sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Bola Quadrada

Mais chato do que um jogo de futebol, onde sou obrigado a aguentar um monte de desocupados correndo pra lá e pra cá com uma bolinha e em alguns momentos ouvir muita gente berrando feito alce no cio, somente os programas de debate esportivo.

Neste tipo de programa, personalidades igualmente desocupadas e sem ter assunto para falar ficam tentando descobrir o sexo da bola, em conversas pseudo-intelectualizadas na tentativa vã de encontrar algo que justificasse a importância do futebol para o brasileiro. Chatoooo...

Aí imaginei um programa de debate esportivo onde todos os participantes, sem exceção, detestam futebol. Obrigados pela emissora a apresentar um "programa de índio" como esse, claro que não iam seguir o roteiro e romperiam com qualquer tipo de zona de conforto para ter que fugir daquilo que eles mais detestam e por isso mesmo, não entendem.

Com vocês, o Bola Quadrada, o primeiro programa de debates sobre futebol, entre caras que detestam futebol.

" Apresentador - Boa noite, amigos, hoje estamos dando início a mais uma (suspiro) edição do Bola Quadrada, o seu (mas não meu) programa de debates esportivos da televisão brasileira. Carlinhos, você viu o jogo de hoje, XV de Pirassununga contra Paraopeba?

Carlinhos - Não. Eu dormi de tanto tédio. O sono estava tão pesado que a gritaria não conseguiu me acordar.

Apresentador - Eu também não vi. Mas conversei com pessoas que viram e o jogo foi ótimo. Para eles, claro. Para mim não faria a menor diferença. E você, Luis Sérgio, o que achou do jogo?

Luis Sérgio - Que jogo? Eu fui mesmo ao shopping com minha namorada! Coisa muito melhor do que ver um monte de perna cabeluda correndo atrás de uma bolinha! Passo!

Apresentador - Nelson Elias, você viu?

Nelson Elias - Tentei ver, mas o tédio veio sentar ao meu lado na poltrona. Gostaria de entender qual é a graça que a maioria dos brasileiros veem no futebol. Caraca, ô diversãozinha chata!

Pedro Carvalho - Eu preferi assistir a um bom show musical de rock. Tava dando The Who no canal concorrente e vibrei pra cacete! Showzão!

Apresentador - Eu também adoro The Who, Pedro. Rock de verdade, não essas merdinhas de menininho insatisfeito como tem hoje. Estão chamando. Repórter no ar!

Repórter - Estou aqui ao vivo na frente da lanchonete Quekib's!

Apresentador - O que está havendo aí? Confusão de torcida?

Repórter - Não está havendo nada. É que iniciou agora uma promoção do tipo de esfiha favorito meu, com recheio de frango com cheddar e cobertura de gergelim e muita gente está aproveitando. Apesar da lanchonete não ser a patrocinadora deste programa, não pude deixar de conferir essa promoção e estou indo lá me empanturrar com minha esfiha favorita. Pelo menos o dono do Quekib's deve estar feliz conosco por causa dessa involuntária propaganda gratuita que acabamos de fazer!

Apresentador - Boa ideia. Acabando o programa, vamos todos ir aí conferir esta deliciosa promoção. Agora as expectativas para a copa.

Pedro Carvalho - Copa de novo, essa não! Já basta que a mídia só fala nisso! Todos os intervalos já estão passando no mínimo um anúncio sobre o assunto. tô fora!

Apresentador - Que copa de futebol que nada! Estou falando da inauguração da nossa copa cozinha que estava em obras durante esses meses todos. Finalmente vamos ter nosso próprio lugar de refeições! Daqui a pouco ela será inaugurada!

Carlinhos - Finalmente. E já que o Quekib's está lotado por causa desse promoção, poderíamos aproveitar e comprar para a viagem para comer confortavelmente na nova copa.

Luis Sérgio - Excelente ideia. Não vejo a hora.

Apresentador - Telefone tocando. Alô?

Telefone - Sou Bruno, torcedor do Itabapogipe. Vocês não vão comentar o jogo, importante para a decisão do campeonato nacional?

Apresentador - Você ligou por engano. O programa do Galvão é em outra emissora. Vá para a internet e procura saber o número e liga para lá. Aqui a gente não cuida disso não. (Batida de telefone desligando na cara)

Luis Sérgio - O principal craque da seleção, Wescleyson, rompeu o namoro de fachada com aquela linda e gostosa atriz a Truta Marqueteira. Que boa notícia!

Apresentador - Pelo menos uma musa de verdade soltinha, e não aquelas siliconadas vulgares! Nunca acreditei nesse relacionamento. tenho a certeza que foi armado para alavancar as carreiras dos dois.

Pedro Carvalho - Wescleyson sempre foi meio galinha. Não consegue se prender a um relacionamento estável. Um bon vivant de QI baixíssimo, mais burro que uma pedra.

Carlinhos - E essa Truta é muito gostosa. Além de ser uma gracinha, com charme bem pueril! Uma gata! 

Pedro Carvalho - Equem não quer ela. Vai chover cara disputando o coração da gatinha.

Luis Sérgio - Dizem que um ator com quem ela contracena na próxima novela que está sendo gravada está se engraçando para ela.

Todos - OOOOhhh...

Apresentador - Mas só ela não estar com aquela desgraça humana chamado Wescleyson, já é um bom motivo de comemoração. Uma gata como ela não merece um troglodita infantilizado como o Wescleyson. Wescleyson... isso é nome de gente?

Luis Sérgio - Mas Wescleyson, após aquela mensagem pseudo filosófica para justificar o fim do namoro... Para aparecer, sabe como é... Foi logo cair na gandaia e dizem que numa noite pegou uma 15 mulheres numa orgia inacreditável.

Apresentador - Wescleyson em seu habitat, agindo como seus instintos mandam.

Carlinhos - Pois é.

Apresentador - Bom, estamos todos de saco cheio desse tal de futebol e acabei de saber que o nosso querido repórter, sem a gente pedir, está a caminho cheio de quentinhas com as deliciosas esfihas. Não é 2014 ainda, mas teremos copa. E hoje! Estamos indo agora mesmo para a copa cozinha, inaugurá-la depois de obra ter sido encerrada hoje de tarde e curtir um alimento pra lá de delicioso. E o que é melhor: sem falar nessa porra de futebol. Que se danem torcedores, jogadores e técnicos. A vida tem muito mais a oferecer. Boa noite e até quando quisermos!"

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

A Prova de Tudo: Retorno ao Passado Perdido

Por Marcelo Pereira

Adoro aquele programa que ensina técnicas de sobrevivência. Além de ser útil e bastante didático, ele prende a atenção, já que mostra como o apresentador, um ex-militar britânico, se sai das mais diversas e perigosas situações.

Me imaginei ligando a TV na hora que passa o citado programa, vendo uma edição totalmente diferente e que para a minha vida pessoal, está sendo de grande utilidade. Vamos ao programa:

A Prova de Tudo: Retorno ao Passado Perdido

Oi, eu sou Bear Grylls e servi o Exército Britânico. Hoje vou ensinar a sobreviver quando você retorna a cidade onde você passou boa parte da juventude, mas ao voltar repara que as mudanças foram muito grandes.

Chego junto com o caminhão de mudança e me instalo na minha nova residência. Já noto que o bairro mudou muito desde que deixei a cidade, há quase 20 anos. Com os móveis devidamente colocados no lugar, saio para fazer uma compras para me alimentar, pois cheguei faminto.

Noto que no supermercado, faltam os produtos que eu sempre costumava comprar. Não, eles não saíram de linha, apenas estão faltando no estoque. Muito chato, pois na outra cidade onde morei antes de voltar, nunca faltaram meus alimentos favoritos. A dica, infelizmente, é me contantar com outros produtos, menos gostosos e menos nutritivos.

Resolvo tirar um cochilo de tarde, já que a viagem cansou muito. Só que me esqueci que hoje de tarde há um jogo de futebol com o time mais popular da cidade. Eu estava a fim de dormir, não de ver jogo algum. Quando consigo pegar no sono, um ensurdecedor ruído que atinge os decibéis de um avião supersônico decolando da janela de minha casa, me desperta com rapidez. Eram os torcedores berrando por causa de um gol. E noto que com o andamento do jogo, a vizinhança se torna cada vez mais barulhenta.

O que fazer numa hora dessas? Bom não tenho dinheiro nem tempo para instalar uma proteção acústica nas janelas e paredes de minha casa. O jeito é pegar meu celular, meu fone de ouvido e ouvir meu mp3. Adio a minha sesta, mas pelo menos não sofro com os gritos primatas que se espalham pela redondeza.

O jogo acaba e decido dar uma saída para preparar a refeição noturna. Antes de chegar no supermercado, reencontro amigos de adolescência, em várias oportunidades pelo caminho. Uns não se lembrar de mim. Outros estão completamente mudados. E ainda há os que nem querem contato comigo, mostrando-se incomodados ao me verem. Nenhum deles me recebeu com o carinho da saudade. 20 anos se passaram e estou em outra. Solução? Esquecer os amigos do passado e tentar fazer novos amigos.

E é isso que vou tentar através da internet, ao chegar em casa. Ligo o meu computador e entro na rede social mais popular. Só que os moradores da cidade que estão lá só postam mensagens tolas, assumem ideias reprováveis e comportamento que... Hummm... Não consigo achar a palavra para classificar, de tão ruins que são. Esqueçamos as amizades. Como nas minhas aventuras, terei que me contentar comigo mesmo.

Acordo no dia seguinte com a vizinhança fazendo uma estranha batida que lembra o cruzamento de macumba e  de um motor de carro pifando. Ela é acompanhada de uma voz que parece cantar com um ovo na boca, citando impropérios e palavras de baixo calão. Soube depois que isso é a forma de "cultura" mais evoluída da localidade e apesar da grande rejeição social, ela é protegida por autoridades, intelectuais e artistas, que enxergam nela uma criatividade intelectual que eu não consegui enxergar. Tenho visto cada coisa por aí, mas essa batida irritante, ultrapassou os limites do bom senso.

Resolvo sair para fugir do barulho e decido pegar um ônibus. Como todos os ônibus agora só possuem uma única pintura, me atrapalho todo para identificar, já que as bandeiras dianteiras estão meio apagadas, quase ilegíveis e não há informações na lateral e na traseira. Após perder o desconto do bilhete único (que tive a precaução de fazer antes de retornar à cidade) e pegar o ônibus errado, salto cerca de 30 km distante do ponto para pegar o ônibus certo. Cansado e irritado, consigo pegar o ônibus certo, dobrando a atenção para os mínimos detalhes para compensar a pintura confusa.

Ao chegar no centro da cidade, noto uma sujeira sem tamanho que me faz pensar se eu não estou no meio de um aterro sanitário. Após pegar uma vez o ônibus errado, comecei a acreditar que novamente tinha pego outro errado. Não. Este é o centro da cidade mesmo, onde eu queria ir.

Ao chegar no banco para retirar o dinheiro, sou surpreendido com a informação que teria que ir à sede para resolver o problema do cartão vencido. Só que a sede fica na cidade vizinha e teria que gastar um bom dinheiro com passagem para me deslocar até lá. Engraçado que meu dinheiro estava acabando e precisava do cartão para retirar ais dinheiro. Com o dinheiro bem trocado fui, tentando enganar o cobrador-motorista - ué, cadê o cobrador? - tendo 10 centavos a menos do que a tarifa pedia. 

Chegando a sede do banco, consigo resolver o problema do cartão. Feliz, decido ir a um bairro onde fica o maior shopping da cidade. Quando eu salto do ônibus, cai uma verdadeira tempestade com trovoadas incessantes e bem violentas. Como do ponto ao shopping tenho que passar por uma área plana sem teto, sou atingido por um raio. Caio no chão e fico inconsciente durante alguns minutos. Sem qualquer sequela e socorrido por transeuntes, me recupero rápido e vou ao shopping após atendimento médico pelo SAMU. 

Após o passeio no shopping, no final de tarde, decido procurar um ônibus para voltar para casa. E mais: surpresa!!! No mesmo dia, o prefeito havia decidido mudar o trajeto de inúmeras linhas por causa de uma grande obra. A linha de ônibus que me levaria ao terminal que tinha o outro ônibus que me levaria para a casa, foi imediatamente extinta e tive que andar algumas léguas para pegar um outro para o mesmo terminal. No terminal, pego o ônibus para a minha casa, superlotado como uma lata de sardinha e ainda tenho que encarar um enorme engarrafamento que me faz chegar em casa às 2h da manhã. Ao som de um tiroteio que felizmente não me atinge.

Ao acordar no dia seguinte, tomo a difícil decisão: voltar para onde eu estava morando antes. Retornar a minha terra não foi uma boa. Sobrevivi diante de inúmeros perigos e desconfortos, mas o que a minha cidade oferece hoje vai me esquartejar em pedaços! Chega da minha cidade da adolescência. 

Bem que diziam os arqueólogos sobre as maldições das pirâmides: mexer com o passado dá nisso!

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OBS: Inspirado na minha volta a Niterói, que aniversaria hoje, que mudou muito em relação a minha vida da adolescência, usando o famoso programa de TV A Prova de Tudo (Man vs. Wild) como forma de narrativa. Os problemas são realmente existentes, embora não tenha passado por todas as experiências narradas pelo Bear Grylls fictício.

domingo, 10 de novembro de 2013

O Fantasma da Libertinagem


Por Marcelo Pereira

Esta postagem é uma homenagem ao cineasta Luís Buñuel, mestre do surrealismo, famoso pelo filme O Fantasma da Liberdade, que critica os absurdos da sociedade contemporânea.

Como bom cidadão que vive no Brasil, observo tudo que acontece ao meu redor. Os fatos que irei relatar partem dessa observação e não estão escritos em nenhum jornal. Até porque os donos do jornal nada estão interessados em escrever sobre a verdade, já que a verdade não lhes dá dinheiro. Mas acredite, o que vou relatar aconteceu, sem metáforas ou hipérboles, por mais absurdas que pareçam ser.

- O prefeito de uma cidade brasileira tomou uma medida drástica que é bastante nociva a população local. A medida foi tomada sem consulta popular, na marra, como se fosse uma ditadura. Argumenta ele que fez em benefício da população. E olha que é um prefeito que vive fazendo discursos apaixonados em nome da democracia.

- Em uma rede social, em uma comunidade dita "de esquerda", o seu gestor, um intelectual famoso, sugeriu que a música "levante sua bundinha de dê uma abaixadinha" é na verdade uma letra de "protesto". Para quem lê a letra com atenção, não há sequer uma metáfora que prove esta tese, mas como na comunidade, a maior parte dos membros é de ingênuos, estes ficaram alegremente surpresos com a comparação. os compositores da faixa, dois capitalistas enriquecidos, já se preparam para capitalizar em cima da "polêmica".

- Uma revista fez a votação para saber quem são as musas mais desejadas do país. Eu falei DESEJADAS. Curiosamente as 10 primeiras colocadas estão encalhadas e reclamam constantemente de que não conseguem arrumar namorado.

- Enquanto isso, as mulheres mais inteligentes do país se casam facilmente, para terem suas qualidades desperdiçadas por maridos muito mais interessados em passar os domingos sentados em um sofá, com uma cerveja na mão, diante de uma TV que transmita futebol, para ficarem namorando as próprias enormes barrigas durante os intervalos. E a sociedade chama isso de "amor".

- Um grande líder espiritual anuncia em várias palestras que o país chegou finalmente a sua evolução moral e intelectual. Ao mesmo tempo, verifica-se o aumento da criminalidade e da corrupção, a manutenção dos problemas e o emburrecimento da sociedade. Que evolução, hein?

- Um famoso especulador financeiro de mentalidade capitalista (de direita) é o principal mecenas a investir nas formas de cultura precárias que se consideram de orientação "esquerdista". Dá para perceber porque estas formas de cultura são precárias.

- Um hábito estranho se nota nesta sociedade: avessos a formas naturais de patriotismo, só agem como "patriotas" de quatro em quatro anos por causa de um mero campeonato de uma modalidade esportiva fútil e supérflua. Muita histeria e demonstrações desesperadas de afeto pela equipe que representa o país neste campeonato, são ostentados. Encerrado tal campeonato, a apatia retoma a rotina dos habitantes dessa sociedade.

- Enquanto países mais desenvolvidos continuam com a confiável cartela de papel para as eleições que escolhem os governantes, este país das maravilhas se utiliza de uma espécie de computador para decidir quem mandará na sociedade. Apesar de bastante vulnerável a alterações suspeitas, ele é utilizado com a desculpa de "avanço tecnológico" e ganho de tempo na conclusão dos votos. Se os evoluídos não aderiram é porque tem mutreta...

- Um famoso ex-ator mata a sua colega de elenco. O crime ganha grande repercussão e comoção coletiva. Anos depois, a justiça anula o crime como se ele nunca tivesse sido cometido. Não parece história de Buñuel? Direitos autorais, please!!!

sábado, 17 de agosto de 2013

Perseguição

Por Marcelo Pereira

Interessante. Desde que eu entrei neste shopping noto que uma mulher está me seguindo. Ela é linda. Não sei o que ela quer, mas me sinto animado. Hummm... Será que ela está a fim de mim? Vou entrar na brincadeira e me fazer de difícil para ver até onde vai. Fingirei que nao a vi.

Rapaz, não é que onde eu estou, ela também está? Ela não para de me seguir! Logo eu, que não sou muito atraente. As mulheres costumam me ignorar ou até fugir de mim. Mas essa não, ela não para de me seguir. Vamos manter a brincadeira.

Caramba!!! Ela continua atrás de mim! Não dá uma trégua. Mesmo quando eu vou ao banheiro masculino, ela fica do lado de fora, me esperando. Acho que ela quer falar comigo? Falo? Não, vamos em frente para ver no que é que dá.

Continuo andando pelo shopping,vou ao estacionamento, volto, e ela está logo atrás. Sabe de uma coisa? Vou falar com ela. Pode ser a grande chance de minha vida afetiva.

- Pois não? Noto que uma mulher linda como você está atrás de mim nesta manhã toda.

- Sim. É porque vi você deixar cair seu celular.

- Celular? Ih, nem notei...

- Meu marido também vive perdendo o dele e quando vi cair, te segui para te devolver. Fico tranquila em beneficiar as outras pessoas.

- É?! - falo com a voz meio trêmula de constrangimento - o-o-o-brigado!

- Disponha. - A mulher vai embora tranquilamente.

Benefício de uma forma, malefício de outra. Marido? Mais uma comprometida? Argh! Nem sei se foi bom receber o celular de volta! Ninguém telefona para mim, a não ser para cobrar alguma coisa!

segunda-feira, 22 de julho de 2013

O Juízo Final

Por Marcelo Pereira

Deus estava reunido com a humanidade para o Juízo Final. Mas como não poderia se reunir com todas as pessoas, pediu para que cada religião enviasse seu representante. Reuniram-se com Deus em seu escritório.

- Bom, estamos aqui finalmente no dia do Juízo Final. - disse Deus - Apenas um de vocês irá para o céu, pois eu reservei a vaga apenas para um dos grupos, já que somente um está com a verdade, sendo o resto falso. Vai depender do que cada um fez ou pensa para eu decidir quem irá para esta vaga.

- Rezo o terço todos os dias e vou as missas aos domingos. - diz o representante dos Católicos.

- Pago regularmente o dízimo e uso a minha fé em meu cotidiano. - afirma o representante dos Evangélicos.

- Fiz a caridade em todas as vidas que eu tive e ajudei não somente os encarnados, como os desencarnados. - justifica o espírita.

- Fiz trabalhos em Vossa homenagem. - diz o representante das religiões afro.

- Ó grande alá! Cumpri todos os rituais e louvei a Maomé. - afirma o muçulmano.

- Abdiquei de todos os meus bens. - diz o budista.

Outros religiosos também se manifestaram. Mas um dos presentes, meio carrancudo, não se manifestou. Deus perguntou a ele.

- E você, não tem nada a dizer?

- Olha, seu moço. Acho que você não é realmente o que diz ser. Creio que esteja mentindo. - Este era o ateu.

- Bom, já que todos se manifestaram, vou pensar um pouco e amanhã darei o resultado. - assim, Deus encerra a reunião, pedindo que todos voltassem no dia seguinte.

No dia seguinte, no mesmo escritório, todos os presentes se encontram como antes, ansiosos pela resposta Divina. Deus entra na sala  e se senta na mesa.

- E então, qual de nós entrará no Reino dos Céus? - afirma o católico, animado por acreditar ser a "religião oficial de Jesus", confiante na preferência.

- Pensei muito sobre o assunto, analisei o comportamento de suas religiões e decidi que o ateu irá para o céu.

- Mas como? - revoltam-se todos, menos o ateu, que permanece calado, mas sorridente - nós vos louvamos, fazemos o que o Senhor sugere, dedicamos nossas vidas as suas leis... Porque logo o ateu, que não acredita em Vossa existência?

- Porque o ateu é o único que não me encheu o saco, não me bajulou e ainda se virou para resolver por conta própria os problemas dele e de seus próximos. Ele é que merece ir ao céu! Vocês todos, vão até o elevador de descida e aguardem no andar de baixo que o Diabo irá lhes receber.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

É hora de brincar! De estudar, não!

Por Marcelo Pereira

Em um dia de aula, a professora decide que os seus alunos seriam obrigados a desistir da aula e descer para o pátio para ficar correndo de um lado para o outro. A professora alega que isso é importante para a Educação e que somente assim os alunos terão um futuro próspero.

O melhor aluno da sala, Marquinhos e mais três alunos (a turma era grande, com 40 alunos) se revolta:

- Professora, isso é um absurdo! Mandar-nos para ficar no recreio é inútil para nosso aprendizado. temos que assistir às aulas.
- Mas o recreio é ainda mais importante, Marquinhos. Pelo meio da brincadeira e socialização, podemos aprender muitas coisas.
- Mar professora, é só uma brincadeira. Aliás em quê uma corrida de um lado para o outro pode ser mais importante que o que a gente aprende durante as auas?
- Marquinhos, você está complicando. Você  e seus amiguinhos esquisitos. Siga a maioria, que está correta e faça o que eu mando!

Tristes, Marquinhos e seus amigos desceram para o pátio, mas ficaram isolados em um canto, estudando por conta própria. Se a cidade onde eles moram precisar de alguém para lhes ajudar, com certeza serão Marquinhos e seus três amigos.

Esta estorinha não lembra alguma coisa?

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Uma virgula

Por Marcelo Pereira

1° DIA: Júlio andava na rua em um sábado para comprar pão na esquina quando pisa em uma casca de banana e escorrega. Bate a cabeça no chão duro da calçada e fica desacordado. Ao ser levado para o hospital por amigos e familiares, o médico declara que ele entrou em coma profundo.

2° DIA: As crianças ficam desoladas por tédio. Costumavam sair com o pai delas para se divertir na praça. A mãe, desolada ficou só chorando, sem vontade de sair. Como os amiguinhos da vizinhança estavam todos na rua, os filhos de Júlio tiveram que fica buchudos mesmo, em casa.

3° DIA: O chefe não gostou nada da história. Achou que era desculpa para faltar, pois naquele dia uma reunião inadiável iria acontecer e Júlio era peça importante da mesma. Muitas das decisões dependiam dele. O chefe achou que Júlio estava blefando. Resolveu telefonar para os familiares que garantiram a veracidade do fato e prometeram provar. Aborrecido, o chefe mandou adiar a reunião e aguardar a resposta.

1° SEMANA: Após falar com familiares, o chefe, mesmo admitindo a verdade, resolveu afastá-lo da empresa. Não demitiu, mas colocou em cargo subalterno e nomeou outro para o lugar dele. Justificou aos familiares dizendo que a empresa não poderia esperar para as decisões importantes do cargo dele. familiares prometeram recorrer.

2° SEMANA: Renato, o ex-namorado que a esposa de Júlio tinha antes do casamento se mudou para a vizinhança. Ele havia se divorciado e se mudou para esquecê-la e tudo que aconteceu no conturbado casamento. Não sabia que a ex-namorada morava na área, embora a esposa de Júlio tivesse sido informada da chegada de seu ex-namorado. Júlio é que não ia gostar nada disso.

3° SEMANA: O chefe de Júlio está satisfeitíssimo. O cara que substituiu Júlio está realizando o serviço com uma eficiência bem maior do que antes. A reunião foi decidida com rapidez e a empresa não para de aumentar seus lucros e melhorar a qualidade de seu serviço. Rebaixado, Júlio não sabe o que lhe espera.

1° MÊS: Renato finalmente descobre que o novo bairro onde começara a morar era onde a sua ex-namorada mora. Feliz, já que não sabia que ela tinha se casado com Júlio, que ele não conhecia, logo resolveu pensar em um plano para conquistá-la.

2° MÊS: Renato mantém contato com a esposa de Júlio há duas semanas. Ela parece animada. Não falou a ele sobre o seu marido e muito menos que havia casado. Se limitaram a falar sobre assuntos do passado. Pelo jeito a chama pode voltar a acender.

3° MÊS: Os filhos de Júlio foram aconselhados com a mãe a morar com o tios. Assim, além de tirar os fedelhos do tédio, a esposa de Júlio teria maior liberdade para conversar mais com Renato.

MEIO ANO DEPOIS: Graças ao funcionário que substituiu Júlio, a empresa se tornou a melhor do país e uma das melhores do mundo. Os lucros crescem aos borbotões. Isso favoreceu uma aumento drástico no salário de todos. Até mesmo o mais raso faxineiro tem agora uma vida de rei. O tal funcionário foi promovido a vice-presidente. O que Júlio havia perdido!

UM ANO DEPOIS: Parentes e amigos se reúnem no hospital. Esposa e filhos também. Os médicos notaram uma pequena melhora e acreditaram que Júlio poderia sair do coma. Reunidos ao redor da cama, aguardam a tão esperada hora. Em um determinado momento, Júlio abre os olhos, levanta com rapidez e balbucia sem hesitar, com os olhos bem arregalados:
- Ugh!
Logo em seguida se joga rapidamente da cama, fecha os olhos e morre.

Realmente, nem todo mundo foi feito para ser feliz.

quinta-feira, 21 de março de 2013

A idade da razão

Por Marcelo Pereira

Neste dia completo 42 anos. Seria hoje um dia de festa, de sair pulando por aí? Não sei. Para mim me parece um dia para refletir.

É mais um ano, sei. Mais chances de renovação de aprendizado foram dadas a mim. Será que vou aproveitar? 

Bom, nesta vida tenho aproveitado muitas lições. Não me amadureci como a maioria das pessoas (será que elas realmente amadureceram?), mas cheguei onde deveria. 

Quanto mais idade a gente ganha, junto aumentam a experiência e a responsabilidade. Mas insatisfeitos como somos em nossa incurável imaturidade, temos a impressão que não amadurecemos ainda o bastante. Como crianças aguardando o novo ano letivo, aguardo o que me espera no 42º ano de minha vida.

E quais os desafios que serão colocados desta vez? Serão bons? Serão ruins? Vou conseguir enfrentar? Não sei. A única coisa garantida é que tirarei algum tipo de lição. Que lição, eu não sei. Mas algo será aprendido, seja lá o que acontecer comigo.

Ainda me sinto imaturo. É um bom sinal. A verdadeira maturidade é ter a consciência de que ainda não se está suficientemente maduro. A vida é uma sucessão de aprendizados. E a cada coisa nova que a gente aprende, mais coisas aparecem para a gente aprender. É como aquele cara que aprende a dirigir e agora tem que conhecer o motor de seu carro. E após isso, conhecer o combustível, a sua composição e por aí vai.

Aprender é muito bom e considero o combustível da vida. Se nascêssemos sabendo tudo, a vida, além de ser um tédio, não teria utilidade. A cada coisa nova que a gente aprende, nos sentimos mais sábios e mais fortes. Mais sábios, mas ainda imaturos, pois ao percebermos nossa sapiência, percebemos também que não sabemos o bastante. Cada sabedoria exige mais sabedoria e isso conduz nossa caminhada.

Mas que bom que isso seja assim. Isso me faz feliz. Tenho muita coisa a aprender, sim e isso nos traz aquela ânsia gostosa de início de ano letivo quando éramos crianças em idade escolar. O cheirinho do material novo... A dúvida sobre quem serão os colegas... A cada aniversário não parece a mesma coisa?

Tudo o que aprendi em minha vida, a maioria por dor , muita dor, está me sendo útil cada vez mais a cada momento. E está servindo de ponto de partida para outros aprendizados que enriquecerão o meu caráter.

Portanto, ao chegar hoje aos 42, reconheço que não sou maduro o suficiente. Não serei tão cedo. Terei muitas vidas para aprender mais e mais. Mas o que me alegra é que continuo aprendendo. E aprender é absolutamente a coisa mais prazerosa na vida de qualquer pessoa.

Pois quando acaba um ano letivo, não dá aquela sensação de dever cumprido, antes de preparar para o próximo?

quinta-feira, 14 de março de 2013

E tudo começou há exatos 30 anos...

Por Marcelo Pereira

14 de março de 1983. Após uma semana de aula, uma nova aluna se apresenta a turma. Era uma morena linda, de traços semi-exóticos e com uma postura que lembra muito a da atriz desta foto, Audrey Hepburn, que considero a mulher mais linda de todos os tempos.

Lembro vagamente de nossa primeira conversa. Era algo sobre história e arqueologia. Ela parecia animada. Sorria lindamente. Ainda não tinha me apaixonado na ocasião. mas isso não demorou muito para acontecer.

Escrevo esta postagem para comemorar os 30 anos de ter conhecido a maior paixão da minha vida. Coincidentemente, eu a vi, há exatamente uma semana atrás a mesma andando de bicicleta há alguns quarteirões de distância de onde eu moro. Quarentona, ela continua linda e ainda mais sedutora. Ela não me viu.

Infelizmente, ela está casada e não quis - sabe se lá porquê - retomar contato comigo, me recusando nas redes sociais ( alista de amigos dela é bem reduzida, com características de "feudo", apenas com os que ela já se entrosa - parece que ela não gosta de fazer novos amigos). A melhor amiga dela dos tempos de adolescência, que retomou contato comigo, aparentemente rompeu com a então amiga, o que leva a suspeita de que existe um motivo para isso. Se ela rompeu com a melhor amiga, alguma coisa deve ter.

Mas não importa. Paixão é paixão e quando é verdadeira é difícil de curar. Tento esquecê-la, mas aí ela reaparece e a chama reascende. Chato, mas as coisas funcionam dessa maneira.

Para quem não sabe, essa paixão sempre foi platônica, pois nunca consegui conquistá-la. O que aumenta a tristeza - embora a maioria das pessoas só considere uma paixão sincera quando ela é resultante de um relacionamento. O fato de não a ter conquistado evita a comoção alheia a respeito, pois não se parece com nada que as novelas e filmes mostram (ô povinho submisso à mídia, sô!)

Hoje é dia de relembrar os 30 anos que conheci a minha maior paixão. Não sei se comemoro com alegria ou com tristeza. Talvez com um misto dos dois. Mas sem raiva. O que aconteceu com a vida dela foi por decisão exclusiva dela.

Resta dizer que foi um gigantesco prazer por tê-la conhecido. Põe prazer nisso. E com muita dor junto.


O Big Bang da paixão

Por Marcelo Pereira

Em tudo há um começo. Embriões, sementes, projetos, ensaios, etc. são coisas que representam inícios de alguma coisa.

O planeta Terra já foi um dia bem mole, pastoso. Os seres surgidos então, por razões óbvias se adaptaram as condições do planeta de então. Dos micro-organismos, as células foram se dividindo, dividindo e a cada divisão um ser mais complexo surgia. 

Das profundezas dos mares, seres saíam após mutações e foram encarar o ar seco da vida terrestre. E a evolução continuaria até aparecer esse ser ainda muito complexo conhecido como "ser humano" que ainda não conseguiu entender a si mesmo. Se hoje, em pleno século XXI, ainda não aprendeu a usar o próprio cérebro, como iria saber melhor sobre si mesmo?

E tudo evolui com o tempo, de acordo com o ritmo que a natureza exige. Não somente seres evoluem mas situações também. 

30 anos, 30 anos... Hummm... 30 anos passaram bem rápido. E o que era para ter terminado também continuou em sua evolução. Não é mais tão imatura como era há 30 anos, mas segue ainda mais realista e coimpreensiva.

Reconhece que as coisas não são assim tão fáceis. Que as emoções nem sempre podem ser devolvidas reciprocamente. Que respeitar a vontade alheia é sinal de nobreza e altruísmo.

Muitas emoções permanecem durante longo tempo, atravessando décadas. Esta atravessou 30. E ainda continua bem forte, como pude comprovar exatamente há uma semana. Forte, mas amadurecida. E bem realista. Um pouco triste, mas realista.

E esta maturidade me faz qualificar a tristeza. Triste, mas conformado. Se há chance de reverter isto? Não sei. Se tiver, reverterei. Faz parte do processo.

Tudo isso está sendo escrito para dizer que há exatos 30 anos conheci alguém que se tornou muito especial para mim, mesmo que tenha me esnobado desde então. E entender essa limitação também faz parte da evolução.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Chloe Moretz veio me ver e ninguém me avisou!!!!

Por Marcelo Pereira

A lindíssima Chloe Moretz veio me visitar e ninguém me avisou! Que puxa! Ela esteve na lanchonete Subway, pertinho de casa para comprar um lanche e eu nem sabia! Como gostaria de falar com uma tremenda gata como Chloe! Chloe pertinho da minha casa? Uau!



Na próxima vez, Chloezinha, vê se me liga antes de visitar o bairro onde eu moro, viu?





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OBS: Claro que esta postagem é uma brincadeira, pois Chloe visitou outra filial da rede de lanchonetes Subway, nos EUA. Mas sonhar um pouquinho não custa...

segunda-feira, 11 de março de 2013

O Santo

Por Marcelo Pereira

J.M.S., conhecido como Capetinha da Vila Mimosa, em um município qualquer, era um traficante perigosíssimo e assassino reincidente. Era muito violento e cruel e adorava torturar suas vítimas antes da morte. Como vendedor de drogas tinha muitos ricos, alguns deles famosos como clientes. 

Capetinha foi morto durante uma operação policial que pacificou a Vila Mimosa, hoje um lugar de paz e dignidade em fase de instalação de muitos serviços e melhorias.

Só que estranhamente, nas redes sociais e em sites de notícias, pipocavam mensagens carinhosas lamentando a morte do crápula. Como sabemos, brasileiros adoram transformar qualquer morto em santo. Uns fazem por carência, outros por histeria, mas todos por modismo, para ficar "bem" na sociedade.

Mas porque um verdadeiro mal caráter como Capetinha teve assim tantos admiradores? Consta que ele abastecia as festas mais badaladas de "comida". Seja qual for o motivo, vamos as mensagens.

- Companheiro fiel e grande ser humano. Capetinha agradava a todos (Twitter).

- Sem ele, as festas não aconteciam. Ele era O CARA! (Facebook)

- As minas gostava dele. Um verdadeiro conquistador. (Twitter)

- O cara que revolucionou as festas do jet set (Tumblr)

- Ele ajudava a galera lá da vila (Blogger)

- Vamos entoar canções de amor a esse nosso irmão! (Facebook)

- Um exemplo de ser humano e de solidariedade. Se era cruel, era para se defender (Facebook)

- Capeta, nós te amamos. (Twitter)

- O mundo seria melhor se todos fossem alegres e camaradas como Capeta! (Facebook)

- Vamos prestar nossas homenagens ao grande Capetinha. (Facebook)

- Ele espantava a inveja das pessoas de mal com a vida! (Facebook)

- Perdemos nosso grande agitador cultural! (Twitter)

As mensagens parecem meio estranhas para um mau caráter. Mas, fazer o quê. Todo mundo perdeu o senso de ética e de discernimento. Qualquer um vira santo quando morre. E não há mau caráter que freie essa insensatez.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Quanto mais gosmento melhor....

Por Marcelo Pereira

Rodrigo era o cara mais popular da turma. Esbelto, bonito, tinha muitos amigos, atraia muitas garotas e tirava boas notas na escola. Era admirado pelos professores e também o ás do time de vôlei da escola. Era invejado pelos rapazes e desejado pelas mulheres.

Se formou em advocacia, passando no exame da OAB na primeira vez, com nota altíssima. Conseguiu concluir mestrado e doutorado. era um profissional exemplar que ganhava muito bem.

Se casou com a mais bela mulher que pode encontrar pela frente e ofereceu a ela uma vida cheia de muitos confortos, sobretudo supérfluos. Tiveram um filho.

Mas uma coisa acontecia com Rodrigo. Sua pele bem alva se esverdeava aos poucos e seu peso aumentava gradativamente. Sua voz, que sempre foi bem grave, se tornou mais grave ainda., meio empolada. Aos poucos sua voz foi ficando um pouco embaçada, como alguém que fala com a boa cheia.

Ao acordar no aniversário de quarenta anos, uma surpresa. Para começar, já se levantou da cama com dificuldade. Notou que a cama estava encharcada de um líquido verde-vômito. Ao levantar, percebeu que não andava, arrastava os pés. Se sentia pesado e gordo. Ao olhar no espelho para fazer a barba, levou um susto! Um enorme sapo feio e gordo aparecia no reflexo de seu espelho. E desistiu de barbear, pois não tinha barba!

Rodrigo falou com a esposa que estava na cozinha preparando o café da manhã, que desmaiou a ver o enorme réptil na sua frente. Como gostava de trabalhar, desceu o elevador sem vestir roupa (que não cabiam nele) e foi ao fórum. 

Todos ficaram horrorizados. Rodrigo quase nem falava. Sua voz, típica de quem fala com a boca cheia, misturava algumas palavras compreensíveis, outras não, com coaxares. E onde andava, rodrigo deixava uma gosma nojenta. No almoço, ao invés de ir ao restaurante, foi a um beco estreito onde havia uma lata de lixo cheio de moscas voando ao redor. feliz, esticou a sua enorme língua para pegar todas, uma a uma.

Após concluir o serviço, com fracasso, já que a sua condição lhe tirara a credibilidade necessária, foi embora e não voltou para a sua casa. procurou um brejo bem distante onde se instalou para o resto da vida, sem deixar notícias.

Após alguns anos, sua esposa se casou com um analista de sistemas, nerd e tímido, que criou o filho dela com muito carinho. O fórum contratou outro advogado, na verdade uma advogada, linda e extorvertida para tomar o lugar de Rodrigo. Ela era muito talentosa, a melhor advogada de então na cidade.

Rodrigo, o grande sapão, hoje vive feliz, feliz como nunca foi, coaxando todas as noites ao luar, com fartos banquetes de pernilongos ao seu dispor.

Desconhece o motivo que levou a tudo isso. Mas o que importa? Todos estão agora muito felizes!

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Um poema em forma de mulher

Por Marcelo Pereira

Há exatos 19 anos atrás, era apresentado o resultado de um desafio. Zeus, deus dos deuses, acostumado a criar coisas perfeitas que vemos na natureza, foi desafiado por não sei quem a criar a criatura perfeita. Perfeita como nunca tinha criado antes. Zeus, ciente de seu poder, aceitou o desafio e pôs a mão na massa.

Zeus decidiu criar de maneira diferente de todos os seres. Decidiu que a criatura seria como um poema. Na verdade seria a versão em ser humano de um poema. Ao invés de planejar como sempre planejou as criações das outras pessoas, pensou em fazer um poema.

Se recolheu em um vale e esperou a inspiração. Entrou em um transe relaxante e soltou aos poucos um ectoplasma que foi gradativamente se solidificando, mas no mesmo ritmo em que são criados os poemas. A cada verso, uma parte do corpo da criatura ia sendo criada. Nas rimas, a combinação dos traços perfeitos. 

A cada verso escrito, Zeus soltava um suspiro. Seria a sua mais fabulosa criação. Não era bom recusar um desafio tão nobre. A cada verso pronto, uma nova leva de ectoplasma saía de Zeus para se converter em matéria prima para a composição da bela criatura. Nunca se esquecendo de criar com a mesma inspiração que se deveria ter ao escrever um poema.

A cada verso criado, os anjos sorriam, pois ainda não tinham visto um poema tão lindo. A beleza desse poema era tanta que consumia a energia de Zeus, que extasiado, nunca se desanimava, se propondo a criar mais e mais os detalhes desse belo poema.

Levou nove meses. Após a última solidificação do ectoplasma, em 23 de fevereiro de 1994, Zeus conclui o seu nobre trabalho. O poema estava pronto. 

E que poema! Os anjos estavam pasmos! Nunca tinham visto um poema tão encantador. Harpas e sinos começaram a tocar para anunciar a conclusão do tal poema-criatura.

Ao apresentar ao mundo o poema pronto, o desafiante desmaiou. Não imaginava que seria um poema assim com tanta beleza, inimaginável até então. Ao acordar, ainda estava chocado com o que viu e, sem a coragem de encarar a surpreendente criação, fugiu, reconhecendo a vitória de Zeus no desafio.

Anjos e mortais estavam todos felizes. Ainda não tinham ouvido falar de poema tão lindo. Uma linda celebração foi feita para celebração do surgimento do poema-criatura. Lindas músicas foram tocadas em um belíssimo jardim, onde ocorria a entusiasmada celebração.

Zeus discursou para exaltar a sua criação. Após recitar a versão em texto do poema que criara, encerrou dizendo o nome que dera ao mais belo poema, mais que qualquer outro que tenha sido conhecido pelos presentes.

Zeus decidiu dar ao poema o nome de DAKOTA FANNING.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Amor, Humor

 Por Marcelo Pereira

Compus meu primeiro poema concreto. É ótimo para quem quer se conformar com um mundo sem amor, onde romantismo é só aparência  - e objetos caros! - e a conquista uma complicada lista de regras ainda mais complicadas e difíceis de cumprir.

O humor está no ar! Saboreiem!

domingo, 27 de janeiro de 2013

Rachel Bilson, Pura Perfeição


Por Marcelo Pereira

Rachel, ó, Rachel, olha o que a natureza fez com você! Uma das mais belas criações!

Seus olhos são pérolas que enriquecem a nossa visão.

Seu sorriso abre as portas de nossa felicidade tão desejada.

Sua pele é o caminho que poderia guiar nossos humildes dedos.

Suas curvas nos deixam tontos de tanto tentarmos rodar por elas.

Sua simpatia nos faz rir e sonhar cada vez mais.

Rachel, ó, Rachel, como és perfeita!

A musa dos sonhos que nenhum sonho teve a capacidade de criar.

A deusa linda que mesmo assim aflora a simplicidade em seu jeitinho meigo.

A morena tão quente que um dia já se chamou "Verão".

Rachel Bilson, como gostaria de ter essa maravilha da natureza em meus braços.

Rachel, você é a prova definitiva que Deus existe.

Pois, Rachel, você é o anjo dos anjos.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013