quinta-feira, 21 de março de 2013

A idade da razão

Por Marcelo Pereira

Neste dia completo 42 anos. Seria hoje um dia de festa, de sair pulando por aí? Não sei. Para mim me parece um dia para refletir.

É mais um ano, sei. Mais chances de renovação de aprendizado foram dadas a mim. Será que vou aproveitar? 

Bom, nesta vida tenho aproveitado muitas lições. Não me amadureci como a maioria das pessoas (será que elas realmente amadureceram?), mas cheguei onde deveria. 

Quanto mais idade a gente ganha, junto aumentam a experiência e a responsabilidade. Mas insatisfeitos como somos em nossa incurável imaturidade, temos a impressão que não amadurecemos ainda o bastante. Como crianças aguardando o novo ano letivo, aguardo o que me espera no 42º ano de minha vida.

E quais os desafios que serão colocados desta vez? Serão bons? Serão ruins? Vou conseguir enfrentar? Não sei. A única coisa garantida é que tirarei algum tipo de lição. Que lição, eu não sei. Mas algo será aprendido, seja lá o que acontecer comigo.

Ainda me sinto imaturo. É um bom sinal. A verdadeira maturidade é ter a consciência de que ainda não se está suficientemente maduro. A vida é uma sucessão de aprendizados. E a cada coisa nova que a gente aprende, mais coisas aparecem para a gente aprender. É como aquele cara que aprende a dirigir e agora tem que conhecer o motor de seu carro. E após isso, conhecer o combustível, a sua composição e por aí vai.

Aprender é muito bom e considero o combustível da vida. Se nascêssemos sabendo tudo, a vida, além de ser um tédio, não teria utilidade. A cada coisa nova que a gente aprende, nos sentimos mais sábios e mais fortes. Mais sábios, mas ainda imaturos, pois ao percebermos nossa sapiência, percebemos também que não sabemos o bastante. Cada sabedoria exige mais sabedoria e isso conduz nossa caminhada.

Mas que bom que isso seja assim. Isso me faz feliz. Tenho muita coisa a aprender, sim e isso nos traz aquela ânsia gostosa de início de ano letivo quando éramos crianças em idade escolar. O cheirinho do material novo... A dúvida sobre quem serão os colegas... A cada aniversário não parece a mesma coisa?

Tudo o que aprendi em minha vida, a maioria por dor , muita dor, está me sendo útil cada vez mais a cada momento. E está servindo de ponto de partida para outros aprendizados que enriquecerão o meu caráter.

Portanto, ao chegar hoje aos 42, reconheço que não sou maduro o suficiente. Não serei tão cedo. Terei muitas vidas para aprender mais e mais. Mas o que me alegra é que continuo aprendendo. E aprender é absolutamente a coisa mais prazerosa na vida de qualquer pessoa.

Pois quando acaba um ano letivo, não dá aquela sensação de dever cumprido, antes de preparar para o próximo?

quinta-feira, 14 de março de 2013

E tudo começou há exatos 30 anos...

Por Marcelo Pereira

14 de março de 1983. Após uma semana de aula, uma nova aluna se apresenta a turma. Era uma morena linda, de traços semi-exóticos e com uma postura que lembra muito a da atriz desta foto, Audrey Hepburn, que considero a mulher mais linda de todos os tempos.

Lembro vagamente de nossa primeira conversa. Era algo sobre história e arqueologia. Ela parecia animada. Sorria lindamente. Ainda não tinha me apaixonado na ocasião. mas isso não demorou muito para acontecer.

Escrevo esta postagem para comemorar os 30 anos de ter conhecido a maior paixão da minha vida. Coincidentemente, eu a vi, há exatamente uma semana atrás a mesma andando de bicicleta há alguns quarteirões de distância de onde eu moro. Quarentona, ela continua linda e ainda mais sedutora. Ela não me viu.

Infelizmente, ela está casada e não quis - sabe se lá porquê - retomar contato comigo, me recusando nas redes sociais ( alista de amigos dela é bem reduzida, com características de "feudo", apenas com os que ela já se entrosa - parece que ela não gosta de fazer novos amigos). A melhor amiga dela dos tempos de adolescência, que retomou contato comigo, aparentemente rompeu com a então amiga, o que leva a suspeita de que existe um motivo para isso. Se ela rompeu com a melhor amiga, alguma coisa deve ter.

Mas não importa. Paixão é paixão e quando é verdadeira é difícil de curar. Tento esquecê-la, mas aí ela reaparece e a chama reascende. Chato, mas as coisas funcionam dessa maneira.

Para quem não sabe, essa paixão sempre foi platônica, pois nunca consegui conquistá-la. O que aumenta a tristeza - embora a maioria das pessoas só considere uma paixão sincera quando ela é resultante de um relacionamento. O fato de não a ter conquistado evita a comoção alheia a respeito, pois não se parece com nada que as novelas e filmes mostram (ô povinho submisso à mídia, sô!)

Hoje é dia de relembrar os 30 anos que conheci a minha maior paixão. Não sei se comemoro com alegria ou com tristeza. Talvez com um misto dos dois. Mas sem raiva. O que aconteceu com a vida dela foi por decisão exclusiva dela.

Resta dizer que foi um gigantesco prazer por tê-la conhecido. Põe prazer nisso. E com muita dor junto.


O Big Bang da paixão

Por Marcelo Pereira

Em tudo há um começo. Embriões, sementes, projetos, ensaios, etc. são coisas que representam inícios de alguma coisa.

O planeta Terra já foi um dia bem mole, pastoso. Os seres surgidos então, por razões óbvias se adaptaram as condições do planeta de então. Dos micro-organismos, as células foram se dividindo, dividindo e a cada divisão um ser mais complexo surgia. 

Das profundezas dos mares, seres saíam após mutações e foram encarar o ar seco da vida terrestre. E a evolução continuaria até aparecer esse ser ainda muito complexo conhecido como "ser humano" que ainda não conseguiu entender a si mesmo. Se hoje, em pleno século XXI, ainda não aprendeu a usar o próprio cérebro, como iria saber melhor sobre si mesmo?

E tudo evolui com o tempo, de acordo com o ritmo que a natureza exige. Não somente seres evoluem mas situações também. 

30 anos, 30 anos... Hummm... 30 anos passaram bem rápido. E o que era para ter terminado também continuou em sua evolução. Não é mais tão imatura como era há 30 anos, mas segue ainda mais realista e coimpreensiva.

Reconhece que as coisas não são assim tão fáceis. Que as emoções nem sempre podem ser devolvidas reciprocamente. Que respeitar a vontade alheia é sinal de nobreza e altruísmo.

Muitas emoções permanecem durante longo tempo, atravessando décadas. Esta atravessou 30. E ainda continua bem forte, como pude comprovar exatamente há uma semana. Forte, mas amadurecida. E bem realista. Um pouco triste, mas realista.

E esta maturidade me faz qualificar a tristeza. Triste, mas conformado. Se há chance de reverter isto? Não sei. Se tiver, reverterei. Faz parte do processo.

Tudo isso está sendo escrito para dizer que há exatos 30 anos conheci alguém que se tornou muito especial para mim, mesmo que tenha me esnobado desde então. E entender essa limitação também faz parte da evolução.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Chloe Moretz veio me ver e ninguém me avisou!!!!

Por Marcelo Pereira

A lindíssima Chloe Moretz veio me visitar e ninguém me avisou! Que puxa! Ela esteve na lanchonete Subway, pertinho de casa para comprar um lanche e eu nem sabia! Como gostaria de falar com uma tremenda gata como Chloe! Chloe pertinho da minha casa? Uau!



Na próxima vez, Chloezinha, vê se me liga antes de visitar o bairro onde eu moro, viu?





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OBS: Claro que esta postagem é uma brincadeira, pois Chloe visitou outra filial da rede de lanchonetes Subway, nos EUA. Mas sonhar um pouquinho não custa...

segunda-feira, 11 de março de 2013

O Santo

Por Marcelo Pereira

J.M.S., conhecido como Capetinha da Vila Mimosa, em um município qualquer, era um traficante perigosíssimo e assassino reincidente. Era muito violento e cruel e adorava torturar suas vítimas antes da morte. Como vendedor de drogas tinha muitos ricos, alguns deles famosos como clientes. 

Capetinha foi morto durante uma operação policial que pacificou a Vila Mimosa, hoje um lugar de paz e dignidade em fase de instalação de muitos serviços e melhorias.

Só que estranhamente, nas redes sociais e em sites de notícias, pipocavam mensagens carinhosas lamentando a morte do crápula. Como sabemos, brasileiros adoram transformar qualquer morto em santo. Uns fazem por carência, outros por histeria, mas todos por modismo, para ficar "bem" na sociedade.

Mas porque um verdadeiro mal caráter como Capetinha teve assim tantos admiradores? Consta que ele abastecia as festas mais badaladas de "comida". Seja qual for o motivo, vamos as mensagens.

- Companheiro fiel e grande ser humano. Capetinha agradava a todos (Twitter).

- Sem ele, as festas não aconteciam. Ele era O CARA! (Facebook)

- As minas gostava dele. Um verdadeiro conquistador. (Twitter)

- O cara que revolucionou as festas do jet set (Tumblr)

- Ele ajudava a galera lá da vila (Blogger)

- Vamos entoar canções de amor a esse nosso irmão! (Facebook)

- Um exemplo de ser humano e de solidariedade. Se era cruel, era para se defender (Facebook)

- Capeta, nós te amamos. (Twitter)

- O mundo seria melhor se todos fossem alegres e camaradas como Capeta! (Facebook)

- Vamos prestar nossas homenagens ao grande Capetinha. (Facebook)

- Ele espantava a inveja das pessoas de mal com a vida! (Facebook)

- Perdemos nosso grande agitador cultural! (Twitter)

As mensagens parecem meio estranhas para um mau caráter. Mas, fazer o quê. Todo mundo perdeu o senso de ética e de discernimento. Qualquer um vira santo quando morre. E não há mau caráter que freie essa insensatez.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Quanto mais gosmento melhor....

Por Marcelo Pereira

Rodrigo era o cara mais popular da turma. Esbelto, bonito, tinha muitos amigos, atraia muitas garotas e tirava boas notas na escola. Era admirado pelos professores e também o ás do time de vôlei da escola. Era invejado pelos rapazes e desejado pelas mulheres.

Se formou em advocacia, passando no exame da OAB na primeira vez, com nota altíssima. Conseguiu concluir mestrado e doutorado. era um profissional exemplar que ganhava muito bem.

Se casou com a mais bela mulher que pode encontrar pela frente e ofereceu a ela uma vida cheia de muitos confortos, sobretudo supérfluos. Tiveram um filho.

Mas uma coisa acontecia com Rodrigo. Sua pele bem alva se esverdeava aos poucos e seu peso aumentava gradativamente. Sua voz, que sempre foi bem grave, se tornou mais grave ainda., meio empolada. Aos poucos sua voz foi ficando um pouco embaçada, como alguém que fala com a boa cheia.

Ao acordar no aniversário de quarenta anos, uma surpresa. Para começar, já se levantou da cama com dificuldade. Notou que a cama estava encharcada de um líquido verde-vômito. Ao levantar, percebeu que não andava, arrastava os pés. Se sentia pesado e gordo. Ao olhar no espelho para fazer a barba, levou um susto! Um enorme sapo feio e gordo aparecia no reflexo de seu espelho. E desistiu de barbear, pois não tinha barba!

Rodrigo falou com a esposa que estava na cozinha preparando o café da manhã, que desmaiou a ver o enorme réptil na sua frente. Como gostava de trabalhar, desceu o elevador sem vestir roupa (que não cabiam nele) e foi ao fórum. 

Todos ficaram horrorizados. Rodrigo quase nem falava. Sua voz, típica de quem fala com a boca cheia, misturava algumas palavras compreensíveis, outras não, com coaxares. E onde andava, rodrigo deixava uma gosma nojenta. No almoço, ao invés de ir ao restaurante, foi a um beco estreito onde havia uma lata de lixo cheio de moscas voando ao redor. feliz, esticou a sua enorme língua para pegar todas, uma a uma.

Após concluir o serviço, com fracasso, já que a sua condição lhe tirara a credibilidade necessária, foi embora e não voltou para a sua casa. procurou um brejo bem distante onde se instalou para o resto da vida, sem deixar notícias.

Após alguns anos, sua esposa se casou com um analista de sistemas, nerd e tímido, que criou o filho dela com muito carinho. O fórum contratou outro advogado, na verdade uma advogada, linda e extorvertida para tomar o lugar de Rodrigo. Ela era muito talentosa, a melhor advogada de então na cidade.

Rodrigo, o grande sapão, hoje vive feliz, feliz como nunca foi, coaxando todas as noites ao luar, com fartos banquetes de pernilongos ao seu dispor.

Desconhece o motivo que levou a tudo isso. Mas o que importa? Todos estão agora muito felizes!