domingo, 10 de setembro de 2017

Sedentário Diário

Por Marcelo Pereira

Tempos vão e tempos vem. Penso eu que mudanças devem ser feitas para alavancar o progresso. Aí me veio a ideia de mudar, de tentar algo diferente. Mudar.  Quem sabe é uma maneira de atrair ago novo para uma vidinha chata já agravada pelo golpe e pela polarização infeliz resultante dele.

Achei melhor mudar o nome. Ultramodernismo. Parece legal. Mas ultra? Hummm... lembra Ultracapitalismo, Ultraliberalismo, Ultraje... Parece meio vergonhoso diante de tempos tao ultracruéis. Até porque minha vida nada tem de ultra, parecendo mais micro alguma coisa.

Pensei: bom, este blogue é escrito em meu computador, com eu sentado e minhas penas imóveis. Um blogue sedentário. E blogue não vem de web-log, que surgiu como uma espécie de diário? Diário? Um diário sedentário! Bingo! Eis que surge o Sedentário Diário!

Um nome mais adequado para o que escrevo neste depósito de ideias. Ultramodernismo parece meio arrogante. Até porque não faço parte de nenhum movimento modernista. Até porque quem se assume "moderno" não está nem aí para o progresso. Talvez fosse mais progressista não assumir a modernidade, que anda tao retrógrada nos últimos anos.

Eis que surge o Sedentário Diário. Comigo aqui sentado escrevendo o que se passa em minha cabeça. Até porque o diário pode até ser sedentário, mas meu cérebro vive em movimento. É um sedentarismo que fará a gente caminhar rápido e para bem longe. 

Nunca foi tão movimentado ser sedentário. Esta caminhada terá muito o que mostrar.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Tá, futebol simboliza a nossa cultura. Mas ninguém me obriga a gostar de samba!

Por Marcelo Pereira

Muita gente diz que o futebol deve ser respeitado senão como símbolo cívico, pelo menos como símbolo da nossa cultura. Algo que nos faça ser conhecido no exterior como uma marca nossa.

Mas precisa obrigar todo mundo a gostar de futebol para que ele continue sendo uma marca dos brasileiros? Temos muitas outras coisas tipicamente brasileiras que não possuem a mesma - suposta - unanimidade. Conheço muita gente que detesta feijoada e sabe-se muito bem que é a comida que mais nos representa. Símbolo ou não, eu adoro feijoada, uma de minhas comidas favoritas.

Mais curioso ainda é saber que o tipo de música que mais nos caracteriza está mais do que longe de ser unânime. O samba, música que nos faz conhecidos lá fora, está cada vez mais impopular. De sucesso, somente aqueles Frankesteins sonoros que se apresentam como "pagode" (Alexandre Pires, Belo, Molejo, Tchan e os novatos Dilsinho e Ferrugem), mesmo assim sem estrondo.

Conheço um número ainda maior de pessoas que não se sentem obrigadas a gostar de samba para se considerarem brasileiras. Ninguém nunca me obrigou a gostar de samba. Quando eu digo que não curto a maior parte de sambas (há os que gosto, mas são poucos e bem antiquados), ninguém se chateia. Mas quando eu digo que passo longe do futebol, aí a polêmica se instala.

Porque sou obrigado a gostar de futebol se não sou obrigado a gostar de samba, de caipirinha, de papagaio? Adoro feijoada porque agrada a meu paladar e mesmo assim ninguém me obriga a gostar de feijoada. Se eu não gostasse, não haveria problema. Porque com futebol há este problema?

Futebol pode ter a importância cultural para o raio que te carregue! Eu não sou obrigado a gostar de futebol seja qual for a nação que ele representa! Se não sou obrigado a gostar de samba, feijoada e caipirinha, também não sou obrigado a gostar de futebol!

Para quem gosta de futebol, desejo que tenha um bom proveito. Mas não me venha com este papo de que tenho que gostar de futebol. As coisas lá nos gramados estão bem longe de dar algum tipo de alegria a minha vida.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Os Pássaros

Por Marcelo Pereira

Pássaros. Estava eu pensando sobre aquele filme do Hitchcock. Um filme de terror em que pássaros voam em verdadeiras "nuvens" a destruir tudo - e todos - que encontram pela frente. Digo isso porque me lembrei que o golpe de 2016 este sob a simbologia das aves. Pássaros. Hitchcock, que tinha sobrenome de ave, deveria ressuscitar ao Brasil e lembrar de sua própria obra.

Os próprios pseudo-protestos nasceram sob a citada simbologia. Pessoas vestidas da "seleção canarinho" louvando um pato amarelo sob as secretas ordens da águia americana. Tudo para expulsar da presidência uma representante do povo que poderia ser metaforizado pela expulsão da galinha que comandava o galinheiro. Encanaram que águias famintas pudessem controlar o galinheiro. Pobres galinhas. 

O país que estaria prestes a dar seu voo bem alto foi literalmente atingido ainda em pleno voo. As águias americanas, gananciosas rapineiras, agiram bem rápido e o resultado vemos agora. Não é preciso ser coruja para entender a revoada de urubus e pombos a sujar o país em busca de sua comida, a mando das cada vez mais perversas águias, que pela astúcia, parecem ter não apenas uma ou dias cabeças, mas muitas. Inúmeras. Quimeras e Bichos de Sete Cabeças certamente seriam devoradas pelas famintas águias.

Pássaros. Interessante que o partido que encomendou o golpe seja simbolizado por uma ave, o tucano. Um tucano com mentalidade de águia, mas sórdido feito um urubu. Tucano que fez a população brasileira ficar com vergonha de si. Tucanos que seguem a voar livres, longe das ameaças de engaiolamento, apesar das evidências que sugerem a sua rapinagem.

Mais curioso é que não apenas o presidente encarregado de fazer o trabalho sujo é ilegítimo como é uma "ave" ilegítima. Se perece com um morcego, que todos sabem ser um mamífero que age como ave. Um mamífero que voa alto para pegar suas presar e sugar o sangue delas. E um ano após o golpe, o morcego, pseudo-ave e pseudo-estadista continua a sugar mais sangue. E ele quer mais.

Deixamos de ser os pavões dos governos progressistas. Hoje brasileiros agem como avestruzes medrosos, enterrando a cabeça  na terra árida. O bondoso gestor com nome de molusco foi injustamente criminalizado, acusado de ser uma jararaca. O molusco não pode usar a sua notável sabedoria para derrotar a nuvem de pássaros a arruinar nossa nação.

Seguimos hoje dominados pela rapinagem de aves ferozes, tal e qual como acontece no famoso filme de Hitchcock. Resta saber se após o ataque das famintas aves ainda teremos alguma coisa em nosso país. Pelo jeito os avestruz não tirarão sua cabeça enterradas da terra árida. Não seremos mais os alegres papagaios a falar sobre as coisas lindas que tivemos nesta destruída nação.

terça-feira, 21 de março de 2017

Feliz Aniversário? Bom... Feliz não é o termo...

Por Marcelo Pereira

Hoje completo mais um ano de vida. Você deve estar me perguntando se estou feliz. Eu respondo que não. Se a minha vida estava em si uma droga, veio o golpe político e transformou em tragédia o que era para ser apenas um grade problema.

Eu sou altruísta. Não dá para ser feliz sabendo que o país está... a palavra é pesada, mas é a mais adequada: uma merda. O país mergulhado numa verdadeira, fétida e insalubre poça de merda. Saber que os mais fracos devem ceder sempre aos mais fortes, que nunca precisam de ajuda, dói na alma.

Mas sinto uma decepção com a humanidade. minha idade é relativamente elevada para que eu tenha tido a experiência necessária para fazer este diagnóstico. As pessoas cada vez mais estão menos sensíveis e menos racionais, guiadas automaticamente por suas crenças surreais.

É um trabalho surreal educar uma sociedade que estimulada a tratar a capacidade intelectual como algo supérfluo. Este desprezo pelo pensar já começa a gerar seus graves estragos. Por causa da falta de racionalidade, muitas pessoas poderão se dar mal no país, que aos poucos se parece cada vez mais com a Alemanha dos anos 30, governada pelo maluco do bigodinho esquisito.

Sei lá. A humanidade parece cada vez menos disposta à sensatez. O século XXI sempre foi pensado como um século d grandes avanços. Estamos cada vez mais perto da Idade Média, não parecendo termos saído dela. Tenho a impressão de que vou ver cavaleiros de lata em cima de cavalos com enormes espadas a atingir o primeiro que encontram pela frente. espero que este primeiro não seja eu.

Não. Eu não estou feliz. Mais um ano de vida parece ser mais um ano a aguentar estes erros. Tudo que havia na Idade Média se manteve intacto, com as devidas atualizações. Estamos cada vez piores como seres humanos.

Não há como comemorar. Eu nem mesmo terei festa hoje. Se eu comer um delicioso bolo já vai ser muito bom para mim. Porque convidados certamente não virão. Eles estão ocupados em um imenso e pomposo baile em um castelo medieval, na época a qual eles pertencem.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Obrigado, Coxinha!

Por Marcelo Pereira

Ei você, que saiu para as ruas com a camisa da "seleção", batendo panelas exigindo o fim da gestão presidencial anterior! Hoje eu quero lhe agradecer.

Agradecer por ter arrasado com a minha vida. Graças a você, não poderei fazer concurso público. Graças as medidas aprovadas pela nova gestão, concursos serão poucos. 

Terei que me contentar com os empregos oferecidos pela iniciativa privada, exageradamente exigentes e sem garantia de estabilidade, correndo o risco de ser demitido por causa de um reles espirro.

Agradeço a você, meu caro direitista, devolver a este país a sua condição de sub-desenvolvimento, acabando com as suas empresas e vendendo seus maiores bens a ricaços de outros países.

Agradeço a você, estimado conservador, por ligar a TV e só ouvir mentiras, notícias que comparadas com a realidade cotidiana, entram em violenta contradição.

Agradeço a você, querido retrógrado, por deixar as crianças mais burras através da mudanças na Educação. Por sua causa, escolas serão transformadas em fábricas de fascistas a prejudicar todo o resto da humanidade.

Agradeço a você, prezado fascista, por deixar muitos na pobreza, morrendo ou de tiro ou de doenças, numa estranha "higiene" social que pretende deixar vivos apenas aos teus semelhantes, brancos, ricos e portadores de um pedaço de papel chamado "diploma", que pelo jeito não serve para muita coisa.

Agradeço a você, respeitado medieval, por manter a desigualdade social, as injustiças e aumentar a concentração de renda. Hoje, nunca como antes, ricos ficarão mais ricos e pobres ficarão mais pobres. Isto se pobres conseguirem sobreviver.

Agradeço a você, honrado plutocrata, por trazer para a realidade o pior pesadelo. por instalar no Brasil um novo holocausto, só porque você detesta as pessoas de orientação política diferente da sua.

Obrigado coxinha, por piorar o país. Se ele afundar de vez, a responsabilidade é unicamente sua!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Vidraça Quebrada

Por Marcelo Pereira

Um garoto peralta, daqueles que gostam de amarrar rabo de gato e atirar pedras em passarinhos, resolve atirar pedras em uma vidraça cara de uma casa em seu bairro. Pega o seu bodoque e, sem hesitar atira com força e acaba quebrando um raro e caro vitral. 

Imediatamente sai correndo e segundo depois outro garoto, comportado e de boa índole aparece no mesmo lugar e decide tentar arrimar o vitral quebrado, tentando colar as peças que caíram.

O dono da casa, irado com o vitral caríssimo que havia sido quebrado, sai da casa para tentar caçar o culpado e encontra o garoto que estava tentando arrumar sua janela quebrada. 

Sem saber o que realmente aconteceu, pune o garoto que estava tentando arrumar, achando que foi ele que quebrou a janela. Enquanto isso, o verdadeiro culpado se encontrava impune, há muitas léguas longe dali.

O nome do menino que quebrou a janela era Fernando. O que tentou consertá-la, mas respondeu pelo estrago causado pelo outro, se chamava Luís.

Certamente você conhece esta estória, contada de outra forma, com os mesmos personagens e com o mesmo final injusto...

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

A civilização não é nada civilizada

Por Marcelo Pereira

Olho perplexo aquilo que as pessoas consideram como civilização. Sabe o que acho? Me dá vontade muitas vezes de fugir para uma bela floresta e montar uma espécie de acampamento, tribo, sei lá. Ou morar numa caverna. Talvez esteja mais feliz e seguro por lá.

A civilização é birrenta feito criança malcriada. Quer por que quer as coisas e faz de tudo para que as consiga. Exige demais por pensar que tais exigências estabelecem a organização e a justiça. Na prática fazem o oposto. Problemas surgem da tentativa de evitá-los.

Ah, a vida campestre longe dos grandes centros. A ideia da floresta me atrai. Onças ferozes não devem ser mais perigosas que capitalistas gananciosos. Se você arrumar um bom pedaço de carne para uma onça, ela não irá te devorar. O capitalista não. O  capitalista só quer aquilo que ele planeja ter e quando não tem, utiliza das formas menos civilizadas para obtê-lo. A onça é mansinha, com jeito, chega-se a um acordo.

Índios. Sabe porque eles são tão tranquilos? Talvez a distância da chamada civilização lhes mostra a verdadeira civilidade. Suas leis são mais justas. Isolados, se protegem de doenças. Há preocupação com caráter e com respeito ao próximo. Respeito que a sociedade considerada civilizada já começa a desconhecer.

Penso em um lugar assim. Uma tribo? Porque não? Talvez encontre o verdadeiro senso de humanidade dentro de uma oca. Numa rede social já não encontro. Quem pensa que floresta é o lar dos mais selvagens, é porque nunca entrou em uma rede social. Lá as feras são realmente bestas.

Sinto a civilização dos grandes centros cada vez mais bestializada. Reparam em seus costumes? Caramba, as ideias mais bestas, no intuito de agradar aos outros e subir na aquisição fácil de bens, dinheiro e prestígio, são postas em prática sem o menor pudor e senso do ridículo. Se ser ridículo e ganancioso traz prestígio, sejamos ridículos e gananciosos. Como um besta fera deve ser.

Vejo os civilizados cada vez mais bestializados. Leis, criadas antes para que todos possam ser beneficiados de alguma forma, agora servem para o oposto, para eliminar desafetos e privilegiar imbecis. Como ser imbecil á moda na sociedade civilizada, chega a se criminalizar a não-imbecilidade. Quem se recusa a ser imbecil é punido de várias maneiras.

Me volto a floresta. A não civilidade mostra a verdadeira civilidade. Não, as feras não estão lá. As feras vivem nos centos urbanos. Elas são mais perigosas e avessas a negociação. na floresta, comida de reserva e uma fogueira resolvem o problema. Aqui na chamada civilização há coisas que nem com conversa calma e respeitosa se resolve.

Por enquanto cá estou eu na minha "caverna" na selva de pedra. Por enquanto me protejo das feras. Elas vivem arrancando suas lascas por aí e não cessarão de arrancar. Por enquanto estou aqui escrevendo este texto. Mas preciso ficar atento. As criaturas mais selvagens já começam a anunciar a sua presença aqui bem pertinho. É preciso ficar atento e forte...