domingo, 21 de dezembro de 2014

Não me chamem para ir a casamentos



Por Marcelo Pereira

Não gosto de assistir a casamentos. Não gosto mesmo. O único casamento que eu gostaria mesmo de ir é o meu.

Na verdade não gosto de casamentos por três principais motivos. O primeiro é que é menos uma gata disponível no mercado da vida afetiva. Oportunidade para o idiota-vestido-de-pinguim rir da cara dos outros homens: "Babacas, me dei bem, estou com a maior gata". Pena que ele se arrependerá disto pouco depois.

O segundo é a impressão que tenho que o noivo, aquele idiota com roupa de pinguim, é sempre melhor do que eu. O babaca ou satisfez direitinho as exigências da sanguessuga ou teve sorte. Como não fui incluído em quaisquer dos casos, não gosto, não vou e ponto final.

Terceiro motivo é que tenho a certeza que pelo menos 80% dos casamentos de cada ano são uma fraude. Não é por amor. Se fosse só por amor, ninguém casaria, apenas namorava eternamente. A segurança de uma certidão é a prova de que existem interesses por trás e que uma boa trepada tem um preço a ser pago. Quer beijim? Antes meu dindim!

Prefiro ir a enterros. São mais animados. Ainda mais que, mesmo sendo ateu, sei que existe vida pós morte e que a despedida pode ser momentânea. O sentimento de amor nunca separa quem se gosta de verdade. Separa apenas os interesseiros, que depois de falecerem, vão cada um para o seu canto, quietinho, virado para a parede.

Casamentos não. Além disso são chatos pra cacete, cheio de rituais, danças tolas mensagens de "amor" da boca para fora e outras tolices do gênero. Sem falar daqueles videoclipes cafonas de tão mal feitos. Vídeo, no meu casamento, só se eu for o diretor e editor.

Portanto, não vou ver casamento de príncipe algum e nem de plebeu qualquer.

Mas aproveito para desejar meus sinceros votos a ele e a todos os homens que se casam: SE VIREM!!!

Ué, não é isso que me dizem quando eu peço ajuda para a realização afetiva?

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Keep Calm and... Keep Calm

Por Marcelo Pereira

MESTRE DE CERIMÔNIA - Olá, estamos aqui no Shopping Compramais, no Rio de Janeiro, para entregar o carro a um felizardo, o Sandro, que foi sorteado na nossa promoção para ganhar um carro zero!
SANDRO - Legal. Obrigado pela oportunidade!
MESTRE DE CERIMÔNIA - Estamos felizes por sua conquista! Carro novo, vida nova...
SANDRO - É verdade!
MESTRE DE CERIMÔNIA - E aí, Sandro, vamos nos descontrair. Qual é o seu time de futebol?
SANDRO - Nenhum.
MESTRE DE CERIMÔNIA - Como assim, nenhum?
SANDRO - Nenhum. Eu não curto muito futebol.
MESTRE DE CERIMÔNIA - Mas peraí, aqui todo mundo gosta de futebol. Tem certeza disso?
SANDRO - Nunca fui muito chegado no futebol e levo a vida asim.
MESTRE DE CERIMÔNIA - Rapaz, não precisa assistir ao jogo. Mas pelo menos por um dos quatro times cariocas você torce, não é?
SANDRO - Nenhum.
MESTRE DE CERIMÔNIA - Nem pelo América, pelo Bangu?...
SANDRO - Nenhum.
MESTRE DE CERIMÔNIA - Pela seleção você torce...
SANDRO - Que seleção?
MESTRE DE CERIMÔNIA - A brasileira, ora, Neymar, Copa, Patriotismo...
SANDRO - Não curto. Em copas prefiro viajar para lugares campestres sem TV.
MESTRE DE CERIMÔNIA - Sandro, Sandro...
SANDRO - Mas realmente prefiro o sossego...
MESTRE DE CERIMÔNIA - Tenha paciência, Sandro! Brasileiro: sossego?
SANDRO - Gosto de uma vida bem tranquila.
MESTRE DE CERIMÔNIA - Rapaz, está pegando mal aqui. TEM CERTEZA QUE VOCÊ NÃO CURTE FUTEBOL? NÃO TORCE PARA ALGUM TIME?
SANDRO - Ué, o que tem de mal em não curtir?
MESTRE DE CERIMÔNIA - Aqui meu amigo, futebol é lei! É LEI! Todo mundo tem que gostar e você está me irritando! Tá todo mundo ouvindo você dizer que não curte e isso nunca é bom. Inventa que gosta, porra! Inventa!
SANDRO - Acho que você está ficando um pouquinho tenso. Quer que eu peça para alguém trazer um copo de água com açúcar?
MESTRE DE CERIMÔNIA - AAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHH!!!

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Quem vê cara, não vê coração... nem cérebro

Por Marcelo Pereira

Num belo dia, uma mulher linda e culta passa perto de um rapaz belo, de boa aparência, mas mestiço, predominantemente branco e de média estatura. Ele usava roupa decente, mas sem grife.

Ele passa por ela e olha para ela com simpatia soltando um belo sorriso. A moça o ignora provavelmente pensando que o rapaz, por não ser branco e usar roupas caras, tenha baixo nível intelectual.

A mesma moça, mais adiante, passa perto de um outro rapaz, branco, alto e que usava roupas e tênis de grife. O cara olha para ela e ela sorri para ele. Ele, ao perceber a reação positiva, a convida para sair e ela aceita.

Ao chegar a hora do encontro, feliz da vida, a moça, usando a melhor roupa, vê o rapaz branco também com seu melhor - e caro - terno (sem gravata - o evento era descontraído) a esperando, perto de seu carrão igualmente caro.

Ao perguntar para o rico rapaz branco onde iriam, ele falou que seria uma surpresa.

E que surpresa: um baile "funk" na mansão de um amigo, com muita bebida, drogas, brigas, gente fútil gritando, gente fútil transando nas escadas e muito palavrão nas conversas, apesar da excelente aparência dos convidados e de suas caríssimas roupas. Ao chegar, o rapaz branco ainda dá um arroto, após cumprimentar seus "nobres" amigos.

Enquanto isso, o belo mestiço, desprezado pela moça, está na varanda de seu humilde apartamento, sozinho, lendo tranquilamente um livro de Jean Paul Sartre, ao som de um bom disco de Keith Jarrett, tomando um delicioso mate.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Vento no Litoral



Por Marcelo Pereira

Ricardo era um cara sortudo. Lindo, de porte físico avantajado, similar aos mais galânticos jogadores de vôlei, tinha uma vida profissional e social muito bem sucedida. Seu emprego era o que se poderia chamar de "profissional liberal de nível superior". Sempre nos finais de semana vivia rodeado de amigos. Muitos amigos. Namoradas? Ricardo nunca soube o que significa a palavra "solidão". Pelo menos até agora.

Ricardo sempre teve namoradas. Uma atrás da outra. Mulheres chegavam a sair no tapa para disputar o belo mancebo. Muitas vezes, Ricardo não precisava tomar iniciativa, pois as mulheres se chegavam a ele. Enfim era um cara desejado. "Facilidade" era o seu segundo nome.

Eis que num belo dia, a última de suas namoradas, por um motivo que não conhecemos, decidiu romper o namoro com Ricardo. Ele, que nunca soube o que era receber "não", ficou arrasado. Revoltado de início, sentiu uma ira gigantesca que ao explodir, se converteu em uma depressão quase suicida.

Ricardo começou a sair sozinho, misteriosamente sem avisar ninguém, faltando encontro com amigos. Virou alcoólatra, largou o invejável trabalho e não voltou para casa, preferindo ficar "mendigando" em uma praia deserta.

Mas Ricardo ainda teve a chance de murmurar: "Sei que faço isso pra esquecer / Eu deixo a onda me acertar / E o vento vai levando / Tudo embora".

Isso é que dá uma pessoa não conhecer as dificuldades na vida.

Pobre Ricardo. Mal sabe ele que muitos gostariam de estar no lugar dele, tendo muito mais condições de superar, de forma mais corajosa e digna, o imprevisto infortúnio.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Pesos e medidas



Por Marcelo Pereira

Pesos e Medidas:

Meus defeitos:

- Não tenho aquela aparência viril que tanto agrada às mulheres (não sou branco, nem alto e nem atlético);
- Tenho déficit de atenção e um pouco de timidez, além de não ser tão esperto quanto deveria;
- Tenho opiniões e gostos que diferem da maioria das pessoas;
- Sou sincero (num país em que as pessoas preferem viver iludidas, ser sincero é considerado defeito).


Defeitos dos homens que fazem sucesso com as mulheres:

- Gostam mais de futebol do que de mulher;
- Vivem chegando embriagados em casa. Ainda se acham no direito de dirigir bêbados;
- Brigam por qualquer motivo banal;
- Traem as mulheres com outras mulheres ou com outros machos;
- Demonstram burrice e desinteresse quando o assunto não se relaciona com a sua vida profissional ou com futebol;
- Se acham no direito de errar pensando que estão acertando;
- Aparecendo a primeira ruga ou estria, jogam suas mulheres no lixo;
- E são teimosos. Nunca corrigem seus defeitos.


E aí, mulheres: têm certeza que vocês escolheram os caras certos para conviver?

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Maisie Williams, sua fofa!

Por Marcelo Pereira

Existem surpresas boas e surpresas ruins. A estas últimas damos o nome de decepção. E decepções são o que mais encontramos nas pessoas de hoje em dia. Pudera, pensávamos que o século XXI seria o século onde estaríamos totalmente evoluídos!

Mas claro que surpresas boas existem. Não são comuns, mas existem. Catando a gente acha. E uma dessas boas surpresas, não somente surpreendeu como surpreendeu muito. É um dos casos onde as melhores coisas são encontradas nos lugares, situações e pessoas que a gente menos espera.

Você conhece Sophie Turner? Não a nulidade que sobe e desce escada vestindo biquínis para sites masculinos de futilidades. Estou falando da jovem inglesa deslumbrante que atua no seriado épico Games of Thrones. Mas daqui a pouco vamos deixar de falar também nessa Sophie. Ela não é assunto para esta postagem.

O assunto, na verdade é outro. Estava eu pegando fotos da Sophie para a coleção de fotos de atrizes lindas e notei que ela aparecia em muitas delas acompanhada por uma baixinha de aparência esquisita. Me deu coceira e fui ver quem era essa baixinha. 

Decisão acertada. Acreditem. Ela é a melhor coisa surgida nos últimos tempos.

A tal baixinha, tão inglesa e tão "Game of Thrones" quanto Sophie, que faz a sua irmã (??!!!) na  dita série, é a inglesa Margaret Constance Williams. Mas para nós, ela atende pelo fofíssimo nome de Maisie. Afinal, há muitos anos (ou décadas?) não aparecia uma coisa tão fofa quanto a Maisie.

Conhece a expressão, "coisa fofa"? Se você conhece Maisie, terá a impressão que quem inventou essa expressão se inspirou em Maisie para criá-la.

Maisie é a coisa fofa propriamente dita. Sucesso no site Vine, rede social onde mostra videos produzidos artesanalmente pelos seus usuários, a atriz que faz a valente Arya Stark no citado seriado épico tem mostrado um charme raríssimo, além de um delicioso senso de humor, que eram comuns apenas em décadas bem remotas, quando as mulheres tinham o prazer de serem meigas e charmosas.

A fofa tem angariado muitos fãs através desses vídeos, inclusive entre os que não são muito interessados em seriados como o Game of Thrones. 

Mas não é somente no Vine que a bela (sim, bela! Esqueça os padrões: Maisie é que é a verdadeira gata linda!) mostra o seu melhor. Entrevistas mostram que ela é a pós PhD em meiguice e bom humor, se comportando exatamente do jeitinho que todo homem gosta.

E você deve estar perguntando: "se ela é tão quente assim, ela teria que ser sexy: ela é sexy?". Não se surpreenda se eu responder esta pergunta com uma afirmação. Sim, ela é sexy. Realmente sexy. Me arrisco a dizer que ela é sexy como ninguém mais consegue ser.

A dança sempre foi um dos prazeres de Maisie que estudou e passou a fazer parte de um grupo de dança da cidade de Bath, a mesma que apresentou o Tears for Fears (Shout, shout, let it all out!), quando encontra a oportunidade de mostrar a verdadeira Maisie Williams. Ainda mais apaixonante. Se acham que eu estou mentindo, cliquem neste link.

Fiquei pasmo como uma garota que à primeira vista parece não oferecer nada, mas acaba representando o ideal de mulher. Sim, Maisie é tudo. Seu charme, bom humor, sensualidade, inteligência e companheirismo são bem peculiares. Os belos olhos de Sophie (Sophie, quem é Sophie?) foram completamente ofuscados pelos igualmente belos olhões da surpreendente baixinha de comportamento espevitado.

Maisie representa, em uma só pessoa, tudo aquilo que os homens procurar numa mulher. Elogios não param de ser dados a ela nas redes sociais. Fóruns dedicados a ela parecem sites de Cardiologia de tantos coraçõezinhos que são colocados como emoticons em comentários. A quantidade de fãs, sobretudo masculinos, só aumentam, com direito a apaixonadas declarações de amor.

Maisie, quem diria... você, a mulher ideal... que eu estava procurando... 

Estou apaixonado. E eu nem fazia fé na baixinha esquisita. A mulher mais sedutora da atualidade.


domingo, 12 de outubro de 2014

Uma experiência e sua consequência

Por Marcelo Pereira

OBS: Foto puramente ilustrativa. O cara da foto nada tem a ver com a estorinha.

Celso era um cara extrovertido e boa pinta. Bonitão, alto e relativamente robusto era uma pessoa amável. Altruísta ao extremo, adorava ajudar os outros. Celso nasceu com a ideia de que iria ajudar os homens a escaparem da solidão.

Nunca negava ajuda. Tinha uma namorada firme, quase noiva, que conseguiu graças a seu carisma e facilidade de conquista. Mas como não era egoísta, decidiu repartir essa facilidade e a felicidade de estar acompanhado com os homens que encontrava pela frente. E eram muitos solitários a lhe pedir ajuda.

Celso fazia de tudo para que nenhum homem ficasse solitário. Não se limitava a ensinar as táticas de conquista. Nem se limitava a seguir regras sociais. Procurava sempre analisar cada caso e agir ou aconselhar de acordo com o tipo de limitação do homem a ser auxiliado. Chegava até a fingir que era amigo intimo de alguns deles para que a conquista pudesse ser facilitada.

Celso se sentia feliz em fazer os outros felizes. Sua missão de "cupido encarnado" era o que mais gostava de fazer e com isso sempre procurava evitar lágrimas nos olhos de outros homens.

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Otávio nunca se dava bem com as mulheres. Não era feio, mas era desengonçado. Míope, com má coordenação motora, Otávio era muito tímido, tinha déficit de atenção e um leve autismo. Mas queria muito namorar.

Suas limitações e as exigências sociais lhe impediam de conquistar as mulheres que queria. Muitas delas eram comprometidas, pois outros homens lhe passavam a perna. Quando tentava conquistar alguma garota, Otávio sempre se dava mal, pois seus defeitos lhe faziam cometer muitas gafes que espantavam as mulheres. Uma pena.

E o pior, ninguém lhe ajudava a conquistar nenhuma mulher. Ninguém lhe apresentava alguma mulher ou lhe dava dicas de conquista. Quando davam, eram dicas falsas, que só atrapalhavam ainda mais. Parecia que os outros homens se divertiam com as gafes que Otávio cometia e com o fato de estar solitário. Havia bullying de sobra para Otávio se tornar uma vítima. Isso era bom para os outros homens. Afinal, sobrava mulheres para eles.

Ele foi assim por muito tempo na vida adulta. Até que um dia adoeceu (a depressão não lhe estimulava a cuidar da saúde) gravemente e ficou hospitalizado. Antes de morrer, cedo, com cerca de quase 50 anos de idade e totalmente solitário, jurou para si mesmo:

Se eu voltar a viver e for um conquistador, vou ajudar os outros a nunca
ficarem sozinhos. Farei o que nunca fizeram por mim.

Otávio falece dias depois de ter falado esta frase, após meses internado por causa dessa doença grave.

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Muitos anos depois, nasce Celso, um lindo bebê sorridente e cativante. Era um menininho alegre, que conquistava a todos com facilidade e sempre gostava de ver os outros sorrindo. Um menino que cresceria sempre ajudando os outros meninos, mesmo nas brincadeiras mais ingênuas.

E aí, o que vocês tiram dessas duas estórias? Elas estão relacionadas? Certamente, é difícil negar essa pergunta...

domingo, 5 de outubro de 2014

A Neurose de Guerra da Vida Afetiva

Por Marcelo Pereira

"Quem chega primeiro, leva o melhor"
(Domínio Público)

Eu vou fazer uma confissão. Eu tenho um trauma psicológico. O meu trauma se refere à mulheres comprometidas. É um trauma estranho, raramente relatado pela maioria das pessoas e só conheço eu mesmo que tenha um trauma psicológico relativo a esse assunto.

Para entender o meu trauma, preciso dizer algo antes. Inúmeras vezes foram provados em testes com ratos que uma experiencia negativa repetida inúmeras vezes gera um trauma: se, por exemplo um rato recebe um choque toda vez que toca em um queijo, vai chegar um momento em que o rato vai se afastar do mesmo ou de qualquer queijo, por associar o alimento à experiência desagradável.

Portanto, vamos lá. O meu trauma se refere às mulheres comprometidas. Tenho uma crença subconsciente de que as mulheres que eu quero na verdade pertencem ou estão reservadas aos outros homens. As que estão reservadas para mim ou não me atraem ou podem me causar problemas e danos, no mínimo tédio.

Como originou esse trauma? Simples. Por inúmeras tentativas de conquista em que eu acabava tomando conhecimento, ou pela própria mulher ou por outras pessoas ou testemunhando pessoalmente fatos de que a mesma era comprometida (casada, namorando ou noiva), numa relação estável. E isso aconteceu de maneira incessante, muitas vezes, como um mesmo filme que se repete, mudando apenas um elenco.

Essa experiência moldou a minha personalidade. Me tornei, com isso, uma pessoa mais desconfiada, com receio de iniciativas desse tipo (não por timidez, pois não tenho uma personalidade tímida, mas pelo trauma em si - o medo não é de tomar a iniciativa e sim de repetir a experiência).

Um dos maiores danos é o de ter uma certa raiva dos outros homens, devido ao sentimento de inferioridade perante eles. Não chega a ser inveja, mas um sentimento de que os outros homens são melhores do que eu, pelo simples fato de terem sido aceitos pelas mulheres. Esse sentimento de raiva é um horror. Pensam que eu gosto disso? Claro que não! Isso aumenta ainda mais o meu sofrimento.

Por isso que critico bastante homens que se casam com mulheres que me despertam atração. Se Deus pudesse me punir pela desobediência daquele mandamento "não cobiçarás a mulher...", escolheria a pior punição. Não deve ser uma ideia agradável ser queimado vivo em uma fogueira.

Como lido com isso?

Aos poucos estou vencendo o trauma, com bastante sucesso. Com a rigidez das regras de conquista - que estabelece o perfil do homem "ideal", estipula modos, lugares e situações para que um homem consiga conquistar uma mulher, coisa de uma sociedade excessivamente exigente, o jeito é trabalhar meu pensamento para aceitar a solidão. Aos poucos vou conseguindo. Mas não é tarefa fácil, já que a vida afetiva é direito básico e ser humano não foi feito para viver sozinho.

Tive que tirar a vida afetiva de minha meta. Até isso é um privilégio de outros homens, pois não posso ter planejamentos do tipo "quando eu casar, eu vou..." e nem ouvir aquela cançãozinha "Com quem será que o Marcelo..." nas festinhas de aniversário. Isso não é direito meu.

Mas isso não significa que vou desistir da vida afetiva. Eu não quis dizer isso. Só vou tirar da minha meta de vida. Não dá para estabelecer como meta algo que se tem poucas chances de realizar.

Também não vou ficar com "as sobras", pois sou do tipo que acredita que é melhor ficar só que mal acompanhado. Tentei namorar várias "sobras" e tive que encerrar os namoros com menos de um anos de duração, por causa de algum aborrecimento causado pela relações sem amor.

A solidão não é tão desagradável assim, apesar de ir contra a natureza humana. Vou levando a vida assim, até que apareça alguém "que preste", sem criar expectativas quanto a isso. Muitas vezes a solidão é vantajosa, pois quem vive só possui o absoluto controle de sua vida - incluindo os gastos - esse sim, um privilégio que muitos "felizardos" casados com belas donzelas não possuem.

O jeito é admitir que a festa acabou e parar de exigir o bolo que já foi comido.

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NOTA: Semanas atrás enviei um pedido de "add" para uma lindíssima professora cearense que se parece muito com a atriz Irene Molloy, pois gostei de seu perfil, embora não tivesse lido todos os dados. Ela aceitou. Quando fui ao mural dela escrever uma mensagem de agradecimento lá estava a tenebrosa sentença "casada com Fulano". Imediatamente deletei ela da minha lista de amigos. Não tenho direito de ter uma mulher linda e inteligente?

NOTA 2: A letra da música abaixo metaforiza a neurose de guerra com a vida afetiva. Ouçam, prestando atenção na letra.


domingo, 21 de setembro de 2014

Quem é o sapo? Quem é o príncipe?


Por Marcelo Pereira

Uma bela garota culta e de bom gosto vai a uma festa e encontra um homem branco, alto, atlético como os jogadores de vôlei, e com voz grossa e jeito extrovertido.

- Nossa, que homem maravilhoso!!! Um verdadeiro príncipe. Quero me casar com ele! - diz a bela garota.

Os dois finalmente se casam numa linda festa. Chega a noite de núpcias e no dia seguinte, quando a garota acorda, próximo ao meio dia, nota sua cama vazia.

Ao chegar na sala, depara com um um medonho sapo gigante e gordo, o mais feio de todos e muito gosmento, sentado no sofá com uma lata de cerveja vazia assistindo a um jogo de futebol na televisão e gritando, entre arrotos:

- Mulé (blurp!)! Traga outra cerva (blurp!)! E rápido, sua vaca!!! (blurp!)

Enquanto isso, longe dali, um simpático sapinho, com uma bela coroa de ouro na cabeça chora em cima de uma vitória-régia de um brejo cercado por várias sapas gosmentas que coaxam sucessos do popularesco, irritando os ouvidos do pobre coitado.

E todos vivem infelizes para sempre...

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

E se eu seguisse o conselho dos outros para tentar arrumar namorada?

Por Marcelo Pereira

Viver num país onde o povo é submisso a regras é um martírio. Para você conseguir um benefício, você tem sempre que satisfazer a exigência de quem vai lhe dar o benefício. Seja ao comprar uma coisa (o preço é a exigência), seja para arrumar emprego, arrumar namorada, etc., sempre há uma exigência que quase sempre é muito superior em nível ao benefício relacionado. Corre o risco que você ter que trocar um Rolls Royce para obter um desentortador de banana.

Mas como não tem jeito, a sociedade é burocrática mesmo (e pensa que é democrática, humpf!), resolvi seguir (de mentirinha, claro) o conselho mais comum dado pelos hipócritas quando pergunto o que faço para arrumar uma namorada: ir a uma noitada em uma boate. Vamos ao sacrilégio.

Sexta-Feira, 18 horas. Chego em casa, vindo do trabalho, cansadíssimo, sedento por qualquer coisa que signifique "dormir" e me lembro que tenho que batalhar por uma companheira. Importante: procuro uma COMPANHEIRA, não uma curtição fútil. mas como as regras sociais definiram lugares fixos para paquera (depois do namoro iniciado, se amassar nojentamente pode em qualquer lugar, não é? Eca!), vou ter que ir a um lugar desses para tentar encontrar a cara-metade, mesmo sabendo que a maioria que vai a lugares desse tipo não quer nada sério. vamos lá.

Depois do banho e de uma boquinha (um sanduíche tá bom), saio correndo para pegar o ônibus ("ah, não, Marcelo... ônibus? Começou mal..."), pois carro suga dinheiro e quem ganha 5 salários mínimos não tem condições de manter, pelo menos sem passar fome.

Chego a bendita boate. Ao chegar fico tonto. Está escuro e a única iluminação são aquelas luzes que piscam sem parar que fazer suas vistas doerem. Depois de tatear muito, consigo alcançar uma mesa. Como não gosto de álcool (não gosto por não gostar, tenho a liberdade de não gostar de álcool), compro um refrigerante e um tira-gosto para esperar o movimento aumentar. Nisso um engraçadinho de fone de ouvido, em cima de um palco, coloca uma vinil em um prato girante e ZWWWAAWWZZZZZZZZ!!! Parece que um avião supersônico resolveu decolar justamente ao meu lado. Fico momentaneamente surdo (já estava quase cego por causa das luzes). Chega mais gente.

Resolvo ir a luta. Como não sou de dar cantada (Transtorno do Deficit de Atenção e Hiperatividade - esperteza limitada) fico dançando perto de algumas garotas interessantes esperando que me dêem o sinal para conversar.

A primeira: nada. A segunda: saiu de perto de mim. A terceira: veio um branquelo alto, daqueles que quase todas as mulheres e a Confederação Brasileira de Vôlei adoram, e ficou perto dela. Sem chance para um jogador de xadrez pigmeu do Suriname, como eu.

Aí veio a quarta, a quinta etc., etc., e etc. e nada, nadinha. Até que uma, visivelmente embriagada me cantou, dizendo que sou lindo. Recusei, pois nessa situação, ela vai pensar que dormiu com o Brad Pitt para depois acordar com o Tiririca. Com certeza não quer nada sério. Nada feito.

Sem sucesso, volto para casa no meio da madrugada (custa as festas terminarem de manhã? Não. Já terminam no meio da madrugada para as mulheres "testarem" seus namorados diante do perigo noturno. Vários meliantes aparecem no caminho, mas por sorte, muita sorte, não sou abordado. Vai ver que o fato de eu ser mestiço (ha, ha, ha! seus braquelos paus de vira-tripa, vocês são o alvo! Ha, ha!), além de me afastar das mulheres, me afasta dos bandidos. Pudera, estava só com o dinheiro da passagem, já que os refrigerantes consolaram minha solidão.

Volto para casa do mesmo modo que estava quando saí, tomei um bom banho e fui tirar a minha desejada soneca. Já basta ter que seguir regras alheias 5 vezes por semana, para que seguir também no final de semana.

Lição aprendida: não siga a regra dos outros. Faça as coisas de acordo com a sua vontade e o seu talento. mas se não der, se você vive em uma ditadura social como o Brasil, o jeito é se conformar com a falta do benefício até que venha a proclamação da democracia. "Mas quando será..."

sábado, 13 de setembro de 2014

Vai quem pode - Uma historinha

Por Marcelo Pereira

Dois caras diferentes estavam ao mesmo tempo de olho em um carro. Celso, o mais exigente deles fazia questão de um que tivesse direção hidráulica e marcha automática e não fazia questão de equipamento de som instalado. Mateus, pelo contrário, não fazia questão desses itens, mas queria o equipamento de som, que ele tinha condições de comprar em separado, caso o carro não tivesse. Ambos valorizavam a estética do carro.

Só que Celso não era tão rico como Mateus. Ganhava para viver com conforto, mas sua renda não lhe dava vantagem na hora de comprar um carro tão cheio de qualidades. Celso até se esforçou juntando dinheiro para comprar o carro, que na loja da cidade onde ele e Mateus moram, só tinha um exemplar de um carro com as características desejadas por Celso e era a única loja.

Num belo dia, o carro dos sonhos de Celso finalmente chega à loja. Celso toma conhecimento disso e vai para a loja para adquiri-lo. Ao chegar acabou sabendo que o carro havia aumentado de preço, por causa de custos extras surgidos no transporte da fábrica até a loja. Celso ficou arrasado e saindo da loja, foi imediatamente arrumar mais dinheiro, sem a garantia de aquisição do carro, que não poderia ser reservado.

Ao voltar para a loja soube que um outro comprador havia adquirido o carro. Era Mateus, que Celso não conhecia e que havia saído minutos antes feliz com o carro, que tinha tudo que Celso fazia questão, mas que era supérfluo para Mateus. De qualquer forma, Mateus gostou do carro e comprou, mesmo não fazendo questão dos itens adicionais.

Celso teve que se contentar com um carro menor, (e mais barato, tendo poupado a saída para pegar mais dinheiro) e sem os itens que tanto desejava, apenas para não ficar sem carro.

Pensem bem, amigos. Na vida afetiva não acontece a mesma coisa? As mulheres que são únicas, que tem as qualidades que fazemos questão e que só elas tem, não acabam casando com maridos que nem fazem questão dessas qualidades? Homens que poderiam se casar com qualquer mulher que aparecesse em suas frentes?

Enquanto nós temos que nos contentar com mulheres não nos satisfazem por terem menos qualidades, sem aquele diferencial que as desejadas, que acabaram casando com outros, tinham?

terça-feira, 20 de maio de 2014

Pesca de Traíras

Por Marcelo Pereira 

Desde criança fui orientado a não confiar em ninguém. Cérebros são armários muito bem fechados e onde apenas os próprios donos tem acesso a eles. Mesmo que as pessoas queiram expor o que está dentro deles, nem sempre o que é exposto é na verdade seu conteúdo. De qualquer forma, o que está no cérebro de cada um é um patrimônio a ser preservado.

Expôr um pensamento tem tudo a ver com a necessidade de sobrevivência. Dependendo do que é exposto, podemos ganhar benefícios ou amargar sérios prejuízos. Essa necessidade de preservar a integridade e os interesses particulares que faz com que as pessoas escolham que ideia expor em cada situação. E muitas vezes o que é exposto não é o que existe de fato.

Vivo rodeado de pessoas com que não consigo confiar plenamente. Todos os seres humanos mentem, sem exceção. Eu mesmo menti muito. E ainda minto, quando necessário, embora deteste mentir. Esta postagem inclusive está mostrando uma verdade triste que o bom senso social deveria esconder. Em muitos casos falar a verdade é um sério risco, pois mentiras leves (e alguns casos, as não leves) protegem. E a verdade desta postagem poderá bagunçar o cenário.

Não tenho muitos amigos de verdade. Mesmo amigos mais chegados tem sérias divergências comigo. Isso se dá pelo fato de que os brasileiros gostam de defender uma ideia em que acredita por muito tempo. A medida que o tempo passa, um ponto de vista, mesmo errado, vai se sedimentando e permanecendo por muito tempo, vira "patrimônio" e o seu dono luta com unhas e dentes para mantê-lo. Em muitos casos o seu detentor prefere perder a vida do que mudar o seu ponto de vista equivocado.

Vivo rodeado de gente teimosa e com capacidade de trair. Já fui traído por vários tipos de pessoas e das mais variadas formas. Gente que vive me elogiando, finge concordar com meu ponto de vista, mais tarde se revela um discordante de minhas ideias. E olha que defendo minhas ideias com mais base na lógica do que em interesses pessoais. Mas lógica nunca foi o forte dos brasileiros, que preferem mesmo é seguir a maioria, o que parece mais seguro. Pelo menos para os outros.

Ainda vejo muita gente assim, que prefere seguir uma maioria de equivocados do que ouvir meus conselhos lógicos. Seguir a maioria das pessoas e instituições e pessoas prestigiadas é mais seguro porque são elas que consagram as ideias. É que se chama de "senso comum" , um ponto de vista defendido coletivamente e que se transforma numa regra informal a ser seguida com bastante rigor. Contestar o senso comum isola o contestador, que perde direitos essenciais que só podem ser conseguidos coletivamente, ou seja, agradando as outras pessoas.

E por isso mesmo que um repertório de valores defendidos coletivamente são difíceis de derrubar. os hábitos sociais só mudam quando muda o senso comum. Não adianta três, quatro, cem mil pessoas tentarem mudar a ideia. Ela só muda de fato se no mínimo 90% das pessoas mudarem. Enquanto esses 90% continuarem com seus valores equivocados, a sociedade com um todo nunca muda.

Mesmo havendo uma contestação por meio de redes sociais desses valores errados, fora desas redes, esses valores continuam fortes e garantindo o poder de muito peixe grande. Claro que é muito mais seguro estar do lado do peixe grande, por mais desonesto que ele seja, pois o peixe grande garante o alimento (mesmo escasso) dos peixinhos pequenos que andam ao seu lado. 

Muita gente até pode fingir que defende ideias avançadas, pontos de vista mais lógicos, diante de amigos nas redes sociais. Mas essa mesma gente sabe muito bem que nadar contra a maré é sempre mais arriscado. Seguir a correnteza parece mais seguro e fácil, mesmo que no final ela acabe em um letal despenhadeiro. Mas como exige menos esforço seguir a correnteza, vai se seguindo.

Por isso vejo que não existe brasileiro 100% progressista. Aquele cara que por exemplo, em política pode ser avançado, em cultura pode ser retrógrado; uma pessoa que pareça mais lógica em um determinado assunto, pode ser bem imbecil em outro. E assim, fica quase impossível manter uma concórdia plena.

Sei que a maioria esmagadora dos brasileiros monta seu repertório de convicções por base nas crenças e não na lógica. Usar a lógica existe esforço e a negação de certos prazeres fúteis (zonas de conforto). Legal mesmo para essa gente é continuar com suas confortáveis convicções que embora gerem, mesmo indiretamente, danos coletivos, dá prazer e bem estar aos que as defendem.

Por isso mesmo eu me sinto traído em muitas situações. Gente que finge concordar comigo, com o interesse em manter a minha amizade, na verdade prefere defender o senso comum, arraigado e já consagrado e protegido por autoridades, celebridades e gente influente, formadora de opinião. Como eu não sou formador de opinião, nas horas críticas, ninguém quer ficar do meu lado.

Estar do lado dos peixes bem grandes é o que interessa, nem que seja necessário que cada brasileiro traia seus amigos em prol da sobrevivência social de cada um. Como traíras, lindos peixes pequenos que escondem ferozes dentes que podem arrancar pedaços, na hora mais surpreendente.

Vivo pescando traíras. Mas sempre acabo comido por elas.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Se eu fosse egoísta, eu seria feliz

Por Marcelo Pereira

Ando pensando muito a respeito. Eu deveria ser egoísta. Deveria pensar mais em mim e esquecer os outros. Sofro muito em tentar querer um mundo melhor, mas olho ao redor e vejo que nada caminha para as melhorias. Tudo piora. TUDO mesmo.

Se eu fosse mais egoísta, entenderia que no fundo, ninguém quer melhorias. Todos se contentam com paliativos. Ficam felizes em ver líderes gananciosos tomando para si o que deveria ser da coletividade. E líderes felizes, pois em seu egoísmo, além de não terem que se esforçar para melhoras as coisas ao redor, acumulam bens e mais bens que além de satisfazer os interesses particulares, lhes dão poder de domínio e persuasão.

Perco muito tempo de minha vida  desejando um mundo melhor. Me estresso por causa disso. Não tenho meios para lutar de fato para acabar com os problemas, embora eu saiba como. Mas quem tem os meios para mudar o sistema, não tem interesse ou não sabe como. E no final tudo fica na mesma.

Se eu fosse egoísta eu poderia me isolar de tudo. Já que não posso melhorar o mundo como um todo, melhoro o meu "mundo". Como uma criança que, cansada das brigas familiares (cada vez mais comuns, não é?) se fecha no quarto e com seu brinquedos tenta construir um mundo que lhe satisfizesse.

Pesquisas sempre mostraram que egoístas são mais felizes. Altruísmo gera preocupação. Querer que os outros melhorem sem ter meios para fazer com que os outros melhorem, estressa demais. Chega a levar a loucura.

Claro que eu preferia ser altruísta. Mas descobri que não dá para ser altruísta sozinho. legal seria que todos nós uníssemos com o objetivo de melhorar o sistema. Mas ninguém se une. Quando aparece a oportunidade de acabar com um problema, todos fogem amedrontados, como se esse problema fosse um monstro gigantesco e muito forte. Complicado.

Já que minha ação é inútil perante os problemas que parecem muito maiores que minha capacidade de ação. Vou tentar ser egoísta. Difícil, pois o altruísmo é sinal de evolução e voltar ao egoísmo seria um retrocesso. Mas não dá para ser altruísta quando você sabe que suas mãos estão muito bem amarradas para ser utilizadas em qualquer ação.

Mas não quero o altruísmo paliativo. Este todos já fazem e não tem mudado nada. Não te melhorado a vida de ninguém de modo significativo.

Então, me trancarei no mais silencioso egoísmo. Até que um dia alguém com mais poder e recursos possa me chamar para iniciar atitudes que possam realmente acabar com os problemas. Aí sim, terei o prazer  de conhecer uma nova forma de altruísmo que não seja estressante. Assim espero.

terça-feira, 8 de abril de 2014

O que passou, passou

Por Marcelo Pereira

Stewart Samson era um famoso e experiente arqueólogo. Visitou os monumentos mais famosos do mundo e era uma referência para estudantes de arqueologia pelo mundo todo. Samson conseguiu realizar as mais audaciosas aventuras em busca de informações históricas sobre fatos do passado remoto. Mas Samson queria mais. Queria visitar a misteriosa tumba do faraó Ramon-Tut, no deserto de Amp, na Liméria, país onde o famoso faraó governava na Idade Antiga.

Mas todos, em unanimidade, sempre aconselharam a não ir à pirâmide onde está situada a tumba do faraó Ramon-Tut. Os que tentaram entrar na pirâmide morreram ainda no meio do longo e claustrofóbico túnel, sem dar qualquer notícia e sem que os corpos sejam achados. 

Mas isso não intimidou Samson Era o seu sonho conhecer a tumba e o fato de muitos sequer terem conseguido só aumentava ainda mais a vontade de ir lá. Samson se achava com a responsabilidade de codificar os dados sobre a misteriosa tumba  e iniciou imediatamente todo o preparo para a audaciosa viagem, mesmo com os conselhos sábios de amigos, aparentes e colegas de trabalho.

Ao chegar na Liméria, Samson finalmente encontra a bela pirâmide. Seus colegas ainda tentaram na última das últimas horas demovê-lo da insistente loucura. Samson bateu o pé e disse que não iria desistir.  E lá foi ele entrar na temida pirâmide, sozinho. Sua equipe, apreensiva esperava do lado de fora.

O túnel era realmente longo e apertado. Para se ter uma ideia, Samson teve que andar curvado, algo que era um enorme sacrifício para os seus 1,90 de altura. Cansado, com dor nas costas e suando bastante, Samson não parecia desanimado. pelo contrário. Estava feliz em realizar o seu sonho. 

Como era experiente, conhecia técnicas de respiração, e por isso conseguiu ultrapassar a parte do túnel onde muitos dos outros arqueólogos morriam. Estranhamente não viu nenhum cadáver, possivelmente já decompostos pelo longo tempo. Ao se aproximar do fim do longo túnel teve uma surpresa.

Samson viu uma estranha luz em um ambiente que lembra um quarto sem móveis. Apenas a tumba estava lá. E a tumba se abril, já que o seu, digamos, habitante notou a presença de movimento no recinto. E da mesma sai um fantasma, deixando o enfaixado corpo ainda adormecido na tumba aberta. O fantasma tinha as feições de um imponente faraó e se materializou, perguntando irritado ao recém chegado arqueólogo.

- O que faz aqui? Você não foi suficientemente avisado de que nunca poderia entrar aqui?
- É que sou arqueólogo e preciso fazer uma pesquisa, saber mais sobre você para ensinar ao mundo.   - justificava Samson, meio apreensivo por encontrar um fantasma, pois não esperava por isso.
- Grande erro. O que todo mundo tinha que saber sobre mim, já sabe. Você deveria ter morrido no meio do caminho. E como foi teimoso em vir até aqui, vai ter que me fazer um favor. Mas terá que morrer para fazê-lo.
- Morrer? Como assim? - disse Samson, já preocupado.
- Você terá que ceder a matéria de seu corpo para que eu possa voltar a vida e concluir os meus objetivos. Sou faraó, sou rei e preciso governar.
- Mas se eu morrer, não poderei ensinar sobre você.
- É mas eu voltando á vida, não será necessário que você fale sobre mim. Eu mesmo falo. Não mais sobre meu passado, que não interessa mais, mas sobre meu presente.

Samson acabou morrendo e seu corpo foi utilizado pelo faraó para voltar a vida. Ramon-Tut moldou o novo corpo com sua tradicional aparência enquanto a da múmia passou a ter a aparência de Samson, só que meio decomposta e escurecida.

Os colegas de Samson estranharam a demora. Mas poucos minutos, viram um ser com aparência de faraó bastante entusiasmado saindo meio apressado e correndo em busca da civilização. os colegas ainda esperaram por mais um tempo e concluíram que Samson havia morrido.

Hoje, a tumba de Stewart Samson pode ser visitada muitas vezes, sem qualquer risco de maldições ou contaminações por fungos e, graças a refrigeração e sistema de circulação de ar construídos pelos colegas do arqueólogo, a pirâmide tem sido um enorme sucesso de visitas, onde todos poderiam ver o cadáver do importante arqueólogo, bem conservado pelo seu isolamento.

Enquanto isso a Liméria passou a ter a sua mais cruel autocracia, com um grande saldo de mortos, de torturados e de pessoas presas. 

segunda-feira, 17 de março de 2014

Em busca do Humphrey Bogart perdido

Por Marcelo Pereira

As mulheres tem fama de exigentes demais com os homens, sobretudo nos aspectos de proteção e sustento. Apenas a beleza facial e o caráter são dispensados pelas mulheres o que explica porque homens feios ou de índole perversa ainda são bastante desejados pelas mulheres.

Visitando sites e fóruns que ensinam os homens a conquistarem as mulheres vejo que as mesmas seguem um padrão fixo (pelo menos segundo o que estes sites dizem), na hora de escolher um homem. E todo homem deve seguir rigidamente estas regras, como se todas as mulheres quisessem a mesma coisa. Como se todas as mulheres estivessem a procura de uma versão atualizada do Humphery Bogart.

Coloquei o famoso ator como exemplo porque pelo que se analisa do perfil comumente atribuído ao chamado "homem alfa", o perfeito,  "príncipe encantado", o "deus apolíneo", se encaixa no perfil do personagem interpretado pelo citado ator em Casablanca, um filme superestimado e que considero um dos mais tediosos que eu já assisti.

O cara que só anda de terno, de pose sisuda, que fala sussurrando com aquela expressão facial que você não consegue saber se ele está feliz ou chateado, que fuma, enche a cara e só fala de futilidades com a mulher que senta na mesma mesa, é o perfil descrito como "ideal".

Claro que tudo isso em versão atualizada, "muderna", acrescentando uma tatuagem ali, outro palavrão aqui, música ruim ao invés do excelente jazz mostrado em Casablanca (a música é a melhor coisa do filme - toque de novo, Sam!) e teremos a versão atualizada do galã canastra, uma espécie de anti-romântico mais adequado aos tempos insensíveis em que vivemos hoje.

As mulheres espantalho - a maioria esmagadora das mulheres de hoje, que não pensam, nem amam, gostam desse tipo de homem, meio safado, mas nem tanto. Um pouquinho malvado (surra de amor não dói?) mas sem se assumir como malvado. Pelo jeito as mulheres se enjoaram do romantismo.

E para piorar, enquanto as mulheres (des) aprendem a não serem românticas, os homens cada vez mais querem romantismo e ficam encalhados por causa disso pois é o anti-romântico que irá flechar o coração das masoquistas mulheres, que sonham com um macho que as despreze, as humilhe e as traia, seja com outra mulher, seja com futebol.

Os homens mais românticos, joviais e de vida mais simples, sem aquela obsessão por restaurantes caros e jantares noturnos, preferindo uma casa em uma paisagem florida, a cada dia que passa encontram dificuldade de conquistar as mulheres que desejam, tendo que se conformar com o que aparece pela frente.

E os sites que tentam ajudar os homens a conquistar as mulheres, na verdade mais atrapalham do que ajudam, pois se baseiam em estereótipos e só oferecem conselhos vagos, que intimidam ainda mais os homens que já são receosos em se dar mal em uma conquista.

As regras de conquista deveriam mudar. As mulheres deveriam recuperar o romantismo e desejar um homem menos "alfa", pois ele é irreal e compensa as suas qualidades com sérios defeitos que destroem casamentos todos os dias.

Enquanto o disco da conquista afetiva continua pulando, repetindo velhos estereótipos, para mim, só resta uma coisa a dizer: Toque de novo, Sam!

quinta-feira, 13 de março de 2014

Entrevista com uma celebridade sincera

(Por Marcelo Pereira)

Quando vou a casas de amigos, sempre vejo a TV ligada em algum programa dominical como o do Faustão, aparecendo aquelas celebridades posando de santas e falando de valores elevados que, para quem é bem informado, sabe muito bem que tal celebridade não segue. Se no domingo, Fulano aparece na TV sendo canonizado pelo Faustão, na segunda-feira seguinte lá está ele, na internet aprontando alguma bobagem que desmente o seu bom-mocismo.

Eu não acredito e celebridades. São gente arrogante, egoísta, fanfarrona, chegadas a uma noitada com farta bebedeira e só fazem amizades e/ou namoram com gente muito bem remunerada. Quando fazem alguma caridade, é algo supérfluo, paliativo e feito com interesses de reconhecimento público ou até mesmo de retorno financeiro.

Mas muita gente acredita, prova de como as celebridades conseguem convencer nas atuações, mesmo quando não estão interpretando seus personagens. Eles atuam melhor quando eles fingem ser eles mesmos.

Portanto, chega de hipocrisia! Nosso blog acaba de fazer uma raríssima entrevista com uma celebridade sincera. Ele nos falou tudo. Só pediu para não revelarmos sua identidade, pois poderá prejudicar todos os lucros e o poder midiático que ganhou por sua bem sucedida carreira. Mas mostrou os verdadeiros podres que passam nas cabecinhas ocas das celebridades e que nunca é revelado nas entrevistas dos programas dominicais ou em outros meios. Com vocês, a Celebridade Sincera em entrevista ao Planeta Laranja:

PLANETA LARANJA - Antes de tudo, quero agradecer por ter aceitado a nossa entrevista, já que era a nossa vontade tê-lo em nosso blog.

CELEBRIDADE SINCERA - Eu que agradeço, já que é a oportunidade de divulgar o meu trabalho. Afinal, ganhou muito dinheiro graças ao meu trabalho e qualquer forma de divulgação é bem vinda, mesmo de tabloides sensacionalistas ou de fotografias tiradas por paparazzi.

PL - Os paparazzi te incomodam?

CS - Às vezes, quando eu quero sossego. Mas tem alguns momentos que me divirto com eles. São gente tola, pensam que nós trabalhamos para eles. Mas eles nem sabem que na verdade eles é que nos favorecem. Mesmo uma nota negativa, ajuda, e muito, a me manter na mídia e fixar os meus ganhos com publicidade e com convites de trabalho.

PL - Tem recebido muitos convites?

CS - Sim, e muito. O engraçado é que quanto mais escândalos aparecem na minha vida, mais trabalhos aparecem. Sabe como é: a mídia odeia gente correta. Gosta de gente que finge de correta. mas de gente correta, não. Ator que tem vida pacata tem carreira curta. Desaparece a médio prazo. legal é encher a cara na madrugada, berrar, badalar, vadiar e trepar com a primeira pistoleira de plantão.

PL - E a sua relação com as fãs?

CS - Tadinhas, são muito sonhadoras. cada uma pensa que eu estou casado com ela. Vão ao meu camarim me encher com aqueles presentes ridículos e algumas chegam a fingir que estão passando mal para poder receber meu carinho. Para ficar bem na fita, até faço o que elas querem. Mas acabado tudo, jogo fora todos os presentes e vou correndo tomar banho para tirar a inhaca daquelas iludidas. Às vezes dou risada ao saber que existem gente tão idiota.

PL - E o relacionamento com sua namorada de anos?

CS _ Rapaz, vou te dizer uma coisa... Não espalha para ninguém porque isso pode me prejudicar. Melhor... Vou te dizer várias coisas. A primeira é que a namorada que aparece comigo na TV e nos tabloides não é a minha verdadeira namorada. Segundo, não gosto nem da verdadeira e nem da falsa. Aliás não gosto de ninguém. Gosto de mim. Eu sou o máximo, o melhor. Não preciso de companhia. Afinal, como um apolíneo de 1,97m como eu vai ficar com uma qualquer? Um cara como eu merece uma europeia bem rica. Até as ricas brasileiras não prestam. Umas mal amadas de baixa auto-estima que só gostam de torrar dinheiro no shopping e fazer filhos.

PL - Você nunca teve filhos, não é?

CS - Taí um assunto que me irrita. Filhos. Só servem para dar problema e sugar dinheiro. tenho vários mas não crio nenhum. Sou obrigado a pagar pensão a cada um. Meu orçamento se reduz um pouco por causa disso. Mas ainda bem que com minha fama e com o que eu ganho, sempre estou abrindo uma boate e ganhando muito dinheiro com ela. Semana que vem inauguro a 30ª filial de minha famosa rede de boates, só frequentada por gente da moda.

PL - Você acredita que a sua fama irá acabar?

CS - Deus me livre! Não fale nisso! Fui feito para ser famosos, ser amado, adorado! Ver todas as pessoas beijando meus pés e pagando mico para me agradar em faz feliz! Sair da fama é como me trancar num lugar isolado! Quero mais é ficar famoso e farei de tudo para me manter na mídia, nem que tenha que andar pelado na rua!

PL - Você é altruísta? Participa de campanhas filantrópicas? Você ajuda as pessoas carentes?

CS - O quê? Ajudar? rapaz, você está sonhando... Quero mais que os carentes se danem, que os excluídos sejam excluídos! Pobres foram feitos para me pagar. Eles é que tem que me ajudar! Sou o ídolo deles! Participo dessas campanhas só para me favorecer, já que fingir de "santo" me favorece. Mas não quero ajudar ninguém. Quanto mais rico eu for, melhor. Se eu der meu amado dinheirinho para os outros, aí me ferro.

PL - Mas você apareceu domingo passado num programa de TV falando coisas lindas sobre valor humano, caridade, lições de vida...

CS - Você disse bem: programa de televisão. Sou ator, uma celebridade. Sou pago para interpretar, fingir. Quer me conhecer, não me veja na TV. Quando eu falei aquilo tudo, eu estava interpretando um personagem. Não sou nada daquilo, não. Valores elevados para mim, é o preço que paguei pela minha coleção de carros importados. Lição de vida? Ora, ora, paciência... Não tenho tempo para bobagens desse tipo.

PL - Mas muita gente se comoveu com o que você disse.

CS - Repito o que eu falei: sou pago para fingir. Aparecer em programas de TV, dando entrevista falando sobre "lições de vida" e "valores elevados" faz parte de meu trabalho. Estou vendendo um produto que sou eu mesmo. E como todos gostam de "santinhos", eu me fiz de um para continuar ganhando mais simpatia do público e mantendo os meus lucros, que vem crescendo a cada minuto.

PL - E toda celebridade é como você?

CS - Sem dúvida. Ser bonzinho não vale a pena, só perde. Hoje o legal é ser egoísta, sem assumir o rótulo. Celebridade que é bondosa de verdade prede e em pouco tempo entra no ostracismo. Ninguém gosta de gente correta, mas de gente que finge que é correta. A vida sem excessos é tããão chata.

PL - Essa entrevista que você está me dando não vai te prejudicar?

CS - Bom, prejudicaria se você revelasse quem eu sou. Peço com urgência para que não revele a minha identidade. Mas de qualquer modo foi bom porque foi um desabafo. Estava cansado de fazer o papel de "santinho". Quero mais é extrapolar, extravasar. Como seu blog não tem a visibilidade da grande mídia estou tranquilo.

PL - Apesar de não gostar de sua postura e de suas opiniões, agradeço a entrevista, por revelar tudo aquilo que eu acreditava sobre as celebridades.

CS - Pode anotar que é isso mesmo. Celebridade correta e bondosa nasce morta. A fama dá a oportunidade de sermos ainda mais promíscuos. E o que os outros chamam de promiscuidade é o que eu entendo como a total e legítima liberdade. Liberdade que eu tenho o direito.

PL - Bom, você faz da vida o que quiser. Posso publicar?

CS - Pode, desde que não diga quem eu sou. Pode estragar a minha carreira e a de outros.

PL - Vou te chamar de "Celebridade Sincera", pois apesar das ideias incorretas que obviamente reprovo, você pelo menos não foi hipócrita. Encarrada a entrevista. Obrigado e... tenha juízo.

CS - Agradeço a oportunidade de desabafar.

domingo, 2 de março de 2014

A única vez em que consegui conquistar uma mulher por quem eu estava apaixonado e mesmo assim não resultou em namoro

(Por Marcelo Pereira)

Eu havia mencionado em outras oportunidades que nunca namorei quem eu estivesse apaixonado. Conquistar mulher é uma tarefa difícil, graças as injustas e incoerentes regras de conquista impostas pela sociedade cada vez mais preguiçosa, preconceituosa e excludente.

Mas houve uma vez, uma única vez que consegui, quase sem querer, conquistar uma mulher por quem eu havia me apaixonado. Infelizmente não deu em namoro, pois o destino se intrometeu e estragou tudo. No final desta postagem vocês saberão como. Mas foi a única vez  nos meus quase 42 anos de vida que consegui conquistar uma mulher por quem eu havia me apaixonado antes.

Só para esclarecer: não confundam paixão com atração. Já conquistei muitas mulheres que eu estava a fim, mas não estava apaixonado. Estar a fim é uma coisa, estar apaixonado é algo muito mais intenso. 

E normalmente, a maioria das pessoas não consegue se casar com quem está realmente apaixonado. Normalmente se apaixona depois ou apenas um dos cônjuges está apaixonado, enquanto o outro só gosta, geralmente com amor fraterno. Existem exceções mas esta é a regra.

Já para mim, o normal é repelir quem eu me apaixono, como no caso da "Senhora A", a garota que em Março deste ano completa 30 anos que a conheci. Nunca namorei com esta e hoje ela nem me quer como amigo, me bloqueando em redes sociais. Ela está casada, com uma filha e aparentemente satisfeita em sua rotina e seu feudo limitado de amigos. falarei mais dela na segunda semana de Março, quando comemorar a fatídica data. Mas esqueçamos a "Senhora A" e vamos a outra mulher que consegui conquistar.

Quando o "cupido" virou paixão

Salvador, cerca de abril de 1991. Apesar de ser o segundo ano de minha estadia na capital baiana, era o primeiro em que pude realmente me sociabilizar. O ano anterior, 1990, eu estava em uma escola técnica onde a maioria dos alunos não se entrosava (deve ser porque era uma escola de ciências exatas, com alunos de personalidade maios "fria"). Eu, então recém chegado e normalmente com dificuldades de me sociabilizar, travei logo, podendo me soltar apenas no ano seguinte, quando a estoria que vou contar se passa.

Em 1991 mudei de escola. Era o primeiro ano do ensino médio (que tive que começar de novo, graças ao fracasso do ano anterior). Descobri que a tal escola técnica foi um erro.Me matriculei numa escola comum, o Colégio Águia, hoje extinto e que era situado em frente a movimentadíssima  Praça da piedade, coração do centro de Salvador.

Eu estava a fim, mas ainda não apaixonado por uma garota de aparência frágil chamada Márcia (calma, não é essa a musa desta postagem!). Como não consigo esconder minhas emoções, os colegas mais próximos acabaram sabendo disso. Uma colega da turma, amiga e vizinha de Márcia (moravam perto, no bairro do Bonfim, bairro que gosto muito e onde fica a famosa igreja, e pegavam ônibus juntas), de nome Kátia Valéria, de aparência indígena (da mesma etnia indígena, mas pouco semelhante a atriz da foto) se ofereceu a ajudar a conquistar. Não deu certo, pois Márcia acabou recusando, mesmo com o esforço da amiga.

Mas uma coisa bem estranha aconteceu. Aos poucos perdi o interesse por Márcia, o que fez com que me conformasse rápido com a rejeição. Mas passei a gostar de Kátia. Pior, o meu interesse por Kátia só foi aumentando gradativamente, se convertendo aos poucos em paixão.

Simultaneamente acabei sabendo que a paixão era recíproca. Apesar de ter me ajudado a conquistar outra mulher, Kátia acabou criando afeto por mim. Talvez por isso mesmo, pois foi a oportunidade da bela indiazinha perceber o meu jeito e criar afeto.

Mas a direção da escola arrumou um jeito de dificultar as coisas. Graças a dependência de Matemática, que ela não conseguiu aprovação na série anterior, a direção obrigou Kátia a estudar no turno da tarde, tendo que fazer a matéria Matemática de manhã, onde ela ficava pouco tempo e normalmente sentava longe de mim (embora os alunos não fosse obrigados a ter lugar fixo, muitos preferiram fixar seus lugares), indo embora logo em seguida após o fim da aula. Triste.

Mas teve uma época que ela sumiu mesmo. Não foi mais vista sequer nas aulas de Matemática. Ou ela desistiu da dependência (ela poderia optar por cursar integralmente a série anterior toda) ou se mudou para outra escola. Não a mais vi.

Mesmo com a ausência, fui nutrindo a paixão por ela, embora chegasse a me apaixonar por uma nerd, de nome Ioná, no ano seguinte, 1992, onde por causa da crise financeira me mudei para uma escola pública, a Central, que tem a mesma importância que o Liceu Nilo Peçanha de Niterói. Cerca de dez anos depois, ao fazer a prova de encerramento de curso superior, reencontrei Ioná e tive uma longa e excelente conversa com ela, mas sem sucesso de conquista, apesar de ter concluído que Ioná também era uma mulher ideal para um relacionamento sério.

O encontro inesperado e feliz, antes da ruptura brusca

Mas vamos a 1997. Como a conquista da nerd Ioná fracassou, voltemos a indiazinha Kátia. Como falei, fui nutrindo uma paixão por ela, embora conformado com a hipótese de nunca mais vê-la.

Passei no Vestibular para Letras (que escolhi meio sem convicção, só para ter um "diploma") na UFBA em 1996. O início do ano letivo seria no ano seguinte. Ao chegar na faculdade, no segundo dia (no primeiro, o campus estava vazio), uma grande surpresa: Kátia Valéria estava lá.

Uma curiosidade: é a mesma faculdade me deu a oportunidade de conhecer, em 1998, uma xará tão linda, Cátia Regina, que fez aniversário no último domingo e que também me apaixonei. Ainda tento conquistá-la on line (ela está no Facebook e mandei uma mensagem carinhosa de parabéns), embora tivesse tido uma oportunidade melhor nos últimos dias que morei na capital baiana, onde ela chegou a trabalhar perto de onde eu morava. Coincidentemente, além do mesmo nome (só que com "k"), Kátia Valéria faz aniversário na mesma semana de sua xará (não me lembro a data) e  paralelamente a Letras, fez Administração como também fez a outra Cátia. Letras e Administração (esta por vocação) são duas faculdades que tem a ver comigo. Um festival de coincidências que une as duas C(K)átias maravilhosas.

Mas voltando à indiazinha, ela estava soberba, ainda mais linda e gostosa. Demorei para conseguir conversar com ela, pois ela, tendo entrado no ano anterior, não estava nas mesmas disciplinas que as minhas. Mas coincidentemente no dia do meu aniversário (21/03) consegui e olhei bem nos olhos dela, apesar do assunto ser trivial. Como acreditava que veria mais vezes, não me apressei em me declarar ou tocar no assunto. Só que em pensamento, disse a mim mesmo, sem falar, "você é a mulher que eu quero". Jóia. Era uma sexta feira e passei o final de semana sonhando.

Mas a partir da semana seguinte ela sumiu. Achei normal no início pois achava qu era uma falta comum. Só que arrastou semanas, meses, anos e nenhuma notícia dela.

Na conversa ela, que ficou bem alegre ao me ver (ainda gostava de mim), me havia dito que estava fazendo simultaneamente administração em uma faculdade particular. Mas não fui procurá-la. Me conformei com a situação até porque havia muitas gatas no ambiente (faculdades são redutos de mulheres lindas em qualquer cidade: se você me pedir para mostrar as mulheres mais lindas de Niterói, te levo à UFF). Nunca mais tive notícia de Kátia Valéria e nem a encontrei na internet.

E assim foi esta postagem, sobre a única vez que consegui conquistar uma mulher que não somente admirava como estava apaixonado. Pena que o final não foi feliz.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

O galã das mulheres carentes

Por Marcelo Pereira

Estou muito longe do padrão definido como "galã". Sei que o homem não precisa ser bonito para ser considerado galã. Ele tem é que cumprir rigorosamente os requisitos exigidos que o caracterizem como um protetor ou provedor ideal. Tanto é que os maiores galãs brasileiros nem são os homens mais bonitos do país, seduzindo muito mais pela postura firme do que pela beleza.

Eu me considero bonito. Mas não me considero atraente. Minha popularidade entre as mulheres é risível e uma grande maioria das minhas admiradoras, formadas maciçamente por mulheres carentes, não me interessa. Parece que as mulheres só se lembram de mim, quando os outros homens se esquecem delas. Somente poucas realmente atraentes se sentiram atraídas por mim, e isso na minha mais tenra adolescência, fase da vida onde as mulheres ainda não se comprometeram seriamente com as hordas de babacas sortudos.

Nada contra a felicidade das carentes, mas entendo que um relacionamento saudável deve ter uma reciprocidade de atração, senão nada feito. Não vou obrigar ninguém a gostar de mim, mas não me obriguem a gostar de alguém. Muitos relacionamentos se arrastam no fracasso pelo medo de muitos homens em dizer "não" para as mulheres que eles não querem.

Carentes são menos exigentes

As mulheres carentes costumam ser menos exigentes. Por não terem tido uma vida afetiva bastante experiente, elas não tiveram grandes decepções com os homens, exceto pelo fato de terem sido  rejeitadas pelos homens desejados. Mas não passaram por situações de traição ou de frustrações com o machismo como as mulheres de vida afetiva mais ativa tiveram.

Além disso, por estarem quase sempre sozinhas, dispensam vários níveis de exigência para tentar aumentar as chances de pelo menos estarem acompanhadas, senão com um irritante "príncipe encantado", pelo menos com um sapinho simpático.

As mulheres mais atraentes também não são felizes, mas o tipo de frustração dessas é bastante diferente. Ao encerrar os seus relacionamentos, costumam não associar as decepções com aspectos de proteção/sustento (atributos que nenhuma mulher atraente deseja abrir mão) e inicia um novo relacionamento geralmente com um homem igualzinho ao anterior, salvo em poucos aspectos de personalidade.

Carentes, apesar de fúteis culturalmente, sabem escolher homens melhor que as atraentes

Do contrário das atraentes, que vivem arrastando relacionamentos fracassados em troca de sexo, proteção e dinheiro, as carentes sabem escolher homens. Estas costumam abrir mão do estereótipo protetor/provedor e muitas vezes acabam valorizando características reais de seus pretendentes, aquelas que são mais úteis para o sucesso de um relacionamento.

Mas infelizmente, na contramão, acabam não desenvolvendo muito a parte cultural de suas personalidades, já que , segundo pesquisas recentes, as mulheres carentes costumam ser mais acomodadas em matéria de gostos e convicções, costumam ser mais emotivas do que racionais e no lazer, decepcionam com referências culturais mais óbvias e fúteis, sendo rejeitadas por homens que sonham em usar a vida conjugal para se evoluir culturalmente.

Isso explica porque as mulheres que tem referenciais culturais mais cafonas estão encalhando mais, visto que as mulheres com referenciais sólidos são cada vez mais desejadas, independente de serem bonitas ou não. Hoje uma feia inteligente é mais desejada que uma linda burra. Em outro texto, vou tentar entender isto, visto que aparentemente, os homens ainda não valorizam na prática as qualidades intelectuais e culturais de suas mulheres, embora prefiram mulheres com referenciais culturais mais avançados.

Como fazer que as atraentes se interessem por um homem "não atraente"?

Boa pergunta. Mas ela ainda está sem resposta. O processo de conquista está cada vez mais difícil e seletivo (dentro da perspectiva pelos aspectos protetor/provedor). 

As mulheres de hoje preferem arrumar seus pretendentes dentro de grupos fechados, como era nos tempos tribais onde os casamentos só aconteciam dentro de clãs. Um retrocesso.

Homens e mulheres que não possuem grupos sociais fechados e fixos, tem que recorrer a boates ou a sites e comunidades de relacionamento. Mas mesmo assim, só encontram frustração. Em boates, por ser um ambiente típico de quem não quer relacionamentos sérios. Em sites por não encontrar realmente aquilo que se deseja. O que se deseja normalmente já foi pego por outra pessoa (que curiosamente poderia ficar com qualquer outra).

Tenho que concluir que num mundo injusto, nem a vida afetiva poderia ser justa.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A número 2 também está casada

Por Marcelo Pereira

Sobre a maior paixão da minha vida, eu falei muitas vezes em meus blogues. Falei da terceira em uma oportunidade. Mas da segunda ainda não. Nos três casos, não cheguei a namorar com nenhuma delas (as que eu namorei nunca me despertaram paixão), embora tenha conseguido conquistar a terceira paixão, que desapareceu misteriosamente após reencontrá-la na faculdade, em 1998. Triste.

Mas falaremos da segunda paixão. Segunda em hierarquia, pois conheci ela antes da maior paixão, a Sra A. Chamaremos a "número dois" de Sra V. Interessante que as duas se encontraram pessoalmente, pois a Sra V se matriculou na mesma classe de 1983, em um colégio de Niterói, onde conheci a Sra A. A Sra V emprestou um óculos para a Sra A experimentar por curiosidade. Curiosidade mesmo é ver uma de minhas paixões experimentando o óculos da minha outra paixão.

E porque estou falando sobre a Sra V? Simples. Porque por acaso, procurando vários colegas que moravam em São Pedro d'Aldeia, onde passei boa parte da minha infância, acabai encontrando a no Facebook. Ela voltou a morar em São Pedro d'Aldeia e para minha tristeza casou e teve filho.

Conheci Sra V através de meu irmão. Ela estudava no mesmo colégio que ele (eu estudava em outro colégio), em outra turma. Foi em 1980. Eu e ela tínhamos 9 anos de idade. Ele havia falado de uma gordinha linda que atendia pelo nome de V. Perto do principal parquinho da cidade, meu irmão acabou mostrando a bela fofinha. Puxa, era linda, e na época tinha cabelo curtinho.

Linda era pouco, mesmo gordinha era um dos rostos mais lindos que eu já vi. No Facebook, a Sra V mudou de foto recentemente e deu para perceber claramente que a "V" era a mesma. E o mais triste: aos 42, ela ainda está a maior gata!!!

Apesar de ter visto em 1980, só comecei a falar com ela em 1981, quando a família dela se tornou vizinha da minha (e ele acabou sendo minha colega de sala no citado ano, como falei,dois anos depois ela voltaria a ser minha colega, só que em Niterói). Meu pai era colega de trabalho do pai dela. E o pai dela gostava de mim e brincava dizendo que ele me queria como genro. Se esse era o desejo dele, lamento, outro tomou meu lugar. V tem uma irmã tão gata quanto ela, só que mais magra. Esta ainda não encontrei na internet.

Mandei convite para ela me adicionar como seguidor ("amigo"? Sem essa, Zuckerberg!) no Facebook. Ainda aguardo respostas, mas ela deu sinais de que não se lembra de mim. Grandes chances de me recusar. O maridão não vai gostar nada de saber sobre isso.

Mas, fazer o quê? Do contrário que a mitologia popular diz, as melhores se casam mais rápido. Tenho que me conformar em perder para outros homens as mulheres que me satisfariam e garantiriam a minha fidelidade. Ainda aguardo alguma coisa que preste caindo na minha rede. 

Mas a vida é assim. Uns nascem para sofrer enquanto o outro ri, como dizia o poeta.

Pô, mas não liberaram nem a número 2, uma gordinha?...