príncipe?


Por Marcelo Pereira

Uma bela garota culta e de bom gosto vai a uma festa e encontra um homem branco, alto, atlético como os jogadores de vôlei, e com voz grossa e jeito extrovertido.

- Nossa, que homem maravilhoso!!! Um verdadeiro príncipe. Quero me casar com ele! - diz a bela garota.

Os dois finalmente se casam numa linda festa. Chega a noite de núpcias e no dia seguinte, quando a garota acorda, próximo ao meio dia, nota sua cama vazia.

Ao chegar na sala, depara com um um medonho sapo gigante e gordo, o mais feio de todos e muito gosmento, sentado no sofá com uma lata de cerveja vazia assistindo a um jogo de futebol na televisão e gritando, entre arrotos:

- Mulé (blurp!)! Traga outra cerva (blurp!)! E rápido, sua vaca!!! (blurp!)

Enquanto isso, longe dali, um simpático sapinho, com uma bela coroa de ouro na cabeça chora em cima de uma vitória-régia de um brejo cercado por várias sapas gosmentas que coaxam sucessos do popularesco, irritando os ouvidos do pobre coitado.

E todos vivem infelizes para sempre...

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

E se eu seguisse o conselho dos outros para tentar arrumar namorada?

Por Marcelo Pereira

Viver num país onde o povo é submisso a regras é um martírio. Para você conseguir um benefício, você tem sempre que satisfazer a exigência de quem vai lhe dar o benefício. Seja ao comprar uma coisa (o preço é a exigência), seja para arrumar emprego, arrumar namorada, etc., sempre há uma exigência que quase sempre é muito superior em nível ao benefício relacionado. Corre o risco que você ter que trocar um Rolls Royce para obter um desentortador de banana.

Mas como não tem jeito, a sociedade é burocrática mesmo (e pensa que é democrática, humpf!), resolvi seguir (de mentirinha, claro) o conselho mais comum dado pelos hipócritas quando pergunto o que faço para arrumar uma namorada: ir a uma noitada em uma boate. Vamos ao sacrilégio.

Sexta-Feira, 18 horas. Chego em casa, vindo do trabalho, cansadíssimo, sedento por qualquer coisa que signifique "dormir" e me lembro que tenho que batalhar por uma companheira. Importante: procuro uma COMPANHEIRA, não uma curtição fútil. mas como as regras sociais definiram lugares fixos para paquera (depois do namoro iniciado, se amassar nojentamente pode em qualquer lugar, não é? Eca!), vou ter que ir a um lugar desses para tentar encontrar a cara-metade, mesmo sabendo que a maioria que vai a lugares desse tipo não quer nada sério. vamos lá.

Depois do banho e de uma boquinha (um sanduíche tá bom), saio correndo para pegar o ônibus ("ah, não, Marcelo... ônibus? Começou mal..."), pois carro suga dinheiro e quem ganha 5 salários mínimos não tem condições de manter, pelo menos sem passar fome.

Chego a bendita boate. Ao chegar fico tonto. Está escuro e a única iluminação são aquelas luzes que piscam sem parar que fazer suas vistas doerem. Depois de tatear muito, consigo alcançar uma mesa. Como não gosto de álcool (não gosto por não gostar, tenho a liberdade de não gostar de álcool), compro um refrigerante e um tira-gosto para esperar o movimento aumentar. Nisso um engraçadinho de fone de ouvido, em cima de um palco, coloca uma vinil em um prato girante e ZWWWAAWWZZZZZZZZ!!! Parece que um avião supersônico resolveu decolar justamente ao meu lado. Fico momentaneamente surdo (já estava quase cego por causa das luzes). Chega mais gente.

Resolvo ir a luta. Como não sou de dar cantada (Transtorno do Deficit de Atenção e Hiperatividade - esperteza limitada) fico dançando perto de algumas garotas interessantes esperando que me dêem o sinal para conversar.

A primeira: nada. A segunda: saiu de perto de mim. A terceira: veio um branquelo alto, daqueles que quase todas as mulheres e a Confederação Brasileira de Vôlei adoram, e ficou perto dela. Sem chance para um jogador de xadrez pigmeu do Suriname, como eu.

Aí veio a quarta, a quinta etc., etc., e etc. e nada, nadinha. Até que uma, visivelmente embriagada me cantou, dizendo que sou lindo. Recusei, pois nessa situação, ela vai pensar que dormiu com o Brad Pitt para depois acordar com o Tiririca. Com certeza não quer nada sério. Nada feito.

Sem sucesso, volto para casa no meio da madrugada (custa as festas terminarem de manhã? Não. Já terminam no meio da madrugada para as mulheres "testarem" seus namorados diante do perigo noturno. Vários meliantes aparecem no caminho, mas por sorte, muita sorte, não sou abordado. Vai ver que o fato de eu ser mestiço (ha, ha, ha! seus braquelos paus de vira-tripa, vocês são o alvo! Ha, ha!), além de me afastar das mulheres, me afasta dos bandidos. Pudera, estava só com o dinheiro da passagem, já que os refrigerantes consolaram minha solidão.

Volto para casa do mesmo modo que estava quando saí, tomei um bom banho e fui tirar a minha desejada soneca. Já basta ter que seguir regras alheias 5 vezes por semana, para que seguir também no final de semana.

Lição aprendida: não siga a regra dos outros. Faça as coisas de acordo com a sua vontade e o seu talento. mas se não der, se você vive em uma ditadura social como o Brasil, o jeito é se conformar com a falta do benefício até que venha a proclamação da democracia. "Mas quando será..."

sábado, 13 de setembro de 2014

Vai quem pode - Uma historinha

Por Marcelo Pereira

Dois caras diferentes estavam ao mesmo tempo de olho em um carro. Celso, o mais exigente deles fazia questão de um que tivesse direção hidráulica e marcha automática e não fazia questão de equipamento de som instalado. Mateus, pelo contrário, não fazia questão desses itens, mas queria o equipamento de som, que ele tinha condições de comprar em separado, caso o carro não tivesse. Ambos valorizavam a estética do carro.

Só que Celso não era tão rico como Mateus. Ganhava para viver com conforto, mas sua renda não lhe dava vantagem na hora de comprar um carro tão cheio de qualidades. Celso até se esforçou juntando dinheiro para comprar o carro, que na loja da cidade onde ele e Mateus moram, só tinha um exemplar de um carro com as características desejadas por Celso e era a única loja.

Num belo dia, o carro dos sonhos de Celso finalmente chega à loja. Celso toma conhecimento disso e vai para a loja para adquiri-lo. Ao chegar acabou sabendo que o carro havia aumentado de preço, por causa de custos extras surgidos no transporte da fábrica até a loja. Celso ficou arrasado e saindo da loja, foi imediatamente arrumar mais dinheiro, sem a garantia de aquisição do carro, que não poderia ser reservado.

Ao voltar para a loja soube que um outro comprador havia adquirido o carro. Era Mateus, que Celso não conhecia e que havia saído minutos antes feliz com o carro, que tinha tudo que Celso fazia questão, mas que era supérfluo para Mateus. De qualquer forma, Mateus gostou do carro e comprou, mesmo não fazendo questão dos itens adicionais.

Celso teve que se contentar com um carro menor, (e mais barato, tendo poupado a saída para pegar mais dinheiro) e sem os itens que tanto desejava, apenas para não ficar sem carro.

Pensem bem, amigos. Na vida afetiva não acontece a mesma coisa? As mulheres que são únicas, que tem as qualidades que fazemos questão e que só elas tem, não acabam casando com maridos que nem fazem questão dessas qualidades? Homens que poderiam se casar com qualquer mulher que aparecesse em suas frentes?

Enquanto nós temos que nos contentar com mulheres não nos satisfazem por terem menos qualidades, sem aquele diferencial que as desejadas, que acabaram casando com outros, tinham?