terça-feira, 21 de março de 2017

Feliz Aniversário? Bom... Feliz não é o termo...

Por Marcelo Pereira

Hoje completo mais um ano de vida. Você deve estar me perguntando se estou feliz. Eu respondo que não. Se a minha vida estava em si uma droga, veio o golpe político e transformou em tragédia o que era para ser apenas um grade problema.

Eu sou altruísta. Não dá para ser feliz sabendo que o país está... a palavra é pesada, mas é a mais adequada: uma merda. O país mergulhado numa verdadeira, fétida e insalubre poça de merda. Saber que os mais fracos devem ceder sempre aos mais fortes, que nunca precisam de ajuda, dói na alma.

Mas sinto uma decepção com a humanidade. minha idade é relativamente elevada para que eu tenha tido a experiência necessária para fazer este diagnóstico. As pessoas cada vez mais estão menos sensíveis e menos racionais, guiadas automaticamente por suas crenças surreais.

É um trabalho surreal educar uma sociedade que estimulada a tratar a capacidade intelectual como algo supérfluo. Este desprezo pelo pensar já começa a gerar seus graves estragos. Por causa da falta de racionalidade, muitas pessoas poderão se dar mal no país, que aos poucos se parece cada vez mais com a Alemanha dos anos 30, governada pelo maluco do bigodinho esquisito.

Sei lá. A humanidade parece cada vez menos disposta à sensatez. O século XXI sempre foi pensado como um século d grandes avanços. Estamos cada vez mais perto da Idade Média, não parecendo termos saído dela. Tenho a impressão de que vou ver cavaleiros de lata em cima de cavalos com enormes espadas a atingir o primeiro que encontram pela frente. espero que este primeiro não seja eu.

Não. Eu não estou feliz. Mais um ano de vida parece ser mais um ano a aguentar estes erros. Tudo que havia na Idade Média se manteve intacto, com as devidas atualizações. Estamos cada vez piores como seres humanos.

Não há como comemorar. Eu nem mesmo terei festa hoje. Se eu comer um delicioso bolo já vai ser muito bom para mim. Porque convidados certamente não virão. Eles estão ocupados em um imenso e pomposo baile em um castelo medieval, na época a qual eles pertencem.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Obrigado, Coxinha!

Por Marcelo Pereira

Ei você, que saiu para as ruas com a camisa da "seleção", batendo panelas exigindo o fim da gestão presidencial anterior! Hoje eu quero lhe agradecer.

Agradecer por ter arrasado com a minha vida. Graças a você, não poderei fazer concurso público. Graças as medidas aprovadas pela nova gestão, concursos serão poucos. 

Terei que me contentar com os empregos oferecidos pela iniciativa privada, exageradamente exigentes e sem garantia de estabilidade, correndo o risco de ser demitido por causa de um reles espirro.

Agradeço a você, meu caro direitista, devolver a este país a sua condição de sub-desenvolvimento, acabando com as suas empresas e vendendo seus maiores bens a ricaços de outros países.

Agradeço a você, estimado conservador, por ligar a TV e só ouvir mentiras, notícias que comparadas com a realidade cotidiana, entram em violenta contradição.

Agradeço a você, querido retrógrado, por deixar as crianças mais burras através da mudanças na Educação. Por sua causa, escolas serão transformadas em fábricas de fascistas a prejudicar todo o resto da humanidade.

Agradeço a você, prezado fascista, por deixar muitos na pobreza, morrendo ou de tiro ou de doenças, numa estranha "higiene" social que pretende deixar vivos apenas aos teus semelhantes, brancos, ricos e portadores de um pedaço de papel chamado "diploma", que pelo jeito não serve para muita coisa.

Agradeço a você, respeitado medieval, por manter a desigualdade social, as injustiças e aumentar a concentração de renda. Hoje, nunca como antes, ricos ficarão mais ricos e pobres ficarão mais pobres. Isto se pobres conseguirem sobreviver.

Agradeço a você, honrado plutocrata, por trazer para a realidade o pior pesadelo. por instalar no Brasil um novo holocausto, só porque você detesta as pessoas de orientação política diferente da sua.

Obrigado coxinha, por piorar o país. Se ele afundar de vez, a responsabilidade é unicamente sua!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Vidraça Quebrada

Por Marcelo Pereira

Um garoto peralta, daqueles que gostam de amarrar rabo de gato e atirar pedras em passarinhos, resolve atirar pedras em uma vidraça cara de uma casa em seu bairro. Pega o seu bodoque e, sem hesitar atira com força e acaba quebrando um raro e caro vitral. 

Imediatamente sai correndo e segundo depois outro garoto, comportado e de boa índole aparece no mesmo lugar e decide tentar arrimar o vitral quebrado, tentando colar as peças que caíram.

O dono da casa, irado com o vitral caríssimo que havia sido quebrado, sai da casa para tentar caçar o culpado e encontra o garoto que estava tentando arrumar sua janela quebrada. 

Sem saber o que realmente aconteceu, pune o garoto que estava tentando arrumar, achando que foi ele que quebrou a janela. Enquanto isso, o verdadeiro culpado se encontrava impune, há muitas léguas longe dali.

O nome do menino que quebrou a janela era Fernando. O que tentou consertá-la, mas respondeu pelo estrago causado pelo outro, se chamava Luís.

Certamente você conhece esta estória, contada de outra forma, com os mesmos personagens e com o mesmo final injusto...

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

A civilização não é nada civilizada

Por Marcelo Pereira

Olho perplexo aquilo que as pessoas consideram como civilização. Sabe o que acho? Me dá vontade muitas vezes de fugir para uma bela floresta e montar uma espécie de acampamento, tribo, sei lá. Ou morar numa caverna. Talvez esteja mais feliz e seguro por lá.

A civilização é birrenta feito criança malcriada. Quer por que quer as coisas e faz de tudo para que as consiga. Exige demais por pensar que tais exigências estabelecem a organização e a justiça. Na prática fazem o oposto. Problemas surgem da tentativa de evitá-los.

Ah, a vida campestre longe dos grandes centros. A ideia da floresta me atrai. Onças ferozes não devem ser mais perigosas que capitalistas gananciosos. Se você arrumar um bom pedaço de carne para uma onça, ela não irá te devorar. O capitalista não. O  capitalista só quer aquilo que ele planeja ter e quando não tem, utiliza das formas menos civilizadas para obtê-lo. A onça é mansinha, com jeito, chega-se a um acordo.

Índios. Sabe porque eles são tão tranquilos? Talvez a distância da chamada civilização lhes mostra a verdadeira civilidade. Suas leis são mais justas. Isolados, se protegem de doenças. Há preocupação com caráter e com respeito ao próximo. Respeito que a sociedade considerada civilizada já começa a desconhecer.

Penso em um lugar assim. Uma tribo? Porque não? Talvez encontre o verdadeiro senso de humanidade dentro de uma oca. Numa rede social já não encontro. Quem pensa que floresta é o lar dos mais selvagens, é porque nunca entrou em uma rede social. Lá as feras são realmente bestas.

Sinto a civilização dos grandes centros cada vez mais bestializada. Reparam em seus costumes? Caramba, as ideias mais bestas, no intuito de agradar aos outros e subir na aquisição fácil de bens, dinheiro e prestígio, são postas em prática sem o menor pudor e senso do ridículo. Se ser ridículo e ganancioso traz prestígio, sejamos ridículos e gananciosos. Como um besta fera deve ser.

Vejo os civilizados cada vez mais bestializados. Leis, criadas antes para que todos possam ser beneficiados de alguma forma, agora servem para o oposto, para eliminar desafetos e privilegiar imbecis. Como ser imbecil á moda na sociedade civilizada, chega a se criminalizar a não-imbecilidade. Quem se recusa a ser imbecil é punido de várias maneiras.

Me volto a floresta. A não civilidade mostra a verdadeira civilidade. Não, as feras não estão lá. As feras vivem nos centos urbanos. Elas são mais perigosas e avessas a negociação. na floresta, comida de reserva e uma fogueira resolvem o problema. Aqui na chamada civilização há coisas que nem com conversa calma e respeitosa se resolve.

Por enquanto cá estou eu na minha "caverna" na selva de pedra. Por enquanto me protejo das feras. Elas vivem arrancando suas lascas por aí e não cessarão de arrancar. Por enquanto estou aqui escrevendo este texto. Mas preciso ficar atento. As criaturas mais selvagens já começam a anunciar a sua presença aqui bem pertinho. É preciso ficar atento e forte...

domingo, 11 de setembro de 2016

Sonhos Quebrados


Por Marcelo Pereira

Alvinho era uma criança como outra qualquer. Um dia ouviu falar dos brinquedos ultramodernos e lindos do International Park, localizado em um cidade longe da sua. Alvinho se apaixonou pelo parque. O parque se tornou a sua obsessão. "Um dia irei para lá", dizia Alvinho, com convicção.

Falava com amigos sobre os brinquedos do parque. Colecionava fotos e informações sobre o parque. Fez um vídeo com fotos do parque. Até poesia e música foram feitas por Alvinho para celebrar o parque. 

Seu plano de ir ao parque continuava distante, mas Alvinho não parava de alimentar a sua obsessão. O parque era o seu lugar. ira ao parque se tornou a sua principal meta na vida.

Alvinho fez uma poupança para ir ao parque. O International Park dos seus sonhos teria que ser visitado. A aquisição de dinheiro foi lenta, mas bem sucedida.

Eis que um dia, finalmente, não só consegue o valor pretendido, como também a oportunidade para ir ao parque, se mudando para morar definitivamente na cidade. Enfim, vai finalmente conhecer o International Park e se divertir nos seus brinquedos mais modernos e possantes!

Durante a viagem de deslocamento para a cidade onde ficava o parque, Alvinho era só empolgação. Com os pais e o irmão, não arava de falar nos brinquedos e em tudo de bom que havia no parque que se tornou sua obsessão.

Após chegar à cidade e dormir na nova casa, finalmente, com o endereço correto em mãos, pega o ônibus para se deslocar ao lugar onde ficava o parque. Alvinho estava eufórico. A euforia não durou muito tempo.

Ao chegar, encontra um terreno abandonado, com muito mato crescendo e um monte de aço enferrujado e retorcido que sugere que havia brinquedos no lugar. O pai de Alvinho vê um homem simples varrendo nas proximidades e pergunta a ele.

- Bom dia, senhor. É aqui que havia o International Park?

- Sim. Mas o parque faliu há quase 10 anos. Apesar de estar sempre movimentado, o dono se atrapalhou com dívidas e má administração e teve que desistir do negócio. Como pagamento das dívidas vendeu o terreno e os brinquedos para o governo, que o abandonou. Virou isso que está aí.

- Mas ninguém avisou sobre isso?

- Não houve dinheiro sequer para divulgar alguma coisa sobre o fechamento do parque. Lamento.

Alvinho ficou desolado. Para piorar, a família, que decidiu se mudar para a cidade ficou sem condições de voltar para a sua antiga cidade. Com o fim do parque, a cidade entrou em franca decadência, pois a diversão oferecida pelo mesmo ajudava a movimentar a renda da cidade, que ficou bem pior que a cidade onde Alvinho morava, esta em crescimento acelerado.

domingo, 4 de setembro de 2016

O Golpista


Por Marcelo Pereira

O telefone toca:
- Alô!
- Bom dia, o Golpista está?
- Aqui não tem nenhum Golpista! Você ligou por engano. - diz o Golpista.
- Estou ouvindo a voz do Golpista...
- Mas você ligou errado. Aqui é a casa do Estadista!
- Tudo bem. Golpista!
- Hmmmmm!

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Jantar no restaurante caro.
- Garçom, me dá a conta.
- Aqui está. Vai pagar como?
- No cartão.
- Tá, me dê o cartão.
- Pois não.
- Mas está no nome de outra pessoa.
- Está sim. Mas vou pagar com este cartão.
- Tem certeza que não irá prejudicar o dono do cartão?
- Deixa de conversa mole e aceite!
- Isto é golpe!
- Não enche e aceite. Dane-se o dono! Estou te pagando, ora!

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Intervalo de um jogo de futebol. XV de Pororoca e Liriense. Liriense está ganhando com diferença de 5 pontos, com grandes chances de aumentar a diferença. Estamos no vestuário do Liriense. O Técnico é abordado por um estranho homem de terno. O Técnico fica apreensivo.
- Boa tarde, senhor. - cumprimenta o estranho homem.
- Boa tarde. O que o senhor quer aqui? Estamos nos preparando para o segundo tempo!
- Podem parar aí. Vocês não precisam mai se preparar.
- Como assim?
O estranho homem chama mais outros 11 homens. São tão jovens quanto os jogadores do Liriense.
- Dispense seus homens. Estes homens jogarão no lugar.
- Mas porquê? São os jogadores do time! Estamos ganhando!
- Faça o que eu digo. Ordens do patrocinador.
- Mas que maluquice é essa?
- Se não fizer o que eu estou dizendo, o patrocinador promete uma decisão drástica.
- Decisão drástica?
- Sim. Mas para evitar isso é simples: vista meus homens com a camiseta do Liriense e ponha-os para jogar. Está tudo certo.
- Mas esses caras sabem jogar?
- Não. Mas a gente se vira. O bom é satisfazer o patrocinador.
Os novos homens entram em campo no lugar dos jogadores oficiais. O Liriense perde feio de 5 a 30  e é eliminado do campeonato. Isso não lembra algo parecido?

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Um casamento. Está na hora daquele momento crucial:
- Se alguém aqui estiver contra este casamento, que fale agora ou se ca... - fala o padre.
- Essa mulher aí é uma safada! Essa piranha deverá sair. Ela é uma filha da puta! - Uma mulher entra na igreja de modo acelerado e berrando.
- Mas o que é isso? - diz a noiva.
- Nunca vi esta pessoa em minha vida! - diz o noivo.
- Não interessa se você viu, se não viu. O que interessa é que esta mulher com quem está se casando é uma piranha! - fala a intrusa.
- Mas eu sou tão pacata. Quase não saio de casa. Amo meu noivo e não penso em outro homem. 
- Mas saia daqui, sua puta. Se retire deste recinto que você não tem honra para casar com este homem!
A plateia se divide entre os que defendem a noiva e os que acatam a intrusa. Os do segundo grupo, apesar de minoria, são mais influentes e barulhentos e começam a fazer pressão.
- Que chato! - diz a noiva, sendo carregada por dois homens fortes. A intrusa se coloca no lugar da noiva, improvisa um véu e fala para o padre:
- Pode continuar a cerimônia. Eu aceito me casar com ele.

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- Alô!
- Alô. É da casa do Golpista?
- Não. É do Planalto. E eu não sou Golpista. Sou o Estadista.
- Me falaram que o Golpista trabalhava aí.
- Não, você está redondamente enganado. Aqui não tem Golpista.
- Como não? Fontes seguras garantem que o Golpista está no Planalto.
- O Golpista foi embora. Aqui é o Estadista.
- Estou ouvindo a voz do Golpista...
- Olha, pare de me irritar. Aqui não tem golpista!
- Arrá! Golpista! Golpista! Golpista!
- Vocês está me irritando!
- Golpista! Golpista!
- Escute aqui! Golpista é você que rasga a Constituição! Adeus! - berra furioso, o Golpista.
O Golpista desliga o telefone e depois pega a Constituição e rasga, para em seguida jogá-la na lixeira.

domingo, 28 de agosto de 2016

Superman


Por Marcelo Pereira

Religiosos reunidos em momentos de devoção:
- Irmãos. Estamos aqui em nossa fraternidade para pedirmos louvores àquele que tanto está do nosso lado, cuidando de nossas vidas com amor e dedicação. Amigos, louvemos o nosso grandioso pai e salvador Superman. Ave, Superman!
- Ave!

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A cidade de São Clark Kent da Metrópolis, no estado de Krypton está realizando neste instante uma linda romaria. Um lindo tapete de farinha e arroz foi estendido na rua principal por onde passará o sacerdote carregando a imagem de Superman. Ao passar a imagem, fiéis se emocionam. Muitos choram. Uns desmaiam. Mas todos se comovem diante da imagem do salvador.

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- Minha vida está tão ruim. Tem alguma solução para mim?
- Ore para o nosso salvador, o Superman.
- Superman?
- Sim, ore com devoção que ele sempre ajuda. E rápido, pois ele vem voando. Eu garanto.

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Centro Espírita. As pessoas reunidas estão concentradas. Uma delas é o médium. Começa a tremer. Após a tremura, o médium começa a falar com voz de trovão.
- Irmãos, eu estou aqui. Aquele que voz orienta e apoia. Superman!
- Ó Superman! Que bom que o Senhor está conosco!
- Sim, irmãos. Eu sempre estou convosco. Mas agora resolvi falar.
- Senhor,, que honra termos em nossa humilde casa. O que vos traz aqui?
- Saiu a edição recente da minha revista. Vão lá e comprem antes que acabe!

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Já no templo evangélico...
- Em nome de Superman, eu lhes imploro: Lex Luthor, sai do corpo desse amado fiel!
- Grrrr! Rooooaaaarr! Num saiu não!
- Sai em nome de Superman, filho das trevas. Luthor, sai do corpo desse homem infeliz!
- Grrr! Mmmmmm... Uuuuaaaaauuuuuzzz! Não vou. Ele é meu!
- Sai desse corpo, ó Luthor infeliz! Se não sair vou lustrar a sua carequinha.
- Aaaaaaaaaaaaaaaa!!!!...
Com isso, Luthor deixa o corpo, o fiel se recupera e o exorcismo foi concluído.

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Moisés desce a montanha. Traz uma pedra cheia de letrinhas escritas.
- Mas o que é isso?
- Mestre, você demorou demais ficamos entediados e decidimos dar uma festinha. - diz um dos até então discípulos de Moisés.
- Mas que absurdo é esse? E esse morcego feito de ouro? Porque cultuastes?
- Esse é o Batman. Esse seu Superman parece meio enrolão. O senhor demorou demais e decidimos por escolher outro mestre para nos orientar.
- Mas não estais cientes de que somente Superman é  seu Senhor, Onipotente e Onisciente?! 
- Sei. Mas ele demorou muito. Agora, Batman é o nosso senhor. Ele veio das trevas para nos trazer a luz. Veio das trevas para nos tirar dela!
- Valei, me Superman...

As religiões têm cada uma...